NICK
— Você…
Isso não pode estar acontecendo. A palavra simplesmente escapou dos meus lábios.
Pela Deusa… o que é esse vestido?
Nem percebi que a estava encarando tanto até que ela tentou, por instinto, ajustar a roupa.
Algo está estranho.
Vejo que ela tenta se esconder nesse vestido ousado, cobrindo-se com um casaco preto de algodão que claramente não combina.
Mas… por que está tão desconfortável? Nem olha pra mim.
Parece até triste.
O pior de tudo é que posso sentir seus sentimentos.
E isso me deixa ainda mais inquieto.
Ela está constrangida, com calor e totalmente envergonhada… perto de mim.
Meu coração está prestes a explodir.
Mia… fala alguma coisa…
Agora não é hora de perder o controle.
Estamos na casa do Beta da matilha aliada.
Nem eu nem você podemos dar vexame.
Começo a suar.
Essa noite vai ser um inferno.
Essa menina… com as pernas à mostra e saltos altíssimos…
Não entendo como consegue andar com tanta leveza usando esses instrumentos de tortura.
Ela parece tão pequena.
Deliciosa…
Vou ignorar meu lobo. Não é hora pra isso.
Preciso focar no motivo pelo qual o senhor Johnson me chamou com tanta urgência.
A ligação dele me deixou preocupado com minha pequena…
— Alfa… digo, senhor Dalton, por favor, fique à vontade. Minha esposa servirá o jantar em breve.
Sento-me à mesa. Ele indica a cabeceira com um gesto quase cerimonial.
Tem algo estranho nessa casa.
Ela não levanta os olhos do chão.
Ainda não me encarou.
E isso está me deixando nervoso.
— Pode me dizer o motivo da urgência.
— Senhor Dalton, vamos aproveitar o jantar preparado por essas damas encantadoras, e depois falamos de negócios. Que tal?
Negócios?
Apenas assenti. Mas isso não está me cheirando bem.
Vejo de relance sua tia forçá-la a sentar-se ao meu lado.
Algo dentro de mim se enfurece ao notar que ela não está à vontade.
Será que é por mim?
Ela está com as bochechas coradas, um vermelho cereja lindo.
Sua pele é clara, macia… tentadora.
Deusa, me dá força.
Essa garota me faz sentir um adolescente de novo…
E eu me odeio um pouco mais por isso.
Durante o jantar, suei feito louco.
Ela não disse uma palavra.
A tia tentava puxar conversa, mas nada.
Ela está triste. Envergonhada.
Será por causa do vestido?
Ou sou eu?
Não sou tão r**m assim…
— Querida, tem certeza de que não está com calor? Aqui dentro está abafado, e você com esse suéter horroroso…
— Estou bem, tia. Obrigada.
Preciso falar com ela.
Não terei paz enquanto não conversar.
Durante todo o jantar, ficou atenta a mim — como se fosse minha empregada.
Quase não tocou na comida.
Isso me incomodou.
Essa família é completamente louca.
Quando terminamos, a tia pede pra ela trazer a sobremesa que ela mesma preparou.
Fiquei sem palavras.
A garota sabe cozinhar… e assar.
Minha sobremesa favorita.
Mia… deliciosa… perfeita…
Ela é só uma menina. Não esqueça.
— Vamos ao meu escritório, senhor Dalton.
— Claro. Mas antes, posso usar o banheiro?
Ótimo pretexto para falar com ela a sós.
— Claro. Abi, por favor, mostre o banheiro ao nosso convidado.
Excelente.
— Claro… me acompanhe, por favor.
Ela espera que eu a siga.
Caminhamos até o fim do corredor, fora do alcance da tia.
— Este é o banheiro, senhor Dalton. Me avise se precisar de algo mais. Ficarei aqui para garantir que não se perca.
E então…
Meu lobo assumiu o controle.
Num piscar de olhos, já a tinha prensada contra a parede, entre meus braços.
O mais estranho?
Ela não resistiu.
Nem gritou. Nem se moveu.
— Abigail.
— Sim, senhor.
Ela disse isso?
Sou um pervertido.
Tê-la tão perto, com aquele cheiro que me enlouquece…
E tão receptiva.
Ela está quente. E… molhada.
— Eu posso te sentir… você está bem?
— Eu… estou fedendo?
— Não. Muito pelo contrário, Abigail.
— Fiz algo errado, senhor? Eu…
Não resisti.
A beijei.
Um beijo intenso, quente e delicioso.
Meu coração disparou.
Ela é inexperiente.
Seu coração quase pulou do peito.
Eu estava fora de mim.
Fazendo exatamente o que prometi que nunca faria.
MALDIÇÃO.
Essa menina… é uma feiticeira.
Me afastei devagar.
Ela continuava com as bochechas coradas.
Olhos fechados.
Tão linda… minha florzinha.
Tão perfeita.
