~~CAPÍTULO 4~~
KATRERINE
isei fundo o chão branco da maldita mansão que moro, em um mês eu estava arrependida de ter me casado, de ter vindo morar aqui, de estar longe dos meus pais e todos que amo.
Subi os degraus das escadas atravessando o corredor até meu quarto e mundo particular.
— Menina Katherine, tudo bem?
Mona entrou no quarto carregando em suas mãos uma bandeja de lanche, abro meu laptop e digito uma mensagem para minha querida mama. Fecho o laptop e dou duas sacudidas na cama para Mona sentar ao meu lado.
— Alguém tentou me matar.
Murmurei para ela cautelosamente tentando digerir o que estou para dizer em seguida.
— Pablo me salvou e o clima ficou muito estranho entre nós.
Seu rosto ficou pálido, não sei por qual dos motivos que mencionei, olhei em volta das paredes me certificando que não há nenhuma câmera de segurança em torno do meu quarto. Não, paranoicas. Eu coloquei uma escuta e câmera no escritório do meu marido, ele não tem cérebro suficiente para fazer isso comigo. Caminhei até a varanda, ninguém está o sinal de alguém por perto.
— Menina Katherine, já pensou nas consequências? Ele pode ser o chefe da máfia, mas ficar com você, praticamente sozinhos, seu marido pode iniciar uma guerra por essa afronta.
— Aquele frouxo não vai começar uma guerra.
Murmurei em tom baixo, mas exaltada, caminhei até a porta e abro bruscamente, ninguém está nos ouvindo.
— Porque está paranoica com medo que alguém possa nos ouvir?
Parei.
Porque estou com medo e com o coração aflito? Meus batimentos frenéticos aumentaram mais e mais.
— Pablo.
Eu disse em resposta.
— Não me olha assim menina Katherine.
— Mona, é para você me ajudar.
Revirei os olhos. Ela balançou seus ombros piorando meu nervosismo.
— Não. Você me cheira problemas, porque não sai uns dias de férias?
— Fugir?
— Senhor Pablo é um predador, se ele colocou os olhos em você, menina, são problemas, um atrás do outro.
— Ele não fará nada comigo.
— Esse é o problema.
Essa foi a minha vez de encolher os ombros, ficamos em silêncio distorcido, andando um lado ao outro. Eu não tenho como me livrar do Pablo.
— Não. Eu não vou fugir.
— Aposto que ele gosta dessa teimosia.
Quando eu ia abrir a boca para respostar, ouço passos no corredor, faço um sinal para Mona calar a boca e corro para mesinha do centro e me sento na poltrona, seguro uma fatia de bolo e coloco na boca. Duas batidas são ouvidas em seguida meu marido entra falando ao telefone.
— Queria. Jantaremos hoje à noite em Motebelo com alguns parceiros, fique mais linda.
Ele voltou ao telefone.
Parceiros? Máfia faz parceiros?
Confusa com a conversa espontânea do meu marido, olhei no relógio, já são 18horas. Suspirando, vi Mona abrir meu closet e procurar por vestido para o grande jantar da noite.
Montebelo é um dos restaurantes mais caros, bonitos e elitistas de Nova Iorque, localizado bem no coração da cidade. Também é frequentado pelas famílias da máfia. Exibia classe e sabor em todas as paredes, o interior foi projetado em vários tons de vermelho, luzes amarelas suaves, criando um ambiente íntimo e sombrio.
Todo o ambiente, a clientela, tudo. Alguém poderia pensar que pessoas com muito vermelho em suas vidas evitariam essa cor. Em vez disso, eles pareciam se deliciar.
Eu odiava isso. Eu odiava a maneira como os homens com quem seu marido fazia negócios às vezes me olhavam de cima a baixo como se eu fosse um manequim em exibição. Eu odiava como era esperado que eu fique em silêncio e apenas aparentasse estar bem sem uma opinião, quando eu tenho mais QI do que a mesa inteira junta. E eu odiava como meu marido não se abalava por nada.
Havia apenas uma graça salvadora.
Eu não sorria se não estivesse com vontade, e felizmente isso era algo que meu marido nunca me obrigou a fazer. Na maioria das vezes, eu apenas ficava lá ouvindo os homens falarem e fazia uma careta.
