~~CAPÍTULO 5~~
KATHERINE
eu estou no quarto me arrumando para dormir quando ouço duas batidas na porta e a maçaneta da porta girar, no entanto ela está trancada. Tranco a porta quando desejo dormir para não ser incomodada ou invadida pelo porco do meu marido. Atravessei a sala e destranquei a porta.
— Por que trancou a porta?
Francesco questionou mirando seu olhar para os cômodos do quarto, quando ele quis entrar, bloquei com a porta.
— Primeiro, o quarto é meu, faço o que desejar nele, segundo, não lhe dei autorização para entrar e terceiro, qual é o motivo da sua visita?
— Eu sou seu esposo.
— Sério?
Minha voz de deboche deixou bem claro que eu estava cansada dessas conversas sem sentido sobre sua posse comigo.
— O que Pablo queria consigo?
Levantei uma sobrancelha escura integrada com sua questão.
— Quem disse que ele queria algo comigo?
Eu questionei aborrecida descaradamente.
— Seu guarda costas foi neucateado por ele.
— Engraçado, o imprestável do seu segurança afirmou isso? Reclamando do seu líder? Ou devo lembra-lo quem manda nesta cidade, inclusive em você?
— Katherine..
— Querido.
Atiro de volta seu deboche habitual quando ele joga na minha cara que nenhum outro homem irá me aceitar pois eu sou impura.
— Nunca se esqueça, Pablo Romano manda em você. Você é apenas um subordinado como outro qualquer, voltando na sua questão, pergunte a ele porque necauteou seu guarda-costas. Vocês são amigos ou não são?
Fechei bruscamente a porta do meu quarto na cara dele, tranquei com as chaves, eu podia ouvir o som irregular da sua respiração, chumbo trocado não dói querido, destrói.
Gemi na tela do laptop, ignorando o chiado no meu pescoço por encará-lo por muito tempo. Eu estava tentando trabalhar online para ocupar meu tempo vasto, mordendo os lábios, os dedos voando sobre os teclados, digitei os códigos mais recentes e pressionei o botão de escape, verificando se o sistema de segurança funcionaria e vi a tela ficar em branco.
Novamente.
Droga!
Frustrada além da crença, bati as palmas das mãos na mesa e me afastei, andando em direção à janela do quarto, puxando os óculos para baixo, uma pequena pulsação começando a bater bem embaixo das têmporas. Já passava da meia-noite e eu não estava nem perto de encontrar algum tipo de solução.
Por dois dias, tentei e falhei, apenas aumentando minha frustração.
O que adicionava gasolina a esse fogo, no entanto, eram pensamentos dispersos sobre Pablo Romano, surgindo completamente do nada na maioria das vezes, aleatoriamente. Não sua aparência áspera ou sua reputação.
Não.
A intensidade dele.
Por alguma razão, ele me pegou desprevenida, seu ódio ardente por me, sua aura constante de ameaça, algo que eu nunca havia experimentado antes, e algo que apenas alimentava minha própria repugnância pelo homem.
Rangi os dentes, virando o rosto para a janela, olhando para o jardim escuro abaixo. Um enorme olmo sombreava sua suíte da entrada da garagem, o suficiente para dar a me uma visão dos visitantes, mas não os deixava me ver.
A propriedade estava dormindo, apenas uma leve brisa soprando na noite suave, a lua com uma forma oval incompleta no céu escuro cheio de estrelas.
Eu estava cansada.
Tão cansada.
A responsabilidade constante de minhas ações estava atacando lentamente por dentro, meus próprios esforços desesperados fracassados apenas ajudando nisso.
A vibração repentina de meu telefone quebrou o silêncio, assustando-me, um grito constrangedor saindo de minha boca antes que eu pudesse detê-lo. Com o coração acelerado, respirei fundo, balançando a cabeça para me mesma. Caminhando de volta para a mesa onde meu telefone continuava vibrando, eu olhei para o identificador de chamadas. Um desconhecido.
Hesitante, eu atendi, pressionando o ícone de resposta e ficou em silêncio, esperando a pessoa falar.
Houve silêncio por alguns instantes.
— Srta. Ricci.
