Sol, Areia e Conspirações
No sábado, como sempre, a casa era só minha e da rotina. Balde, pano, música baixa e o cheiro de limpeza recém-feita. Era assim todo fim de semana — sábado e domingo, meus únicos dias de folga. Eu gostava daquele silêncio organizado, daquela sensação de controle que a faxina me dava.
Ou pelo menos gostava… até a campainha tocar.
— Alicia! — reconheci a voz antes mesmo de abrir a porta. — Ou melhor… Natália — corrigiu-se do outro lado, rindo, como se o próprio nome fosse um segredo compartilhado.
Quando abri, a cena estava completa demais para ser coincidência: Natália, toda animada, Luna e Gabriela atrás dela, com sorrisos que já denunciavam problema.
— Viemos te salvar — anunciou Natália, entrando como se a casa também fosse dela. — Você está branca demais, menina. Isso não é vida.
— Eu estou trabalhando… — tentei argumentar, apontando para o balde.
— Trabalhando nada. Você está de folga — rebateu Gabriela. — E vai à praia com a gente.
Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, Natália puxou de dentro da bolsa um biquíni.
— Trouxe isso pra você.
Era lindo. Simples, elegante… e completamente fora da minha zona de conforto.
— Natália, eu nunca usei biquíni — confessei, sentindo o rosto esquentar só de imaginar.
— Sempre existe uma primeira vez — ela respondeu, firme. — E hoje é o dia.
Insistiram tanto que, quando percebi, já estava trocando de roupa, o coração acelerado e a sensação clara de que aquilo tudo tinha sido cuidadosamente planejado.
Na praia, o sol brilhava forte, o mar parecia um convite impossível de recusar. Eu ainda tentava me acostumar com a sensação da areia nos pés quando Luna apontou discretamente para frente.
— Alicia… olha lá.
Segui o olhar dela.
Alan e Alex.
Sem camisa.
O tempo simplesmente… parou.
Os dois conversavam próximos à água, os corpos definidos reluzindo sob o sol, gotas de mar escorrendo pela pele como se aquela cena tivesse sido desenhada para provocar. Senti o rosto queimar na mesma hora. Tive certeza absoluta: Natália sabia. Sempre soube que eles estariam ali.
— Meu Deus… — murmurei, sem conseguir desviar o olhar rápido o suficiente.
Alan foi o primeiro a perceber nossa presença. O sorriso dele surgiu lento, seguro. Alex logo depois, com aquele olhar atento que parecia me enxergar inteira, mesmo de longe.
— Viu só? — Natália cochichou ao meu lado, satisfeita. — Praia faz bem pra saúde… e pro coração.
Eu engoli em seco, tentando controlar o rubor no rosto e o descompasso no peito. O sol, o mar, os olhares… e aquela sensação inquietante de que aquele sábado estava longe de ser apenas um dia comum de folga.
Era o começo de algo. E, no fundo, eu sabia.