Capítulo 34

648 Palavras
O Jantar na Cabana à Beira do Mar Alicia estacionou o carro diante da pequena cabana de madeira, isolada entre a areia clara e o som constante do mar. A noite estava calma, e a lua refletia-se na água como um caminho prateado que parecia conduzi-la até ali. Ela sorriu sozinha antes mesmo de sair do carro. Conhecia bem aquele lugar — um refúgio escolhido por Alan e Alex para momentos em que o mundo precisava ficar do lado de fora. Ao abrir a porta, foi recebida pelo perfume delicado de velas misturado ao aroma marcante de camarão salteado. A mesa estava posta com uma elegância simples: toalha clara, talheres alinhados, taças de vinho refletindo a chama tremeluzente das velas. O som do mar entrava pelas janelas abertas, completando a cena com uma serenidade quase solene. — Uau… — foi tudo o que Alicia conseguiu dizer por alguns segundos. Alan, sempre cuidadoso, aproximou-se com um sorriso contido, os olhos cheios de expectativa. — Queríamos que fosse especial. Alex surgiu logo atrás, ainda com o avental, o rosto iluminado pela satisfação de quem preparou algo com o coração. — E nada melhor do que tentar impressionar uma chef de cozinha — disse, em tom brincalhão. Alicia riu suavemente. Ela conhecia técnicas, sabores, tempos exatos de cocção. Era exigente consigo mesma e com qualquer prato que provasse. Ainda assim, havia algo profundamente diferente naquela noite. Não era apenas o risoto de camarão, cremoso e perfumado, servido com um cuidado quase reverente. Era o gesto. O esforço. O amor traduzido em comida. — Eu posso ser chef — disse ela, sentando-se —, mas adoro quando vocês cozinham para mim. Durante o jantar, conversaram sobre o dia a dia, sobre casos curiosos da delegacia que Alex contava sem quebrar o sigilo, e sobre os pacientes que Alan acompanhava com a mesma dedicação que demonstrava em tudo o que fazia. Alicia observava os dois em silêncio por momentos, sentindo-se completa de uma forma que nunca soubera nomear antes. Quando os pratos já estavam quase vazios, Alex se levantou e foi até a janela. Ficou alguns segundos olhando o mar antes de se virar. — Alicia… — começou, a voz mais séria do que de costume. Alan pousou o guardanapo sobre a mesa e respirou fundo. — Nós preparamos esse jantar não só para agradar você. Alex voltou até a mesa e, lado a lado com Alan, colocou sobre ela um pequeno estojo e alguns papéis cuidadosamente organizados. — Nós queremos te pedir em casamento — disse Alex, direto, como aprendera a ser. — Queremos construir uma vida com você — completou Alan —, baseada em amor, respeito e escolhas conscientes… os três juntos. O silêncio foi preenchido apenas pelo som das ondas. Alicia sentiu os olhos marejarem. Antes de responder, olhou para os papéis. — Achamos importante falar também sobre um contrato de casamento — explicou Alan, com suavidade. — Não como uma obrigação fria, mas como um acordo de cuidado entre nós. Eles explicaram calmamente cada ponto, como se estivessem falando de algo sagrado: Respeito absoluto entre os três, sem hierarquias afetivas. Diálogo constante, especialmente quando surgissem inseguranças ou conflitos. Decisões importantes sempre compartilhadas, sejam emocionais, profissionais ou familiares. Tempo individual preservado, porque amar também é permitir respirar. Compromisso com o amor escolhido todos os dias, mesmo quando fosse difícil. Alicia fechou os olhos por um instante. Quando os abriu, havia neles a certeza tranquila de quem reconhece o próprio lugar no mundo. — Eu aceito — disse, a voz firme e emocionada. — Aceito vocês, aceito esse compromisso, aceito essa vida a três. Alan segurou sua mão com cuidado. Alex inclinou-se para beijar-lhe a testa. As velas continuaram a queimar lentamente, o mar seguiu seu ritmo eterno, e naquela cabana simples, à beira do mundo, três destinos foram unidos não apenas por amor, mas por escolha, respeito e promessa.
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