Atordoada, eu inalei profundamente, ignorando o ligeiro arrepio que percorreu minha espinha, ignorando a maneira como meu coração começou a bater, meus olhos se fechando quando a lembrança do polegar dele acariciando minha mandíbula me inundou, meus músculos apertando. Eu odiava isso. Eu odiava minha carne traidora reagindo àquela voz baixa e rouca. Eu odiava o fôlego extra que respirava por causa do modo como a inundava. Eu odiava que ele me pegou desprevenida novamente.
Mas eu havia aprendido esse jogo no berço.
— Quem é?
Eu perguntei, mantendo o tom plano, entediada.
Houve uma pausa por alguns segundos, e eu pôde sentir a tensão do outro lado da linha. Eu me sentei na cadeira, olhando para o número e rapidamente o digitei em meu laptop, executando-o para obter detalhes.
— É bom ver que sua língua afiada não segue um relógio.
Disse a voz, sem nada, absolutamente nada, o tom deliberadamente plano como o meu. O resultado no laptop foi embaralhado. Bastardo sorrateiro.
— Diz o homem que me liga à meia-noite.
Respondo, digitando outro comando para anular o mais antigo, rastreando o número.
— Como você conseguiu meu número?
Algo entrou em sua voz.
— Você realmente não sabe com quem está falando, não é?
Idiota arrogante. Mas engenhoso. Eu sabia disso. A dor de cabeça foi empurrada para o fundo de minha mente enquanto o traço progredia para 89%.
— A coisa é..
Se as vozes podiam ser bebidas, ele era um uísque vintage de séculos de idade, rolando da língua para baixo da garganta, deixando um rastro de fogo dentro, deixando todas as células do corpo cientes de que haviam sido consumidas.
Eu fechei os olhos, tomando um gole de uísque, antes de perceber o que estava fazendo. Eu estava no telefone, à meia-noite, com o inimigo, saboreando a voz dele. O que diabos havia de errado comigo?
Antes que ele pudesse pronunciar outra palavra, desliguei a ligação, colocando o telefone na mesa, expirando alto. Ao controle. Isso foi ridículo. Eu precisava parar de deixá-lo jogar-me ao vento. Ou então, ele me jogaria para os lobos.
O meu laptop fez um ping com os resultados de rastreamento concluídos. Eu abri os olhos.
E ofeguei em choque.
A ligação se originou da minha propriedade. Do lado de fora da casa, para ser mais preciso. Que p***a ele estava fazendo lá?!
Pondo-me de pé antes que eu pudesse me conter, tirei uma das facas da gaveta, as mesmas facas que ele a vira. Pegando o telefone na outra mão, eu lentamente deslizei ao lado da janela onde estava parada momentos atrás. Espreitando para fora, deixando-me olhar em volta, tentando ver as sombras.
O telefone tocou novamente e eu mordi o lábio antes de atender.
— Nunca desligue minha ligação.
Disse ele, sua voz ameaçadora, dura.
Engoli em seco, mas falei levemente.
— Desculpe, eu devo ter perdido o memorando. Eu machuquei seu ego gigantesco?
Pausa difícil.
— Por mais que eu deteste isso, estou aqui para conversar sobre negócios.
— Desde quando você negocia com a esposa do seu amigo?
— Desde que ela é uma boa economista, IQ alto.
Rangi os dentes, a raiva corando em meu sistema.
— E você está aqui para o quê? Fazer-me concordar com sua personalidade encantadora? Deveria ter enviado Dante para isso.
Eu podia sentir o tenso silêncio pulsando entre nós, o desejo de cortar a conexão novamente aguda.
— Eu teria, mas ele não pode fazer o que estou prestes a fazer.
Antes que eu pudesse piscar, a linha ficou muda. Franzindo a testa, eu coloquei o telefone no bolso do pijama, segurando a faca com a outra e olhou novamente, confusa sobre o que ele quis dizer.
Vendo uma sombra se mover um pouco, olhei através dos óculos, m*l conseguindo distinguir a figura dele. Não havia como ele sair das sombras da propriedade. Do meu ponto de vista, eu podia ver os guardas patrulhando no outro extremo, a segurança ainda mais rígida, especialmente com Francesco fora. Eles virariam e seguiriam em direção à ala dela em dois minutos.
Pablo Romano estava sombrio.
