Capítulo 35

546 Palavras
As Condições do Amor Depois do jantar, o som do mar parecia ainda mais presente, como se acompanhasse cada passo que davam dentro da cabana. Alicia caminhou até o sofá de tecido claro e sentou-se devagar. Logo, Alex acomodou-se de um lado, com a postura atenta de quem sabe ouvir; Alan sentou-se do outro, calmo, observador, como se estivesse preparado para compreender até o silêncio. Por alguns segundos, ninguém falou. Alicia entrelaçou os dedos no colo, respirou fundo e então ergueu o olhar para os dois. — Eu aceitei o pedido — começou, com suavidade —, mas preciso ser honesta com vocês. Para casar, eu também tenho minhas condições. Alex assentiu imediatamente. — É justo. Um casamento começa com verdade. Alan sorriu de leve. — Estamos ouvindo. Alicia levantou-se um pouco no sofá, buscando conforto, e falou com firmeza, sem hesitar: — Primeiro: onde vamos morar. Eu não quero uma casa no centro da cidade, nem perto de gente que vive da vida alheia. Quero um lugar mais reservado, tranquilo… longe dos olhos do povo que gosta de falar demais. Ela fez uma breve pausa, certificando-se de que estavam compreendendo. — Nosso amor já foge do que muitos consideram “normal”. Eu não quero viver sob julgamentos, cochichos ou curiosidade excessiva. Quero privacidade. Quero que o que é nosso fique entre nós. Alex soltou um leve suspiro, quase aliviado. — Como delegado, eu vejo todos os dias o quanto as pessoas podem ser cruéis com o que não entendem. Eu concordo com você. Alan completou, com a voz serena: — Um lugar reservado também nos daria paz. Para cuidar de você… e de nós. Alicia sorriu, sentindo-se segura para continuar. — A segunda condição é mais íntima — disse, baixando um pouco o tom da voz. — A noite de núpcias só será depois do casamento. Nenhum dos dois a interrompeu. — Eu quero que minha primeira vez seja especial — continuou ela, com os olhos brilhando de emoção. — Não por regras antigas, mas por escolha. Quero que esse momento represente o compromisso, o amor e a certeza do que estamos construindo juntos. Alex segurou a mão dela com cuidado, sem pressa. — Obrigado por confiar isso a nós. Eu respeito totalmente. Alan pousou a mão sobre a outra mão de Alicia, formando um elo silencioso entre os três. — Amor de verdade não tem pressa. Tem intenção. O silêncio que se seguiu não foi desconfortável. Era cheio de compreensão, de aceitação mútua. Alicia sentiu, naquele instante, que não precisava se explicar além daquilo. Suas condições não eram barreiras, mas fundamentos. — Se concordarem com isso — concluiu —, então eu quero casar. Quero uma vida a três, construída com respeito, cuidado e escolhas conscientes. Alex sorriu, daquele jeito confiante e protetor. — Eu concordo com tudo. Alan inclinou-se levemente em direção a ela. — Não só concordo… como admiro ainda mais você por saber exatamente o que quer. Alicia recostou-se no sofá, sentindo-se acolhida entre eles. Do lado de fora, o mar continuava seu vai e vem eterno. Ali dentro, porém, tudo estava em calma. As bases do casamento não estavam apenas feitas de amor, mas de diálogo, limites e respeito — e isso tornava a promessa ainda mais forte.
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