— Desculpe, senhor. Eu não queria incomodar.
Incomodar?!
Eu a agarrei!
Que diabos fizeram com ela nesta casa?
— Não, Abigail. Não peça desculpas. Eu fui o atrevido. Me perdoe. Não vai se repetir. Foi um erro meu.
— Seu… erro.
Algo nela quebrou.
Meu pedido de desculpas… a desestabilizou.
E meu coração também.
Preciso sair daqui.
Preciso de distância.
Prometi que ela teria uma vida normal.
— Pode ir. Eu irei em um minuto.
Ela assentiu em silêncio.
Desapareceu no corredor.
Sou um i****a.
O que eu fiz?
O pior é que… não vou esquecer seu cheiro.
E menos ainda… seu sabor.
Vou direto ao banheiro.
Tento me recompor.
Não penso na maldita ereção — isso vai me impedir de dormir.
Inferno!
Sigo o cheiro dela no corredor, mas a perco em alguma porta.
Não posso entrar. Seria demais.
Sigo o rastro do tio.
Preciso de respostas.
Entro no escritório sem bater. Já perdi a paciência.
— Pode falar.
— Veja, Alfa… agora que minha sobrinha é maior de idade, é hora de começar a treiná-la para ser Luna da sua matilha.
— Desculpa, o quê?!
NÃO. NÃO. NÃO.
— Foi a decisão que o conselho e eu tomamos após seu ato egoísta de rejeitá-la quando criança.
— Fiz isso pelo bem dela! Queria que tivesse uma vida normal.
— Pois saiba que ela teve tudo, menos uma vida normal.
Mas vamos ao que importa: nossas empresas precisam de novos acordos.
E sua matilha precisa de filhotes.
Isso só vai acontecer quando você se unir à minha sobrinha.
Maldito.
Agora entendo tudo.
Era isso.
Era esse o plano.
— Então é por isso o jantar? Ela sabe disso?
— Claro que não. Aliás… ela nem sabe que é uma loba.
— COMO PUDERAM?!
— Você é o culpado, mas isso não vem ao caso agora.
— O que querem de mim?
— O que todos querem: união, prosperidade, filhotes…
— Eu a rejeitei. Foi doloroso.
— É aí que está a beleza… Ela não lembra.
Perdeu a memória daquele dia.
Isso só pode ser uma piada.
— Está me zoando?
— De forma alguma.
Esse jantar foi para vocês se reconectarem e para que você tome a decisão certa.
— Eu não posso fazer isso com ela.
— Não se preocupe. Ela é submissa e foi criada para te agradar.
— Me agradar?! Você está vendendo sua sobrinha como um objeto!
— Não, Alfa. Mas se preferir, posso oferecer minha filha.
Lembre-se: estou apenas seguindo as instruções do conselho.
Idiota.
Eu fui um i****a.
Nem quero imaginar tudo que minha princesa passou nessa casa.
— Então, qual é o veredito? Vai levá-la hoje?
Ou eu a coloco na rua como uma loba inútil, sem lugar na sociedade?
— Isso não foi o combinado, Luke.
— Foi sim. Podemos levar ao conselho, se preferir.
Odeio todos vocês.
— O que espera que eu faça com ela?
— Ela é sua destinada. Sua responsabilidade.
— E como quer que eu a leve?
— Sua tia já está preparando tudo.
Ah, e lembre-se: ela é uma princesa… e virgem.
Essas palavras foram a facada final.
Sou um monstro.
Mas serei o pior monstro de todos — para protegê-la.
Ela será livre para escolher.
Isso não vai ficar assim.
Saio do escritório furioso.
Chego à porta…
E vejo a cena que me despedaça por dentro.
— Tia, por favor… eu só mostrei o banheiro pra ele!
— Não quero ouvir uma palavra, Abigail. Você vai com ele. É isso.
— Por favor, não me expulse… agora tenho um emprego… posso ajudar mais. Tia, por favor, essa é minha casa.
— Não, Abigail. Acabou. Vai com o senhor Dalton. A partir de agora, ele cuidará de você.
Comporte-se como ensinei. Sirva-o como deve ser.
— Mas… eu não fiz nada de errado…
— Chega. Vamos embora. Abigail, pare de implorar.
Ela apenas junta algumas coisas.
Nem me olha.
Pego sua mala. Caminho até meu carro.
Olho para a tia.
— Isso não vai ficar assim.
— Esperamos o convite para o casamento o quanto antes.
Luke, miserável.
Ele está sorrindo. Vai ver só quando eu cortar o fluxo de dinheiro que pagava por cuidar da minha pequena.
Ajudo-a a entrar no carro.
Guardo suas coisas no porta-malas.
O que vou fazer com essa menina?
Tantos anos tentando esquecê-la…
E agora…
Ela é minha. Entregue em bandeja de prata.
Mas não será como eles querem.
Vão ver com quem se meteram.