Mas ele era uma sombra suave.
Eu vi a suavidade em seus movimentos enquanto ele se afastava das sombras, fundindo-se com os novos, quase invisíveis até da sua vista. Não havia como ele passar pela porta da frente sem ser detectado. De jeito nenhum.
Só que ele não parecia ir em direção à porta da frente à minha esquerda. Com uma graça ágil, eu não pude deixar de admirar, mesmo quando se repreendeu por isso, eu observei, confusa, enquanto ele se dirigia diretamente para a parede. O que ele ia fazer abrir caminho através deles?
Ele parou em direção à direita, ainda nas sombras, mas visível o suficiente para que eu pudesse ver o conjunto preto que ele estava vestindo. Confusa, e mais do que curiosa para ver o que ele faria em seguida, senti o queixo cair quando ele pulou no parapeito da janela do escritório do térreo, segurando os canos de metal que corriam ao lado dele, erguendo o corpo.
Ele ia subir.
Ele ia subir?
Ele morreria esta noite, eu estava certa disso. Pablo Romano, o sangue da Outfit, ia se espalhar no chão embaixo da janela, morrer em minha propriedade e começar uma guerra de merda. Ele era louco? Eu não dava a mínima se ele queria quebrar meu pescoço grosso. Seria melhor se os guardas o pegassem vivo.
Mesmo quando minha mente lhe disse para alertar os guardas, minha língua ficou presa no céu da boca, os olhos paralisados em sua forma. Para um grandalhão, ele era muito, muito atlético. Eu não queria apreciar nada sobre ele, mas observando-o se mover, não havia como negar. Eu era uma c****a para ele, não cega.
Sua mão agarrou a grade de metal da varanda do primeiro andar e ele soltou o pé, pairando no ar pela força de um braço. Então, ele agarrou a balaustrada com a outra mão e levantou os pés, pulando na varanda com uma graça que ele não deveria ser capaz, não com aqueles músculos todos no corpo, músculos que eu sabia que eram muito duros e reais de ser pressionada contra eles, repetidamente.
O momento do seu salto coincidiu perfeitamente com os guardas patrulheiros, que fizeram as rondas, completamente inconscientes do intruso na propriedade. Pablo Romano ficou agachado na varanda, observando silenciosamente os guardas abaixo enquanto se afastavam.
Balançando a cabeça, eu olhei para a janela, incapaz de ver como ele alcançaria a janela da varanda abaixo, já que não havia canos, trilhos, nada. Apenas parede. A área estava limpa novamente.
Justo quando eu pensei que não poderia ficar mais surpresa, eu o vi pular no parapeito, seu equilíbrio perfeito. Ele nem respirou antes de caminhar em direção ao lado da varanda, no corrimão, com os pés ágeis, parando quando encarava a parede.
E agora, espertalhão?
Ele olhou em volta com cuidado, antes de tirar algo do bolso de sua calça cargo preta e, antes que eu pudesse pensar em 'bomba', ele a estava balançando e prendendo no parapeito da janela da minha janela.
E a próxima coisa que eu soube foi que as mãos dele estavam no peitoril da janela e ele estava levantando todo o corpo, pronto para entrar na segunda janela em que eu estava atrás. Uma missão impossível de andar e falar, era o que ele era. E o meu estômago estava em um nó, exatamente como sempre havia assistido ao cinema, com o coração batendo forte nos ouvidos, como se eu tivesse escalado dois andares de seu prédio.
Pelo menos o disfarce dele foi mais secreto, menos exibicionista.
No momento em que ele levantou o corpo, eu dei um passo para trás, segurando a faca ao lado da cabeça, sua postura combativa, como o instrutor lhe ensinara.
Ele aterrissou no chão acarpetado, rolando de costas no mesmo movimento e se levantando, sua camisa preta de mangas compridas abraçando todos os tendões e músculos de seu tronco, as calças largas enfiadas nas botas pretas do exército, um comunicador anexado ao ouvido. Ele parecia pronto para se infiltrar em uma fortaleza. Eu deveria estar lisonjeada, eu supus.
Só que eu percebi, naquele exato momento que meu próprio inventário estava completo e o dele começou, que eu estava vestida para dormir, em meu short de coelho e camiseta larga da universidade que quase pendia de um ombro, e sem sutiã.