Às vezes, eu jogava no telefone. Outras vezes, eu apenas olhava pela janela, assistindo casais rindo passearem de mãos dadas, observando famílias felizes sem muito além um do outro.
E embora seus companheiros de mesa tivessem comentado sobre meu comportamento anteriormente, meu marido nunca prestou atenção em mim. Era um entendimento simples entre eles. Eu vinha ao referido restaurante em meu próprio carro, sentava e comia em silêncio, brincava de esposa obediente e saía no meu próprio carro. Ele nunca se importou com isso, apenas eu sou a esposa troféu para exibir para seus homens, cada vez mais desconhecidos.
Sentada à mesa regular deles de seis lugares, fechei os olhos, ouvindo as nuvens estrondosas e a multidão murmurante. O céu ameaçava chover ao longo do dia, mas nunca ultrapassou o limiar desde a tarde. O vento frio lá fora chamou por mim. Em vez disso, eu estava presa por dentro com o ar condicionado frio que causava arrepios nos braços nus.
Cheguei meia hora atrás, em meu vestido azul simples e sem mangas, que caía em meus joelhos em ondas da cintura e abraçava o tronco, as tiras nos ombros mostram metade das costas e apenas dá uma sugestão dos s***s, com o par favorito de salto alto nude.
A multidão no restaurante estava zumbindo e seus companheiros de jantar continuavam conversando sobre algum novo empreendimento marítimo. Suspirando, eu olhei em volta para o restaurante, para os garçons agitados e a multidão tagarelando, deixando meus olhos percorrerem por eles, deixando minha mente vagar também.
E, de repente, eu me sentei ereta.
Dante Romano sentou-se a algumas mesas com dois outros homens que eu não reconheci, mas tinha certeza de que eram seus seguranças, absorvido em qualquer conversa que estivesse tendo.
Desviei o olhar rapidamente, as sobrancelhas franzindo. E então meu sangue correu, a lembrança de fortes olhos azuis me invadindo.
Meu estômago afundou.
Discretamente, me desculpei da mesa, acenando para os companheiros e me levantei. Meu marido colocou os olhos escuros em me brevemente, antes de voltar para os companheiros.
Evitando o máximo de atenção possível, eu olhei silenciosamente para a mesa Romano, aliviada ao perceber que Dante Romano não havia me visto. Ou, se viu, não dava nenhuma indicação. Os companheiros de jantar também não. Nenhum dos quais eram homens de olhos azuis com uma propensão para me prender através de superfícies planas.
Silenciosamente, estreitando os olhos, eu me escondi atrás de uma alcova escura com vista para todo o restaurante e ficou nas sombras, deixando seus olhos vagarem pelo lugar e, mais importante, pelas pessoas.
Lugar algum.
Ele não estava em lugar nenhum.
Uma expiração alta me deixou quando meu corpo tenso relaxou.
E então, meu coração parou.
Ele estava lá. Ali.
Andando, não passeando, em direção à mesa como se ele fosse o dono do restaurante, como se fosse dono de cada grama de ar naquela sala, como se ele ordenasse o que quisesse. Uma pequena parte de me não pôde deixar de admirar aquela graça letal e poderosa. A maior parte dela não pôde deixar de empurrar suas defesas em alerta.
Ele viu, ao lado de Dante.
E seus olhos chegaram até me como se ele soubesse exatamente onde eu estava escondida na alcova o tempo todo.
Eu não desviei o olhar.
Não dessa vez.
Eu não estava intimidada. Não pelo foco total daquela intensidade direcionada para mim, não pela maneira como meu coração batia tão alto que eu tinha certeza de que todos podiam ouvir, não pela maneira como Dante e os outros dois homens seguiram seu olhar e me olharam. Eu não os olhei de relance, não deixei de encarar, sem recuar, sem querer admitir a derrota. Eu nem pisquei.
Endireitando a coluna, mantendo os olhares bloqueados, eu caminhei silenciosamente de volta para a mesa, ciente da maneira como os olhos dele a seguravam e os meus nos dele a cada passo, ciente da maneira como meu sangue pulsava em seus ouvidos. Os sons do restaurante escureceram em nada além de um zumbido distante quando ele se recostou na cadeira como se tivesse o direito de olhar para mim, muito menos encarar.
