Claire estava diante do espelho do banheiro, os dedos pousados na borda fria da pia como se precisassem de algo sólido para se ancorar. A água escorria em fios contínuos entre seus dedos, lavando o rosto, talvez tentando levar junto os pensamentos que não queriam partir. A noite anterior ainda vibrava dentro dela, não pela força dos gestos, mas pelo peso do silêncio que vieram depois. O olhar dele. O toque. A forma como a segurara contra si, como se, por um instante, ela fosse mais do que um papel — como se fosse sua, inteira, sem contrato, sem cláusulas. Ela apertou os olhos por um momento, como se pudesse esmagar a memória ali mesmo. Você está exagerando, Claire. Foi só mais uma noite. Mas não era verdade. Havia sido diferente. Algo novo. Um apego mais voraz, um ciúme disfarçado de

