🥀 Capítulo 19🥀

1954 Palavras
Cael Sterling. Um sorriso lento e predatório surge nos meus lábios quando vejo o status da mensagem mudar no visor: Entregue. Visualizada.O silêncio que emana daquele prédio medíocre é ensurdecedor, mas é o tipo de silêncio que precede o impacto de uma granada. Os gritos ainda não começaram, o que me permite presumir que Hannah Brooks está, neste exato momento, processando o choque térmico entre a traição que vê com os próprios olhos e a tábua de salvação que depositei em suas mãos. Eu sei, no fundo da minha consciência pouco habitada, que não deveria me meter. A vida pessoal dela, seus dramas domésticos e suas escolhas amorosas desastrosas não me dizem respeito. Mas se estilhaçar o que resta daquele "atraso de vida" que ela chama de noivo for o movimento necessário para que ela carimbe aquele contrato e aceite minha proposta, então eu farei isso sem um pingo de remorso. Sejamos sinceros: ninguém merece ser traído daquela forma, especialmente quando a facada vem de dentro da própria árvore genealógica. Foi o meu investigador quem desenterrou a sujeira; o infeliz está se envolvendo com a própria cunhada há quase dois meses, usando o próprio apartamento como cenário para sua depravação. Só quem já sentiu o gosto amargo de uma deslealdade semelhante sabe o peso e a agonia que isso causa. É um tipo de dor que paralisa, mas que, para as almas certas, serve como um catalisador violento. Às vezes, você precisa que seu chão seja arrancado para perceber que estava pisando em areia movediça. Eu realmente espero que esse choque de realidade a empurre para longe daquela mediocridade e a faça buscar algo melhor. Algo que, por conveniência, eu estou oferecendo. Pego o celular, os dedos deslizando com familiaridade até o contato de David, meu advogado de confiança e amigo de longa data. A chamada toca três vezes, o tom persistente ecoando no interior luxuoso do carro, antes de ser atendida. - Fala, irmão - a voz de David surge do outro lado, tingida por uma nota de surpresa. - São quase dez da noite. Você não costuma ligar a essas horas a menos que a bolsa tenha quebrado ou alguém tenha morrido. Aconteceu algo? - Preciso dos seus serviços, meu amigo - respondo. Minha voz é controlada, profissional, mas há um leve toque de satisfação nela que não consigo ocultar. Apoio o braço na janela, observando a fachada iluminada do prédio onde a tempestade está prestes a desabar. - Preciso que você fique de prontidão - continuo, o tom agora mais sombrio. - Talvez você tenha que tirar alguém da cadeia para mim ainda esta noite... 》☆☆☆☆《 Hannah Brooks. A mensagem de Cael é tudo o que eu precisava — o estalo frio, preciso, que empurra qualquer resquício de histeria para um canto escuro da minha mente. Meu lado racional assume o controle como um general entrando em campo de batalha. Sem pressa, sem tremor. Apenas propósito. Abro a câmera do celular enquanto caminho em direção à porta entreaberta, cada passo medido, cada respiração pesada demais para caber no peito. Posiciono o aparelho na fresta, ajustando o ângulo com um cuidado quase clínico, até ter a visão perfeita. E lá estão eles. Amelie. Minha irmã. Aquela v***a desgraçada. Comparando nossos corpos com um sorriso venenoso nos lábios enquanto Ryan a fodia como se fosse a coisa mais natural do mundo. Meu mundo não quebra — ele apodrece. A cena é repugnante, grotesca, suja de um jeito que faz meu estômago revirar violentamente, como se meu próprio corpo rejeitasse aquilo. Ainda assim, eu não desvio o olhar. Não. Eu registro. Cada segundo. Cada gemido. Cada maldita expressão. Fotos. Vídeos. Provas. Porque se eles queriam fazer disso um espetáculo, então eu faria questão de dar uma plateia. Recuo para