“Existem várias outras maneiras de conseguir encontrá-lo e essa não é uma delas.” Falou o jovem de cabelos castanhos ao se levantar.
“Não é como se pudéssemos controlar os nossos corpos ou decidir como trilhar o futuro.” Falou o homem careca com um bufo. “Nem sequer sabemos onde ele mora ou onde ele está. Mesmo que por milagre ele tropece na frente do All Might não vamos ter sorte de falar com ele.” Ele esclareceu deixando claro os seus pensamentos.
“Nossa existência aqui e graças ao One For All. Os poucos resquícios que temos é o que nós fornecemos essa forma é este lugar. O senhor não pode simplesmente abdicar metade da sua existência aqui para ir atrás dele.” disse o de cabelo castanhos ao puxar seus cabelos para trás.
“Mesmo que você ‘saia’ nada garante que o senhor vai conseguir retornar ou até mesmo voltar para esse local. É muito arriscado perde-la. Você foi a última a chegar então é a que mais tem informações sobre a situação atual do mundo.” Disse o rapaz com as marcas negras no seu rosto.
“Se vamos chegar aos extremos, como esse… Não seria melhor mandar alguém da parede?” Perguntou o rapaz da gola alta. “Eles fariam menos falta e seria um sacrifício decente para compensar as coisas que fizeram quando vivos.”
“Não.” Falou a única mulher entre todos de forma bruta. “Yagi Toshinori é meu discípulo. Como a sua mestra eu devo tomar as responsabilidades por seus atos. A sua incompetência é apenas fruto da minha falta de responsabilidades sobre esse assunto. Então o mínimo que posso fazer e ir atrás daquele garoto. Além que.... Julgo que podemos fazer uma conexão.” Ela disse ao piscar para o de cabelos castanhos.
O silêncio que se formou com aquelas palavras era minimamente desconfortável para todos. Angustia, medo, desgosto e até mesmo afobação. Mas o sorriso que a mulher dava apenas inibia todas aquelas sensações e passava confiança para todos.
“Volte em segurança, Nana.” Disse o rapaz de cabelos castanhos;
“Não faça nada que eu não faria.” Disse o careca com um sorriso;
“Tome cuidado.” Disse o de gola alta.
“Estaremos a esperar seu retorno, Nana. Tome cuidado” disse o cara com a marca.
Sem perder o seu sorriso elegante a mulher encostou suas mãos contra a porta de pedra do local. Ela olhou uma última vez para trás antes de empurrar a porta para frente e atravessá-la em seguida.
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– O deku não veio hoje... – Resmungou Bakugou ao olhar para o assento vazio.
Com seus olhos fixados sobre a mesa de madeira, seu sorriso deixava tão claro seus pensamentos quantos as flores vermelhas deixadas naquele local. Para o Nerd ter faltado hoje isso só poderia significar que ele finalmente deixou de ser um inútil e tirou a própria vida.
– Ele finalmente deve ter se matado. – Disse o rapaz genérico de cabelos negros ao usar o ombro do loiro como encosto para seus cotovelos.
O jovem apenas soltou um bufo por seu nariz antes de empurrar aqueles cotovelos para longe de seu corpo. Revirando seus olhos ele apenas segurou sua mochila com mais forças antes de caminhar para fora do recinto.
Ele não sabia ao certo o do por que estava irritado hoje; Ele não tinha visto o Deku, não foi chamado por aquele apelido i*****l e infantil, mas mesmo assim a raiva o consumia, quase como se não tiver o Deku não fosse bom o suficiente.
Mas na realidade ele sabia que estava apenas irritado por não ter ninguém para descontar sua raiva. Ninguém para ele socar ou explodir ou ameaçar, então de certa forma, sem o Nerd hoje ele era obrigado a ser um cachorro comportado ao invés de sair causando briga.
Sem sombras de dúvidas o próximo encontro que ambos tiverem vai resultar em um braço quebrado de alguém e o som dos ossos de alguém se quebrando vai ser gravado em sua memória de uma forma tão simples e bela. Ah, ele não pode esperar.
– Senhor Bakugou, por favor, compareça a direção. – O som metálico do alto-falante ressoava pelos corredores.
– O que caralhos eles querem agora? – Latiu o mesmo ao se virar com brutalidade.
