Capítulo 39

465 Palavras
Sol, Areia e Conspirações No sábado, como sempre, a casa era só minha e da rotina. Balde, pano, música baixa e o cheiro de limpeza recém-feita. Era assim todo fim de semana — sábado e domingo, meus únicos dias de folga. Eu gostava daquele silêncio organizado, daquela sensação de controle que a faxina me dava. Ou pelo menos gostava… até a campainha tocar. — Alicia! — reconheci a voz antes mesmo de abrir a porta. — Ou melhor… Natália — corrigiu-se do outro lado, rindo, como se o próprio nome fosse um segredo compartilhado. Quando abri, a cena estava completa demais para ser coincidência: Natália, toda animada, Luna e Gabriela atrás dela, com sorrisos que já denunciavam problema. — Viemos te salvar — anunciou Natália, entrando como se a casa também fosse dela. — Você está branca demais, menina. Isso não é vida. — Eu estou trabalhando… — tentei argumentar, apontando para o balde. — Trabalhando nada. Você está de folga — rebateu Gabriela. — E vai à praia com a gente. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Natália puxou de dentro da bolsa um biquíni. — Trouxe isso pra você. Era lindo. Simples, elegante… e completamente fora da minha zona de conforto. — Natália, eu nunca usei biquíni — confessei, sentindo o rosto esquentar só de imaginar. — Sempre existe uma primeira vez — ela respondeu, firme. — E hoje é o dia. Insistiram tanto que, quando percebi, já estava trocando de roupa, o coração acelerado e a sensação clara de que aquilo tudo tinha sido cuidadosamente planejado. Na praia, o sol brilhava forte, o mar parecia um convite impossível de recusar. Eu ainda tentava me acostumar com a sensação da areia nos pés quando Luna apontou discretamente para frente. — Alicia… olha lá. Segui o olhar dela. Alan e Alex. Sem camisa. O tempo simplesmente… parou. Os dois conversavam próximos à água, os corpos definidos reluzindo sob o sol, gotas de mar escorrendo pela pele como se aquela cena tivesse sido desenhada para provocar. Senti o rosto queimar na mesma hora. Tive certeza absoluta: Natália sabia. Sempre soube que eles estariam ali. — Meu Deus… — murmurei, sem conseguir desviar o olhar rápido o suficiente. Alan foi o primeiro a perceber nossa presença. O sorriso dele surgiu lento, seguro. Alex logo depois, com aquele olhar atento que parecia me enxergar inteira, mesmo de longe. — Viu só? — Natália cochichou ao meu lado, satisfeita. — Praia faz bem pra saúde… e pro coração. Eu engoli em seco, tentando controlar o rubor no rosto e o descompasso no peito. O sol, o mar, os olhares… e aquela sensação inquietante de que aquele sábado estava longe de ser apenas um dia comum de folga. Era o começo de algo. E, no fundo, eu sabia.
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