a sala com a mesma calma assustadora, como se não tivesse acabado de assistir minha vida ser rasgada ao meio. Pego minha cópia da chave e calmamente tranco a porta da frente, para evitar que um dos dois tente fugir. Por quê, sejamos sinceros, qual seria a graça da situação se eu apenas me vinga-se de um e deixasse o outro sair ileso ? Guardo a chave no bolso da calça, e volto para o meu celular com toda a calma do mundo. Sem hesitar, abro as redes sociais de Ryan — todas conectadas ao meu celular, ironicamente por escolha dele. Que conveniente. Posto tudo. Sem filtro. Sem censura. Sem misericórdia. A legenda é simples, direta, uma sentença: “Casamento cancelado.” E não paro por aí. Entro nos grupos do bairro, no grupo da família dele, no da minha família estendida… qualquer lugar onde o nome dele tenha algum peso. Onde a reputação dele respire. E então eu asfixio tudo isso com imagens e vídeos que vão grudar nele como uma praga. Não penso nas consequências. Não penso no caos. Eu quero o caos. O celular começa a vibrar quase imediatamente, uma avalanche de notificações explodindo na palma da minha mão. Mensagens. Ligações. Reações. O circo pegando fogo — exatamente como deveria ser. Mas eu não olho. Bloqueio a tela, enfio o celular no bolso da calça e deixo o silêncio da sala tomar conta. Meus olhos vagam pelo espaço bagunçado, absorvendo cada detalhe: roupas jogadas, almofadas no chão, sinais claros de que eles começaram aquela m***a ali mesmo, sem nem o mínimo de decência. Animais. É quando eu vejo. O taco de beisebol no canto da sala. Ryan sempre foi obcecado por aquela m***a. Um taco autografado, tratado como uma relíquia sagrada, exibido com orgulho irritante para qualquer um que cruzasse a porta desse apartamento. Um símbolo do ego inflado dele. Sem pensar duas vezes, eu pego o objeto. O peso encaixa perfeitamente nas minhas mãos. Firme. Sólido. Promissor. Testo o movimento no ar, sentindo o equilíbrio, a força que ele carrega. E então, sem aviso, eu giro o corpo e acerto. A TV na parede explode com o impacto. O som é alto, estilhaçando o silêncio como um trovão. Eu bato de novo. E de novo. E de novo. Cada golpe carregado de uma fúria que eu nem sabia que cabia dentro de mim. Plástico, vidro, metal — tudo cedendo sob a força bruta. Respiro fundo. Mas não é suficiente. Nunca é. O videogame no móvel abaixo é o próximo. Arranco os cabos sem cuidado, puxando com violência, e arremesso o aparelho do outro lado da sala. Ele se espatifa contra a parede, quebrando em pedaços. E, por um segundo, aquilo… aquilo é satisfatório. Mais do que deveria. A mesa de centro de vidro não dura nem um segundo. Um único golpe e ela se parte, estilhaçando no chão como se fosse feita de nada. Eu lembro vagamente de ter sido eu quem comprou aquela mesa. Mas isso não importa mais. Com o taco em mãos eu saio quebrando tudo, porta retrato, vazos decorativos que ele havia ganhado dos pais. Os vidros da janela da sala, e sinto uma leve satisfação quando das janelas explode com o impacto enquanto os estilhaços se espalham no chão. Eu sinto a brisa fria da noite invadir o comodo, e também minha pele sendo levemente cortadas pelos cacos de vidro. Mas isso nem vem ao caso agora. Respiro fundo ainda sentindo a raiva pulsando dentro de mim, aquilo foi apenas o começo. Seguro o taco com mais força, os nós dos meus dedos embranquecendo, e caminho até o quarto. Empurro a porta com tanta força que ela bate na parede com um estrondo seco, ecoando pelo ambiente. Paro na porta, sentindo uma satisfação quase doentia pela cena que se desenrolava a minha frente. Ryan está em pânico. Tropeçando nos próprios pés, tentando vestir a cueca às pressas, tropeçando se embolando nos movimentos, completamente