Foi uma invasão.
Eu revidei em espécie, sentando-me.
Eu podia sentir as mãos dele mantendo-me cativa naquele olhar. Eu podia sentir o corpo duro dele pressionando o meu naquele olhar. Eu podia sentir a frieza de suas ameaças deliberadas naquele olhar.
O meu peito quase arfava. Eu controlei.
Uma gota de suor percorreu na minha espinha, esfriando o ar frio e fazendo um pequeno arrepio percorrer no meu corpo. Um arrepio que, aparentemente, ele detectou a três mesas abaixo, porque enquanto eu tremia, meus olhos brilharam com algo, algo que eu não podia colocar em palavras, algo que não era triunfo, algo que não estava exultante. Eu nunca vi algo que fosse dirigido diretamente a me antes com essa intensidade.
De repente, eu senti profundamente a presença de meu marido e de seus companheiros de jantar, percebendo subitamente que um movimento errado em qualquer uma das partes e o caos poderia pintar Montebelo de vermelho.
— Katherine.
Separada de meus pensamentos, eu me virei para ver Francesco em pé com o resto da mesa, esperando para sair. Corando levemente, eu me levantei, acenando um adeus para as pessoas das quais provavelmente nem me lembraria dos rostos, consciente do olhar intenso que me perfurava. Um dos companheiros de jantar, um homem com quase trinta e poucos anos pela aparência dele, pegou a minha mão e deu um beijo nas juntas dos dedos, bloqueando seus agradáveis olhos azuis nos dela.
— Foi um prazer conhece-la.
Okay, certo. Eu duvidava que ele soubesse meu nome.
Eu apenas assenti, puxando a mão para trás, reprimindo o desejo de limpar no vestido e me virou para meu marido.
— Vejo você em casa em alguns minutos. Seu guarda a seguirá.
Assentindo, ele acompanhou seus companheiros para fora, sua equipe de segurança seguindo-o, apenas um deles permanecendo para trás para me seguir, enquanto eu estava no mesmo local, respirando fundo, aquele olhar nunca me deixando o tempo todo. A verdade pesava sobre mim.
Balançando a cabeça, eu me virei, meus olhos trancando novamente com os intensos azuis, logo antes de pegar minha bolsa e seguir para a entrada dos fundos.
Com mais alguns acenos, eu alcancei a entrada dos fundos e sai para o beco atrás do restaurante, pronta para levar o atalho para o carro estacionado.
No momento em que entro no beco com o homem do meu marido nos calcanhares, um trovão cortou o céu. Apressando-me nos saltos quando eles clicaram na calçada, eu estava quase no fim do beco escuro quando outro conjunto de passos se juntou aos que me seguiam.
Parando, eu me virei e vi Pablo Romano caminhando em minha direção propositalmente, seu corpo enorme vestido casualmente em uma jaqueta de couro marrom e jeans escuros. Seus passos longos e seguros foram direcionados para mim. Eu fiquei quieta mesmo quando uma pequena parte de me pediu para correr. Eu reprimi, mantendo-me firme, observando-o quando ele parou a alguns metros de distância, assim como o homem de seu marido apontou uma arma para ele.
— Dê um passo para trás, ou eu atiro em você.
Pablo Romano levantou uma sobrancelha para ele, nem mesmo poupando a arma apontada para seu coração. Quase casualmente, ele agarrou o pulso de meu guarda. E então, em um movimento que quase derrubou meu queixo, ele torceu o pulso, aplicando pressão e dobrando-o para trás, fazendo o homem cair de joelhos com um grito agudo, a arma agora apontada para ele, como ele apontou suas próprias facas para me naquela primeira noite, as mesas viraram.
Tudo sem piscar para longe do meu.
Mensagem enviada.
Enroscou os dedos nas palmas das mãos, desejando que meu coração se acalmasse, quando outra percepção ocorreu, observando-o tirar a arma das mãos do homem. Eu estava desarmada. p***a.
Com o coração batendo forte, eu mantive os olhos cuidadosamente nele, esperando para ver o que ele faria, a escuridão no beco projetando sombras sobre metade de seu corpo, fazendo-o parecer ainda mais letal.