Mesmo quando o calor correu para meu rosto, eu fiquei na mesma posição, ameaçando, mantendo o rosto completamente em branco, observando-me. Seus olhos azuis afiados se fixaram nos meus, enviando um frisson de formigamento pelo corpo antes que eu o pressionasse, os dedos flexionando a faca. Ele tocou o fone de ouvido, nunca tirando o olhar do meu, e falou baixinho.
— Estou dentro. Silencioso.
Quão eloquente.
Seus olhos se voltaram para minha faca, antes de voltar para os meus, seu queixo desalinhado relaxado, toda a sua postura não ameaçadora. Mas eu sabia melhor. Ela aprendeu a rapidez com que ele trocou em primeira mão, e não tinha a menor intenção de respirar com facilidade, desde que ele estivesse a pelo menos de um metro e meio de mim.
Ele não falou uma palavra, apenas olhando para me com aqueles olhos enervantes. Eu sabia o que ele estava tentando fazer. Agitar-me. E mesmo que funcionasse, eu não deixei transparecer.
— A maneira como você escalou as paredes.
Comecei, em um tom de conversa tão falso que eu podia revirar os olhos.
— Você acabou de confirmar o que eu sempre soube que você era.
Ele apenas levantou uma sobrancelha solitária.
— Um predador.
Eu forneci, sorrindo vigorosamente para ele.
O lado de seu lábio com a maldita cicatriz se contraiu, seus olhos nunca perdendo a dureza.
— Predador.
— Ilusões de grandeza.
Eu assenti, ignorando a maneira como a intensidade do olhar a fazia querer parar de respirar. Se eu fosse um cachorro, esse era o tipo de olhar que a faria querer rolar de costas e oferecer sua barriga quente. Eu não era um cachorro, apenas uma fêmea proverbial equivalente a ele. Eu tinha que continuar assim. Foco.
— O seu psiquiatra sabe que você sofre disso?
Ele deu um passo mais perto, e eu me endireitei, apontando a faca para ele, mantendo a mão firme.
— Nuh-uh. Você se move uma polegada e ganha uma cicatriz.
Ele parou, seu olhar se intensificando.
— E você me chama de ilusório.
Rangi os dentes, aumentando o desejo de lhe dar um soco simples e comum no rosto e possivelmente quebrar seu nariz. Eu fiquei para trás. Quanto mais cedo eu acabar com isso, melhor.
— Tenho certeza que você não está aqui para me encarar, por mais que pareça gostar disso.
Eu comecei, nunca tirando os olhos dos dele.
— Por que você está aqui?
Ele piscou uma vez, seu corpo completamente imóvel, como se estivesse pronto para atacar a respiração de um movimento.
— Você invadiu meu quarto. Pensei em retribuir o favor.
Fiquei de boca fechada, esperando-o sair. Meu sangue estava correndo muito rápido em meu corpo, minha pele muito quente para o conforto, meu pulso muito mais alto do que o normal. Adrenalina. Eu estava inundada de adrenalina. Nada mais. Lutar e fugir. Instinto. Sim, isso explicava.
Ele inclinou a cabeça para o lado, seus olhos nunca vacilando, o movimento fazendo-o parecer ainda mais letal nas luzes abafadas da sala.
— Como eu disse.
Ele começou, naquela voz que a fez desligar o telefone, a voz do uísque, a voz que a fez querer revirar os olhos em minha cabeça. Eu me sacudi mentalmente, concentrando-me nas palavras dele.
— Isso é negócio. Dante e eu somos os únicos que sabemos sobre seu curriculum impecável e queremos que continue assim.
Eu não respondi, apenas esperei. Ele continuou.
— Queremos mantê-lo assim, contido.
Zombando, eu levantei as sobrancelhas.
— E o que você quer? Pablo Romano
Seus olhos endureceram e ele deu outro passo. Bati a faca no ar em aviso. Ele parou.
— Eu sei que você gerencia a contabilidade da sua família.
— Pablo Romano sem um contador? Essa é nova.
— Quando você se casou com....
Ele falou, a frieza entrando em seus olhos enviando um arrepio na minha espinha.
— Ele assumiu a contabilidade dos negócios.