patético. A imagem do homem que eu ia casar se desfaz diante dos meus olhos — não sobra nada além de um i****a desesperado. — Hannah… amor, não é o que você imagina… eu posso explicar… A voz dele falha, trêmula, inútil. — Claro que sim querido. — respondo com sarcasmo, observando aquela cena patética a minha frente. Reviro os olhos, sem um pingo de paciência para aquela encenação ridícula. Desvio os olhos em direção a cama, onde aquele desperdício de DNA ainda estava. Amelie permanece deitada na cama, enrolada nos lençóis, com um sorriso desafiador nos lábios — como se tivesse acabado de ganhar algum tipo de prêmio nojento. Como se aquilo fosse uma vitória. — Hannah... irmã, isso é um m*l entendido. O Ryan e eu... nós dois... você precisa entender que... Ergo a mão, impedindo que ela continue falando, um riso de escárnio surge em meios lábios. — Eu me resolvo com você depois, maninha — respondo com uma frieza que gela o ar do quarto. Dou uma piscadela lenta antes de voltar toda a minha atenção para o desgraçado à minha frente. ​Ryan percebe. Ele nota o ódio refletido nos meus olhos no instante em que o encaro. Ele desiste de tentar se vestir provavelmente percebendo que não faria diferença alguma. Ele ergue as mãos em um sinal de rendição ridículo, recuando até as costas baterem na parede, como se aquele gesto pudesse me deter. ​— Hannah... amor, se acalma... pensa no que você vai fazer... ​Eu não o deixo terminar a frase. Não há mais espaço para palavras. ​Com toda a frieza do mundo, rotaciono o corpo e balanço o taco de beisebol com a força de um home run. O impacto atinge em cheio a lateral do corpo dele. — HAAAAAAAA. — O grito de dor que escapa da garganta de Ryan é agudo, dilacerante, ecoando pelas paredes finas do prédio. ​O baque seco dele desabando no chão é acompanhado por um som nítido, um estalo oco de osso cedendo sob a madeira. Ele se contorce aos meus pés, levando as mãos a lateral do corpo na altura das costelas o taco o atingiu. — VOCÊ ENLOUQUECEU! — a voz de Amelie rasga o quarto em um grito desesperado, agudo o suficiente para vibrar nas paredes. Ela finalmente se levanta, tropeçando nos próprios movimentos, o desespero escorrendo por cada gesto descontrolado. — VOCÊ É DOENTE, HANNAH! NÃO PRECISAVA DISSO, SUA— — Cala a p***a da boca, que eu ainda não terminei. — corto, com uma calma que me surpreende. Fria. Precisa. Mortal. É estranho o quanto minha voz não treme. Volto minha atenção para Ryan como se Amelie sequer estivesse ali. Ele se contorce no chão, a respiração curta, irregular, gemendo de dor enquanto mantém a mão pressionada contra a lateral do corpo. O desespero nos olhos dele é quase… satisfatório. Eu me abaixo ao lado dele, apoiando o taco de beisebol no chão, observando cada contração, cada tentativa falha de recuperar o controle. Ele me encara como se não me reconhecesse. E talvez não reconheça mesmo. — Eu te dei três anos da minha vida, Ryan… — começo, a voz carregada de um cinismo tão ácido que quase queima minha língua. — Três anos. Eu realmente achei que a gente fosse casar, construir uma família… acredita nisso? Inclino levemente a cabeça, analisando a expressão dele como se fosse um experimento fracassado. — E pensar que, enquanto eu planejava um futuro com você, você estava por aí fodendo a minha irmã… — solto uma risada curta, sem humor algum. — Que ironia do c*****o, não acha? — Hannah… — ele tenta, a voz falhando, presa entre a dor e o pânico. — Eu… não… — Shii… — interrompo, levando o dedo aos lábios em um gesto quase carinhoso, completamente deslocado. — Não se esforça muito, amor. Eu ainda não terminei com você. Sorrio. E não é um sorriso bonito.
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