Calor Proibido

1287 Palavras
ABIGAIL Parece um sonho. Meu chefe direto é lindo e foi tão gentil comigo. Me ofereceram uma oportunidade — e é a única coisa que consigo lembrar com clareza desde que disse sim. Estou tão feliz que poderia sair pulando por aí... mas me contenho. Agora sou uma executiva. Vocês acreditam? Siiiiiiim! Estou sentada na cadeira da sala de RH, com o coração querendo saltar do peito. Essa é, sem dúvida, a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo. Mas tem algo estranho... me sinto quente demais. Meu corpo parece ferver. Bloqueio essa sensação — não é hora de pensar bobagens. É meu primeiro dia. Nada vai estragar isso. Ainda estou em choque por ter visto meu príncipe. Foi como um sonho se tornando realidade. É surreal que exista alguém igual ao homem que sempre apareceu nos meus sonhos. Já o amo... mesmo sem conhecê-lo. Aqueles olhos azuis me prenderam desde o primeiro instante. — Abigail? — Uhm? — Senhorita Abigail, está bem? — Sim… eu… desculpe, estava distraída. Idiota. — Estranho. Venha comigo, vou lhe entregar seu contrato e seus pertences. Ela não me suporta. Que novidade. — Excelente. Levanto e sigo a mulher do setor. Ela me olha como se eu fosse um saco de lixo ambulante. "Que simpática..." Mas, honestamente, já estou acostumada a olhares assim. Sempre me trataram como se eu tivesse lepra ou meu rosto fosse derreter a qualquer momento. Ignoro. Hoje, ninguém vai tirar de mim a alegria de ter conseguido esse trabalho. Ainda não acredito quando vejo meu crachá: Abigail Jonson – Assistente da Presidência. Mãe, espero que esteja orgulhosa de mim. Mesmo com medo, estou feliz. Essa será uma aventura. E só de estar perto do meu príncipe… meu coração se acalma. Ele parece saído de um sonho. Tenho a sensação de que já o vi em algum lugar, mas não consigo lembrar onde. […] Chego no espaço que me foi designado. Deixo minhas coisas e começo a arrumar o local. Parece que juntaram tralhas por anos aqui, mas vai ficar perfeito quando eu terminar. É pequeno, mas aconchegante. E eu adorei. Estou organizando os últimos papéis quando percebo uma das secretárias me olhando com cara de nojo da porta da sala. — O que você está fazendo? — Eu… hã… me disseram que essa era minha sala, então estou organizando tudo. — Sala? Que engraçadinha… Não entendi o comentário, mas deixo pra lá. Termino meu trabalho. Não estou aqui pra fazer amizades, pelo menos é o que Lili sempre me diz. Sou péssima com pessoas. Nunca entendi bem como ser amiga de alguém. Sempre fui a garota órfã que ninguém queria por perto. — Ei, menina. O senhor Lake está esperando por você. Não o faça esperar. — De acordo, já terminei. — Não me importa. Só faça o que mandam. Que mulher estranha. Primeiro simpática, depois c***l. Precisa de uma dose de doçura urgente. Ela gira nos saltos e desaparece. Pego meu estojo e uma caderneta rosa brilhante, caso precise fazer anotações. Sim, sou obcecada por organização colorida. Mania, desculpa. Me aproximo da porta, mas ouço uma discussão e espero antes de bater. Não quero interromper. Só que não consigo evitar escutar parte do que estão dizendo. O homem do outro lado está claramente irritado. Por que ele está tão bravo? Assim que o ouço, todo meu corpo estremece. O calor aumenta. Parece que tem fogo debaixo da minha pele. O que está acontecendo comigo hoje? Está tão quente assim aqui dentro? Preciso de água. Talvez esteja ficando resfriada... justo agora? — Você sente isso, Jackson? Acha mesmo que consigo resistir? — Vamos, Nick. Não é pra tanto. Além disso… ela é deliciosa. — O que você disse? — Só brincando, amigo. — Quero ela longe. AGORA. Preciso ser forte. Não posso