Pedro: Acordei com o barulho suave dos passarinhos lá fora, e pela primeira vez em muito tempo, senti paz. Daquelas que se instalam no peito devagar, como quem não quer chamar atenção, mas fica ali, quentinha, preenchendo os espaços vazios. Olhei para o lado e vi Bianca dormindo. Seus cabelos estavam espalhados pelo travesseiro, e o sol filtrado pela cortina iluminava seu rosto como se o universo soubesse que ela merecia luz. Sofia havia dormido no quarto dela, agarrada no coelhinho que ganhou da Bianca no primeiro Natal juntas. E eu... bem, eu ainda estava tentando acreditar que tudo aquilo era real. Que minha família estava se formando, depois de tanta dor. Mas nada vem fácil, né? O Marcos ainda estava por perto. Não fisicamente, mas presente — no olhar que Bianca lançava ao horizont