— Se não confia nele porque o colocou ali? Você é o chefe.
— Leonardo Romano deu sua palavra.
Antes que eu pudesse dizer outra palavra, ouvi os principais portões da mansão se abrirem, o som de buzinas soando na noite quando carros entraram na propriedade. A essa hora da noite, significava apenas que Francesco havia retornado.
Eu mantive os olhos nele, observando cada movimento dele, meu coração começou a bater mais rápido ao perceber que meu marido estava em casa, junto com Pablo Romano. Se eu fosse pega, minha morte estava garantida.
Suspirei, a dor de cabeça.
— Ele não ousaria roubar dinheiro da máfia, até o mais louco dos assassinos não faria essa bobagem.
— Não, ele não faria,
Ele disse, mentindo para me descaradamente.
— Estou me vendo em problemas de merda, fazer contabilidade da máfia....
— Você consegue.....
Pablo levantou o dedo indicando silêncio, tirei os óculos, alcancei a cama e separei os lençóis como se eu tivesse dormindo apenas acordei no meio da noite, baguncei os cabelos e amassei a cara. Duas batidas ecoaram na porta, ele girou a maçaneta da porta, ela sempre está trancada.
— Katherine, eu sei que está acordada.
Segurei um frasco de perfume e joguei no ar, para camuflar o cheiro do Pablo no quarto, depois de atravessar a sala, destranquei a porta.
— O que deseja?
— Tive a impressão que ouvi vozes vindo do seu quarto.
— Ouviu?
Quando ele tentou entrar no quarto eu o impedi, Francesco arregalou os olhos irritado.
— Porque passou perfume?
— Está sem dinheiro para pagar minhas mordomias?
— Me deixe entrar.
— Este é meu quarto, ninguém entra sem a minha autorização, se terminou de bancar meu marido i****a.
— Eu estava pensando em, passarmos a dormir junt...
Antes que ele termine a frase, bati a porta da cara dele e girei as chaves. Esperei, esperei até ouvir passos do Francesco desaparecerem do corredor.
— Sua resposta.
Ele simplesmente disse. Eu vi a convicção em seus olhos. Eu vi o calor neles. Eu ignorei os dois.
— Tudo bem.
Eu assenti.
— Eu nunca havia trabalhado em algo tão grande.
Minha frustração diminuiu, lembrando-me de meus esforços fúteis.
Os olhos dele se estreitaram nos meus, avaliando-me.
— Isso não é decisão sua. Você nos envolveu nisso e agora precisa levar até o fim.
— Ou?
Eu exigi, erguendo as sobrancelhas, meu braço começando a doer onde eu o segurava ao seu lado.
— Você casou com ele.
— Ele é seu amigo.
— Você não sabe nada.
Antes que eu pudesse endireitar a coluna, a mão dele estava subitamente em meu pulso, torcendo meu braço enquanto a outra mão a girava. Levantei a perna, tentando acertá-lo no joelho, mas ele desviou, segurando meus pulsos com uma mão enorme, pressionando o peito nas minhas costas, não me dando espaço para se mover, a outra mão segurando o cabelo sem dor, mas com firmeza, inclinando a cabeça para trás para poder ver-me atrás de mim, a faca na mão batendo no chão acarpetado com um baque abafado. Lutei contra seu aperto, mas como era a tendência deles, não conseguia se mexer.
— Não brinque com brinquedos que você não conhece.
Sua voz sussurrou contra meu ouvido, sua respiração fantasmagórica sobre o ombro exposto onde minha camiseta havia caído, enviando um calafrio através de me antes que eu pudesse pará-lo, arrepio, eu tinha certeza de que ele podia sentir, um arrepio que fez meus s***s tremerem. Mas a condescendência em seu tom a fez apertar a mandíbula.
Fortalecendo os nervos, sabendo que as mãos dele estavam ocupadas, joguei a cabeça de volta para o rosto dele e errei quando ele se abaixou no último minuto, o aperto nas minhas mãos afrouxando. Era tudo o que eu precisava. Caindo no chão, eu passei os pés por baixo dele enquanto pegava a faca ao mesmo tempo. No momento em que ele caiu de costas, eu subi no peito dele, pressionando a faca bem embaixo do pomo de Adão, olhando para ele.