Pablo pegou a arma do homem de seu Francesco, descarregou-a e deu um soco na cara, nocauteando-o. Impressionante. Se eu não soubesse melhor, teria o chamado de exibido. Mas eu sabia melhor. Observando a facilidade com que ele fez tudo isso, de repente, percebi o quão fácil seria para ele matar-me a qualquer momento. E esse não era um conhecimento que eu gostava de ter.
Cruzei os braços sobre o peito, avaliando-o silenciosamente, sem vontade de interromper o contato visual, ou o silêncio primeiro.
Ele parecia estar na mesma página.
Suas ações me confundiram, assim como ele fez. Eu sabia que não havia amor perdido entre nós, e sabia que nós nos veríamos no fundo do oceano assim que pudéssemos.
Eu só não sabia o que ele queria até agora, seguindo-me como tem feito e eliminando meus guardas de proteção como ele fez, mas, com certeza que não era apenas para me ver através de um metro e meio de espaço, com uma tempestade chegando. E eu, com certeza, não ficaria por aqui. Dirigir na chuva era uma merda.
Suspirando, eu me virei para o carro, apenas para parar de andar, vendo o beco bloqueado por Dante e os outros dois homens, afastados o suficiente para não me ouvir, mas perto o suficiente para não me deixar escapar. Um frisson de medo percorreu meu corpo antes que eu o apertasse.
— Eu não sabia que seu marido atirava você para seus amigos, Srta. Ricci.
Pablo disse calmamente atrás de mim.
Senti o medo ser substituído lentamente pela fúria apenas com o som da voz dele, a mesma voz que tentara assustar-me hoje, a mesma voz que recitava assassinato em minha pele pela primeira vez. A fúria aumentou com as palavras dele, mas controlei. Eu me virei para encará-lo, mantendo a voz calma.
— Por que a formalidade, especialmente com o tipo de liberdade que você toma?
Eu falei em tom de conversa.
Seus olhos se estreitaram um pouco, seu rosto permanecendo limpo de qualquer expressão contrária.
— Eu não tomei nenhuma liberdade.
Ele respondeu no mesmo tom de conversa que usei.
— Ainda.
Um raio dividiu o céu, iluminando todo o beco em uma luz forte para os meus olhos, mostrando-lhe o homem diante de mim.
Eu o estudei por um segundo, desejando permanecer calma e objetiva. Pablo Romano tinha algo. Eu seria condenada se não conseguisse descobrir.
Dei um passo em sua direção, quase em seu espaço pessoal, a diferença de altura em desvantagem. Mesmo em meus saltos, eu m*l alcancei o queixo dele. Eu inclinei a cabeça para trás para manter os olhos juntos, o coração batendo forte no peito, observando-o atentamente para qualquer reação. Não havia nenhuma.
— Eu me pergunto.
Sorri deliberadamente para ele, meu corpo queimando de raiva.
— Isso deveria me intimidar?
E isso me deu uma reação. Uma sobrancelha levantada. Olhos azuis que perfuraram os meus.
— Você é estúpida se isso não acontecer.
Eu zombei disso.
— Sou muitas coisas, Sr. Romano, mas não sou i****a. É exatamente por isso que sei que suas ameaças não significam nada.
Seus olhos, de repente, queimaram do mesmo modo indefinível que eu vi no restaurante, a cabeça inclinada para o lado. Ele ficou em silêncio, esperando.
Dei outro passo mais perto, sem saber de onde vinha a bravata de provocá-lo, sem me importar, apenas precisando. Seu pescoço torceu mesmo com os saltos, mas eu não desviei o olhar dele.
— Ah, sim.
Eu falei suavemente, inclinando-me para mais perto, com o queixo quase tocando o peito dele.
— Você honestamente pensou que toda aquela coisa de 'Não invada meu território' no carro me assustou? Nem um pouco. Isso só me irritou.
Ele não pronunciou uma palavra, não moveu um músculo. Ele apenas olhou para mim, com aqueles olhos, e seu coração disparou enquanto eu prosseguia.
— Por que você não acaba logo com isso?
Eu desafiei, chamando seu blefe, meu olhar direto nele.
— Há uma parede ali mesmo. Há até um carro. Prenda-me e 'invada meu território'. Ou se você me odeia como diz, machuque-me. Mate-me. Por que não?