Ele fez questão de esbarrar nos dois rapazes que os acompanhavam, os jogando consequentemente contra o chão, e caminhava pisando duro rumo a direção. Os demais alunos que presavam por sua vida apenas se afastavam enquanto ainda podiam andar.
O mau humor de Bakugou apenas cessou quando ele chegou na Diretoria. Seus olhos vermelhos e enfurecidos se viraram para a secretaria que não era paga para lidar como alunos como esses e sem demorar muito ela apenas o deixou entrar na sala do Diretor.
– Quem é o palito de dentes ambulante? – Gritou o rapaz ao se referenciar ao ‘humano’ ao seu lado.
– Queira se sentar primeiro, Senhor Bakugou. – Falou o Diretor com um sorriso calmo em seu rosto. – Esse assunto de seu interesse.
– Tsc... – Com um rosnado quase bestial o jovem garoto se sentava na cadeira, cruzando seus braços enquanto sentia à vontade de urinar na sala para marcar seu território contra aquele loiro que estava lá.
– Deixe-me apresentar, Senhor Bakugou. – Falou o apelidado palito de Dentes ambulante. – Eu sou o secretario do All Might. Ele lhe assistiu lutar contra o vilão de barro ontem e ficou incrivelmente admirado, portanto, ele está lhe recomendando para a Academia U.A. Portanto, como ele está lhe dando este voto de confiança ele gostaria de ter uma conversa com você antes. Quanto antes melhor. – Ele disse com um sorriso.
– Talvez esse saco de ossos realmente esteja vivo. – Disse o garoto ao sorrir. Ele se inclinava para frente. – Você está falando sério? Realmente o ALL MIGHT me assistiu lutar?
– Sim, sim. Ele vê um incrível potencial vindo de você, Jovem. – Falou o mesmo ao entregar um cartão. – Me ligue quando estiver disponível para vê-lo. – Concluiu antes de se curvar. – Se me derem licença.
Olhando o papel ao sentir o próprio ego subindo lentamente por sua cabeça e chegando ao seu máximo o garoto de cabelos loiros apenas dava um grande sorriso, um grande e gigantesco sorriso.
Se Deku estivesse vivo ele realmente estaria com ciúmes dele conhecer All Might. Mas gente inútil não pode ter esse direito. Quem sabe na sua próxima vida ele não consiga algo assim, tão grandioso quanto o loiro.
– Espero que você não envergonha a escola e tenha uma boa sorte no teste de admissão. – Disse o Diretor com um sorriso. – Para termos certeza que você será aceito todo seu histórico está sendo limpo. Você é um aluno exemplar, Katsuki Bakugou. Espero que continue assim na Academia U.A. – Ele sorria enquanto falava.
– f**a-se. – Latiu o mesmo ao se levantar. – Não preciso da sua ajuda velho de m***a. – Concluiu ao bater à porta da sala ao se retirar.
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– Izuku, querido... – Disse a mulher ao parar em frente a porta. –... Eu não sei o que aconteceu ontem.... Eu não sei o que fazer.... Mas eu estou aqui... – Ela murmurou baixinho ao acender a luz do lugar.
Entrando sobre o quarto ela via a pequena pilha de cobertas se encolhendo mais. O prato de comida e de água deixado na cabeceira nem sequer havia sido tocado. Era obvio que seu precioso filho não estava bem.
Com um pouco de receio ela se sentou sobre a beirada da cama, ela tentou levar seus dedos contra os cabelos de seu filho que m*l apareciam no meio de todas as cobertas e acariciou o que achou que poderia ser.
“Eu não vou te forçar a falar nada.... Mas saiba que eu estou aqui para quando você estiver pronto.” Disse melancólica antes de se erguer. “Leve o tempo que precisar para melhorar, querido. Mas, por favor, tente comer algo. Você é importante para mim.” Com o termino de suas palavras ela recolheu o prato intocado.
– Obrigado... – Sussurrou o garoto ao se encolher mais.
O som dos passos lentamente foram se abaixando, as luzes se apagaram novamente é somente com o som da porta se fechando o pequeno garoto tirou seu rosto do meio das cobertas.