ser aquela garota sobre quem estão falando. Pobre dela. Mas... espera. Ele se chama Nick. Meu príncipe dos sonhos tem um nome real. E está gritando atrás dessa porta. Tomo coragem e dou duas batidinhas. — Entre. Quando vou tocar a maçaneta, a porta se abre com tudo e uma mão enorme me empurra sem querer. Perco o equilíbrio e caio no chão, com vontade de chorar de dor. Tento me levantar com dignidade, mas a área onde ele me tocou — ombro e parte do b***o — está queimando. Como se uma brasa tivesse me marcado. E o calor… piora. — Você está bem, pequena? — Eu… não queria… desculpe, não sabia que o senhor sairia tão rápido. Foi sem querer. — Não se desculpe. Não foi sua culpa. Está tudo bem? Só consigo assentir. A dor é forte, mas não entendo o que está acontecendo. Jax me ajuda a levantar. Arrumo a roupa e tento parecer profissional. — Vamos, temos trabalho. Não se importa se trabalharmos na minha sala, né? — Oh, não. Faremos o que o senhor disser. — Abi, onde deixou suas coisas? — Meu bolso está na sala que me designaram. Já organizei tudo. — Sala? O que te disseram, Abi? — Uma das moças da recepção disse que seria meu lugar. Eu gostei, obrigada por pensar em mim. — Certo… vou averiguar depois. Vejo algo estranho em seu olhar, mas finjo não notar. Não quero parecer intrometida. — Bem, Abi, precisamos revisar esses papéis e organizá-los por prioridade. Vamos montar um calendário com pedidos, testes e prazos. Você entende de motores e peças? — É uma das minhas paixões. — Excelente. Este notebook é seu. Tem acesso a tudo que precisa. Se tiver dúvidas, só perguntar. — Claro. Coloco minha caderneta rosa sobre a mesa. Ele sorri e balança a cabeça como quem diz “essa menina...”. O resto do dia passa entre pedidos e planilhas. É tudo muito simples. Em pouco tempo, crio um sistema digital que evita a desorganização manual. Essa empresa precisa de tecnologia urgentemente. De vez em quando, Jax me observa. Cheira o ar discretamente. Parece estar em outro mundo. Talvez pensando em alguma namorada… é fofo. Eu… só consigo pensar em Nick. Mas toda vez que me perco em seus olhos, a dor em meu ombro esquerdo me lembra do toque dele. Está quente, pulsando. Não entendo, mas deixo pra lá. Preciso terminar meu trabalho. — Abi, hora de ir. Continuamos amanhã. Nem comemos. — Céus! Nem percebi o tempo passar. Já terminei. Precisa de mais alguma coisa? — Como assim terminou? — Já alimentei o sistema novo. Acho que vai facilitar muito o trabalho. Se quiser revisar e sugerir ajustes, tudo bem. Os documentos estão organizados. Só preciso saber onde arquivá-los. — Eu… não sei nem o que dizer. Você é rápida. Deixe-os nessas pastas. Amanhã mostro onde guardar. Vou levar seu computador para revisar o sistema. — Sem problema. Se quiser, posso enviar para seu celular. — Uau… tudo isso em um dia. Ele está impressionado. Mas juro, é das coisas mais simples que já fiz. — Você se surpreenderia, haha. — Vamos, vou te acompanhar até o táxi. — Eu… trouxe meu carro. Mas obrigada. — Então vou com você até a saída. Pego minhas coisas. Tudo arrumado. Pego minha bolsa e minhas chaves — com um pingente de mini caveira de lobo. Foi do meu pai. Meu amuleto da sorte. Caminhamos em silêncio até o estacionamento. Quando vejo meu bebê, meu rosto se ilumina. — Você dirige isso? É só um carro comum… — Sim. Eu mesma o modifiquei. — Pela Deusa… Abi, você é uma caixinha de surpresas. Ele me olha como se tivesse visto uma estrela cadente. É estranho, mas… gostei. Aceno e prometo vê-lo cedo amanhã. E ele fica parado, me observando partir. Parecia… surpreso. Ou talvez… um pouco assustado também.
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