Senti o corpo tremer ao final de meu discurso enquanto ele permanecia imóvel, os olhares bloqueados, os corpos quase se tocando. Por longos momentos, ele apenas olhou para me com aqueles olhos gelados, algo queimando dentro dele, e meu coração batia em um pulso selvagem contra as costelas, batendo com uma vingança, quase repreendendo-me por suas palavras, enquanto eu controlava e mantinha a respiração, seu peito arfante. Ele atacaria com um único sinal de vulnerabilidade.
Lentamente, depois de longos e longos segundos, a mão dele subiu para a parte de trás do meu pescoço, quase como a de um amante, a mão enorme envolvendo a nuca inteira. Congelei, meus músculos parando, de repente percebendo que isso tinha sido muito t**o. E se ele não estivesse blefando e eu tivesse provocado a fera? Ele poderia matar-me naquele momento e fazer-me desaparecer da face da Terra e ninguém saberia.
O polegar dele lentamente traçou a minha mandíbula, enquanto a mão dele segurava minha nuca, mantendo a cabeça inclinada para trás e os olhos presos, a ponta áspera do polegar acariciando minha pele macia quase como uma carícia.
Um calafrio sacudiu meu corpo sob o olhar de falcão dele, um calafrio que eu não pude controlar quando meu corpo reagiu, e minha boca sem sorrir torceu um pouco, minha mandíbula parecia ainda mais viril tão perto, a pequena cicatriz no canto de seu lábio espreitando. O polegar dele pousou em meu pulso acelerado, e seu coração começou a bater ainda mais forte, o pulso disparando ainda mais, quando apertei os lábios.
— Seu coração está batendo rápido demais para alguém que está no controle.
Ele murmurou baixinho, as palavras fantasmagóricas em seu rosto, o leve cheiro de uísque que ele tinha no hálito, seu próprio perfume, uma estranha mistura de suor e colônia e algo almiscarado invadindo seus sentidos. Eu mantive esses sentidos em alerta, vendo os anéis azuis nos olhos dele, os longos cílios quando ele piscou uma vez, percebendo tudo.
Ele se inclinou para mais perto, sua boca quase centímetros de distância, e ele falou suavemente, letalmente.
— Eu te avisei para não pensar, por um segundo, que você me conhece.
— E eu te avisei para não pensar, por um segundo, que você me assusta.
Eu o lembrei no mesmo sussurro.
— Não pense.
Ele começou, com os olhos endurecidos,
— Que se eu tiver a chance, não vou te matar.
— Mas é isso, Sr. Romano. Você não tem chance.
Endireitando a coluna, eu dei um passo para trás, retirando a mão dele de minha pele, ignorando a sensação de formigamento ao sentir o músculo dos antebraços dele e cerrou os dentes.
— Então, por enquanto, saia do meu caminho.
Pablo Romano me encarou com os olhos mais uma vez, assim que o vento aumentou, girando o vestido em volta das pernas.
— Um dia, senhorita Ricci.
Ele falou calmamente,
— Eu vou gostar de cobrar muito essa dívida.
Ele se inclinou, forçando a boca com a minha orelha, sua nuca raspando contra minha pele enquanto as minhas mãos se punham para manter outro calafrio.
— E você sabe o quê? Você vai gostar de retribuir.
Antes que eu pudesse pronunciar uma única palavra, ele estava se afastando de me em direção ao carro, onde a comitiva esperava, deixando-me sozinha no beco, as linhas duras de seu corpo se movendo rapidamente para o carro, enquanto ele se dirigia ao seu povo.
— Nós terminamos aqui.
Oh, nós não terminamos. Nós não terminamos.
Mas, quando todos entraram no carro e eu me vi no beco, quando um raio iluminou o céu novamente quando ele abriu a porta do carro, ele se virou pela última vez para me ver. Troquei os olhos com ele uma última vez e vi a mesma coisa ferver naquele olhar intenso.
Enquanto meu coração batia como um pássaro batendo freneticamente as asas na gaiola para se libertar, eu o vi pelo que ele era.
Um predador na pele de um homem.
E eu sabia uma coisa inegavelmente, profundamente em meus ossos.
Nós não terminamos.