O Retorno para Casa
No dia seguinte, Alicia acordou com a sensação reconfortante de não estar mais sozinha. Ainda meio sonolenta, sentiu um olhar atento sobre si. Quando abriu os olhos devagar, encontrou um par de olhos azuis fixos nela, cheios de cuidado e amor. Alex havia chegado há pouco, e o cansaço do plantão ainda marcava seu rosto, mas o sorriso era o mesmo de sempre.
— Princesa, bom dia — disse ele, com a voz baixa, como se não quisesse quebrar aquele instante delicado.
Alicia sorriu automaticamente. Antes que pudesse responder, Alex se aproximou, inclinou-se com cuidado e beijou sua testa, um gesto simples, mas carregado de significado. Ela fechou os olhos por um segundo, sentindo-se segura. Era exatamente ali que queria estar.
Pouco depois, a porta se abriu novamente. Alan apareceu, desta vez sem o jaleco, trazendo na mão alguns papéis. O semblante profissional deu lugar a um sorriso aliviado.
— Tenho boas notícias — anunciou ele, levantando levemente a folha. — Sua alta, a receita e todas as orientações. Está oficialmente liberada.
— Vamos embora — completou, com um tom carinhoso que misturava o médico responsável e o noivo preocupado.
Alicia sorriu mais uma vez, sentindo o coração aquecer.
— Vamos — respondeu. — Mas antes preciso ir ao banheiro.
Alex não perdeu tempo. Levantou-se, foi até a cama e estendeu a mão.
— Vem, princesa.
Com a ajuda dele, Alicia desceu da cama devagar. O corpo ainda estava um pouco fraco, mas a sensação de poder ir embora lhe dava forças extras. Enquanto caminhavam, ela lembrou-se de algo.
— Alan, suas coisas estão no banheiro — avisou.
Alex arqueou uma sobrancelha e sorriu de lado.
— Quer ajuda, princesa?
Na mesma hora, Alicia sentiu o rosto esquentar. Ficou completamente vermelha, o que arrancou um sorriso divertido de Alex. Mesmo sabendo que eles não entrariam, aquele comentário a deixou sem reação. Sem dizer nada, entrou rapidamente no banheiro e fechou a porta atrás de si.
Lá dentro, respirou fundo e apoiou as mãos na pia, observando seu reflexo no espelho. Ainda havia sinais da noite difícil, mas também havia algo novo: tranquilidade. Fez sua higiene com calma, tomou um banho morno que parecia lavar não apenas o corpo, mas também o medo e o cansaço acumulados. Depois, vestiu um vestido leve, simples e confortável, perfeito para aquele momento de retorno.
Quando saiu do banheiro, encontrou os dois a esperando. Assim que a viram, tanto Alex quanto Alan pararam por um segundo, como se precisassem processar a imagem.
— Linda — disse Alan, com um sorriso sincero.
Alicia sentiu o rosto esquentar novamente e abaixou um pouco a cabeça, tímida.
Alex riu baixo.
— Você parece um tomatinho desse jeito.
Ela abriu a boca para responder, mas não conseguiu dizer nada. Quanto mais tentava se controlar, mais vermelha ficava, e Alex claramente se divertia com isso. Alan apenas observava, achando graça daquela cumplicidade tão natural entre eles.
Pouco tempo depois, já estavam a caminho de casa. O hospital ficou para trás, e a cada metro percorrido, Alicia sentia o alívio crescer. No trajeto, Alex fez questão de parar em uma padaria.
— Vou comprar nosso café da manhã — anunciou, já abrindo a porta do carro.
Quando voltou, trouxe sacolas com pães, frutas, suco e alguns doces simples, daqueles que lembravam aconchego. Alicia sorriu com o cuidado.
Chegaram em casa ainda pela manhã. O lugar parecia ainda mais acolhedor depois de uma noite no hospital. Sentaram-se à mesa e tomaram o café com calma. Não havia pressa, nem urgência. Apenas o silêncio confortável de quem sabe que tudo está, finalmente, em ordem.
Depois de comerem, Alex e Alan se entreolharam.
— Vamos tomar um banho — disse Alex. — Precisamos trocar de roupa.
— As roupas estão separadas — respondeu Alicia. — Comprei para vocês.
Alan a olhou com carinho.
— Sempre pensando em tudo.
Enquanto eles foram para o banho, Alicia se sentou no sofá, sentindo o corpo finalmente relaxar. Pouco tempo depois, Alex saiu do quarto já vestido, ajustando a camisa.
— Só faltou você no banho — comentou, com um sorriso malicioso no canto da boca.
Alicia congelou por um segundo. Sentiu o rosto queimar novamente, como se estivesse pegando fogo.
— Alex! — exclamou, sem saber se ria ou se escondia o rosto.
Alan apareceu logo depois, rindo da cena. Aproximou-se dela, passou um braço ao redor de seus ombros e a puxou para um abraço. Inclinou-se e falou em seu ouvido, com a voz baixa:
— Alex tem razão.
Alicia sentiu um arrepio percorrer o corpo inteiro. Tremendo levemente nos braços de Alan, respirou fundo, tentando se recompor. Os dois riram, sem maldade, apenas desfrutando daquele momento íntimo e leve.
— Vocês dois são impossíveis — murmurou ela, ainda vermelha.
— Mas você ama — respondeu Alex.
— Muito — completou Alan.
O cansaço finalmente se impôs. Eles decidiram deitar um pouco. Alex e Alan estavam exaustos dos plantões, e Alicia, da noite difícil que havia enfrentado. Foram para o quarto, deitaram-se juntos, sem dizer muito. Não era necessário.
Alicia se acomodou entre eles, sentindo o calor, a presença e a proteção que tanto precisava. Em poucos minutos, o sono chegou, tranquilo e profundo. Pela primeira vez em muito tempo, ela dormiu sem medo, sem dor e sem incertezas.
Estava em casa. E isso era tudo o que importava.