Seus cabelos estavam totalmente bagunçados, seus olhos estavam inchados é bem avermelhado, haviam olheiras embaixo deles sinalizando que o garoto m*l havia conseguido pegar no sono. Seu rosto estava pálido, talvez pela falta de apetite é seu nariz estava entupido é por mais que ele soasse o catarro não saia. Deprimente era a escolha de palavras perfeita para lhe descrever nesse momento.
Ele sabia; Ele sabia que não podia ser um herói. Ele sabia disso desde o início, todos sempre lhe falavam isso.... Todos sempre lhe admitiam isso.... Sempre foi esfregado em sua cara, mas mesmo assim doía aceitar esse fato.
Sua vida inteira foi ele querendo ser um herói.... Tudo nela foi baseada nisso. É somente de ver o rosto do herói que ele mais admirou já lhe dava enjoou e seu peito se prensava e até mesmo respirar era difícil. Viver em seu quarto estava sendo difícil.... Era um santuário para ele.
Izuku sabia que não tinha forças suficiente para se m***r. Ele sabia que jamais poderia ser um herói sem uma individualidade. É muito menos um vilão...
Ele se sentou sobre a cama, encostando suas costas na parede enquanto puxava seus joelhos contra seu peito, abraçando com sutileza suas pernas ao fungar novamente seu nariz. Ele tocou com a testa a ponta de seus joelhos antes de se abraçar naquela posição de bola.
Ele não era forte.... Ele não tinha poder.... Ele nem sequer poderia ser chamado de vilão. Nem sequer uma motivação ele tinha.
Seus cadernos já não faziam mais sentidos para ter. Seus manuais de como usar uma individualidade, como melhorar.... Simplesmente perderam o sentido.
Talvez ele pudesse ser um vigilante.... Pelo menos se ele morresse de forma patética não seria de suicídio.... Mas sim por causa de um vilão.... Mas mesmo assim ele era inútil demais para isso.... Então qual a razão de viver? Nenhuma!
Morrer afogado.... Ele não conseguiria.... Seria algo tão agoniante quando morrer queimado, ele imagina.
Cortar os pulsos? r**m demais.... Além da dor da facada.... Ele queria algo indolor....
É mesmo sabendo que não seria capaz de tirar sua vida.... Esses pensamentos continuavam a tomar conta de sua cabeça.... Era patético demais para ele.... Patético demais para ele viver é inútil demais para ele se m***r.
Irônico.... Seu apelido nunca fez tanto jus como agora. Será que se ele morresse alguém sentiria sua falta? Além de sua mãe alguém se importa com ele?
Kacchan.... Kacchan poderia sentir sua falta.... Ele era seu único amigo desde que toda essa m***a havia começado. Mas por algum motivo a dor que ele sentia em seu peito latejava e doía mais ao pensar nesse nome.
Kacchan realmente era seu amigo? Amigos batem em amigos? Amigos abusam de sua amizade? Talvez.... Ele nunca teve amizade com outra pessoa então isso seja normal.... Sim! Kacchan sentiria sua falta também! Ele não poderia simplesmente se m***r.
Mas então.... Por que ele deveria viver? Qual a razão de sua vida se até mesmo seu sonho foi quebrado e despedaçado. Qual o sentido de viver com essa dor que o consumia de forma ardente.... Qual o sentindo de viver em um quarto onde existe apenas o rosto da pessoa que o quebrou.... Nenhum...
Talvez ele devesse apenas ir para um lar de crianças peculiares é viver lá até sua morte? Ser como alguém insignificante em sua vida? Talvez.... Sua mãe teria menos dor de cabeça com essa escolha.
As lágrimas brotavam novamente no rosto do garoto, escorrendo e manchando sua pele e as cobertas que ele usava. Por que isso tinha que acontecer com ele? Por que tudo isso tinha que ser com ele? Ele não poderia ser tão azarado em sua vida para chegar nesse ponto, correto?
Quem ele quer enganar.... Ela nunca teve sorte e nem sequer consegue se lembrar, nesse ponto, da última vez que realmente sorriu para alguém além para seu vício de heróis, que agora não fazia mais sentido.
“Você quer um propósito?” Falou a voz de uma mulher desconhecida. “Uma razão para viver? Uma vontade para lutar e se levantar diariamente da cama? Eu posso-lhe dar isso. Eu posso-lhe dar tudo isso… Basta você dizer: Sim.”