NICK
Como todos os dias, entro no último andar onde fica meu escritório e sigo distraído, tentando não dar atenção demais aos que andam ao meu lado. São irritantes. Uns tentando me empurrar uma companheira provisória, outros falando de ações e investimentos. Meus pais... parecem abelhas tagarelas. Odeio isso.
De repente, uma rajada com o cheiro mais delicioso e viciante que já senti me acerta com força total.
— Espera… que cheiro é esse?
Pela Deusa… esse cheiro… doce… acho que meu coração parou, porque minha mente não consegue pensar em mais nada.
— Senhor? Está bem, ch… chefe? — Eu… acho que não… esquece isso. Quero todo mundo FORA! Ninguém me incomode! — Chefe? — Dei uma ordem. AGORA! — Sim, senhor.
Meus omegas se encarregam de dispersar todos depois da minha explosão.
— Jackson, cuide dos meus compromissos.
Vejo-o organizando tudo e afastando as reuniões.
Por que ela estaria aqui?
Tudo o que consigo pensar é nas ondas de energia que percorrem meu corpo. Imediatamente, meus caninos querem descer, e minhas faculdades para esconder minha verdadeira natureza começam a falhar.
O que está acontecendo comigo?
Procuro em todo o lugar a fonte do meu desespero. Nunca senti algo assim. Vai me enlouquecer. Sei que o efeito é ainda mais intenso por estar tão perto da loucura lunar, que me persegue há mais de um ano. Como uma ladra sensual, pronta para tirar tudo que conquistei.
Mas isso só deveria acontecer se minha companheira estivesse próxima. O que é ridículo. Nos últimos dezessete anos ela nunca apareceu. Isso está errado.
— Quero Jackson na minha sala, AGORA!
Grito com tanta força que tenho certeza de que Rose me ouviu da recepção. Eu sei, eu tenho telefone. Mas desde que fiz 35 anos estou mais sensível e muito mais irritado. Minha matilha está sofrendo com meu temperamento. Dupliquei as horas de trabalho e todos ao redor vivem estressados.
E a pressão...
Faz três anos que não temos um único nascimento. Eu sei o que sussurram pelas costas: que precisamos de uma Luna fértil, que traga o cio da matilha e os filhotes. Sem isso, os acasalamentos são vazios. A Luna é a força vital da nossa raça. E desde que me obrigaram a considerar uma “segunda opção”, eu só tenho sido... miserável.
Nem vou falar da minha vida s****l. Já faz anos que ela deixou de existir. Nada me satisfaz mais.
Droga.
Droga, droga, isso não pode estar acontecendo.
Pelo canto do olho, vejo a razão do meu tormento. E é um anjo. Mas me recuso a aceitar. Ela é uma criança. E para piorar tudo… humana.
Eu deveria ter encontrado minha companheira aos dezoito anos. Já passou tempo demais. E agora ela é tão mais jovem que eu… odeio isso.
— S… senhor… o senhor Lake estará com o senhor em um segundo.
Não digo nada. Quero explodir esse prédio inteiro.
Minutos depois, vejo meu melhor amigo entrar com um sorriso enorme e uma felicidade que escorre pelos olhos. Ele se aproxima da minha mesa e se senta à minha frente.
— Me chamou?
Ele ainda está distraído, enquanto eu só quero matar alguém. Estou hiperventilando. E ele? Feliz como se fosse Natal.
Mas então ele me olha, e seu rosto muda para um misto de surpresa e pavor.
— Nicolas, reage! — Amigo… você… encontrou? Siiiim? Nãããão? Quem é?! — Eu… eu não posso. É uma menina… — Não me diga que é a nova garota. — Respira, amigo. Ela é linda. — Eu não posso fazer isso. — Você vai… morrer. A doença lunar vai te destruir. Está vendo visões? É isso, Jax? — Amigo, preciso que você respire.
Ele tenta me acalmar, mas estou tendo um ataque de pânico. Só consigo pensar que não consigo respirar. Tudo está em jogo: minha matilha, minhas empresas, minha reputação. Tudo pelo capricho de uma Deusa c***l que só quer me ver sofrer.
— Nick… dá uma chance. — É UMA CRIANÇA! — Ela é inteligente. Pelo menos leia o currículo. Vai entender melhor a Deusa. — Quero ela longe. Vamos fingir que nunca aconteceu. — Alfa… isso é impossível. Agora que a encontrou, a ansiedade por marcá-la e a necessidade de tê-la perto vão te matar. — Eu vou suportar. — Nick… — Promete, Jax.
Preciso ouvir o juramento. Preciso do meu irmão, não do meu Beta agora.
— Isso é virar as costas para a matilha. — PROMETE. — Nick… — Preciso de você. — Tá bom. Eu prometo. — Cuida disso. Não a quero perto. — Vou ver o que posso fazer. Mas não prometo nada. — O quê? Por quê? — Contratei ela para o cargo de assistente da gerência… como você solicitou. — DEMITA. AGORA. — Não posso. Você deu sua palavra ao pai dela. Lembra? — Agora acho que todo mundo sabia, menos eu. Foi tudo arranjado para me zoar. — Calma, amigo. Não é tão grave assim. — JAX… — Nossa Luna é linda, inteligente, doce e muito sexy. — Jackson…
Que p***a ele está dizendo?
Quando olho nos olhos dele, algo em mim se remexe. É meu lobo. Ele quer saltar. Quer morder. Quer se impor. Jackson é meu irmão. Meu amigo. Ele nunca faria isso… faria?
— Nunca vi olhos tão puros e bonitos. — Jackson… o que está dizendo? — Nada, amigo. Você é um cara de sorte.
É aí que lembro: a única forma de garantir que ninguém se aproxime dela… é marcá-la. E eu não vou fazer isso.
Preciso de uma solução. Rápido.
— Preciso estudar todas as minhas possibilidades, Jackson. — Tudo bem. — Mas não prometo nada.
Sinto que estou sufocando com o cheiro dela. Nem a conheço… e já a odeio.
E ali, sufocado pelo cheiro dela e pelo peso da escolha impossível… percebi que meu maior inimigo agora era o próprio destino.
E que talvez… fosse tarde demais para fugir.