Narrado por Bianca O silêncio daquela manhã tinha um peso estranho. O tipo de silêncio que grita. Eu acordei com um aperto no peito e uma angústia que não sabia explicar. Talvez fosse o cansaço acumulado, ou o fato de ter dormido pouco depois de mais uma discussão com Marcos — que, ultimamente, parecia estar mais distante mesmo quando estava perto. Levantei devagar, tentando não acordar Sofia, que dormia na minha cama desde a última crise de choro quando não quis ir embora com Pedro. A menina estava ficando cada vez mais confusa, e isso me despedaçava. Eu me sentia a pior pessoa do mundo por não conseguir dar a estabilidade emocional que ela precisava. Passei a mão pelo rosto e fui até a cozinha. A chaleira apitou assim que coloquei a mão na alça. E antes mesmo de desligá-la, meu celula