Ele olhou para me, as luzes abafadas no quarto lançando seu rosto meio às sombras, nenhum sinal de medo nos olhos azuis, nem um pouco perturbado, as mãos presas ao lado dele pelas coxas.
Eu me inclinei para frente, mantendo os olhos trancados, e sussurrei, com toda a raiva e ódio percorrendo meu corpo.
— Um dia, eu vou arrancar seu coração e guardá-lo como lembrança.
Eu pensei que ele responderia em silêncio, ou com o queixo cerrado, ou com outro golpe em me. Ele não fez.
Ele riu.
Sério?
— Você acha que eu tenho um coração, gata selvagem.
Mas a diversão desapareceu de seus olhos assim que entrou. Ele ficou parado embaixo de mim, observando-me, o silêncio entre nós ficou tenso, a tensão entre nós se espessando. A consciência deslizou por minha espinha, penetrando em meus ossos. Eu podia sentir o batimento cardíaco dele contra minha coxa, onde eu montei nele, meus shorts subindo na luta, expondo mais de minha pele do que eu estava confortável. Meus m*****s endureceram sob o algodão, por causa da luta e não por causa dos músculos quentes dele, ou de seus olhos intensos perfurando os meus. Não por isso.
Agora que eu o tinha sob me, eu não sabia o que fazer. Eu não podia sentar-se nele por toda a eternidade, mesmo que fosse tentador. Eu não podia matá-lo em minha própria casa, mesmo que isso fosse mais do que tentador. Eu não podia fazer nada. E o bastardo que ele era, sabia disso. Portanto, a postura relaxada.
Desgostosa comigo mesma, levantei-me, retirando a faca do pescoço dele e caminhei em direção à janela, frustrada pela inundação, substituindo o calor agora que eu desviei o olhar dele. Isso não nos levava a lugar nenhum. Eu fechei os olhos uma vez, antes de abri-los, a decisão tomada e virou-se para encará-lo, onde ele estava a poucos metros de distância, observando-me com aquele maldito olhar focado dele.
— Então, você basicamente quer que eu trabalhe com você?
Eu perguntei, mantendo a voz calma.
— Sim.
Ele respondeu simplesmente.
Eu assenti.
— E como vamos fazer isso?
— Seja como for.
Ele respondeu, naquele tom simples que não considerava argumentos.
Eu assenti novamente, respirando fundo, os olhos observando-o atentamente.
— Eu tenho uma condição.
Os segundos passando. As luzes piscaram. Eles respiraram.
Ele ficou em silêncio, esperando-me sair. Eu hesitei, por algum motivo, antes de engolir, dizendo.
— Eu trabalho com Dante, não você.
Silêncio.
Seus olhos brilharam com algo antes que ele os pressionasse, o ar entre eles crepitava de tensão, seu olhar quase elétrico em sua intensidade. Meu coração bateu forte, o estômago apertando, a consciência de si mesma, de tudo ao seu redor, chiando através de mim.
Ele começou a caminhar em direção a me com passos lentos e medidos do predador que era chamado, seus olhos azuis brilhando com um fogo que eu não conseguia colocar, seu rosto duro, mandíbula cerrada, músculos tensos. Eu mantive-me firme com os pés descalços, levando a faca até a garganta quando ele entrava em seu espaço pessoal, o metal pressionando seu pescoço, a outra mão chegando ao lado de sua cabeça no parapeito da janela. Ele olhou para me, sua garganta trabalhando, sua respiração quente contra o meu rosto, aquele cheiro almiscarado de sua colônia desapareceu e se misturou ao suor, envolvendo-me, fazendo minha pele formigar e meu coração trovejar enquanto seus olhos ficavam trancados.
De repente, ele levantou a mão livre, entre a faca e a garganta, e os meus olhos de se arregalaram, atordoados, enquanto eu o observava afastar de sua pele, a lâmina afiada cortando sua mão, o sangue subitamente descendo pelo pulso até o meu, o líquido quente viajando sobre o cotovelo. O tempo todo ele nunca desviou o olhar, mesmo quando eu me engasguei, mesmo enquanto tentava puxar a faca, enquanto engolia em seco. Ele segurou a faca no punho, os olhos inflamados nos meus, o sangue pingando na minha pele, os rostos a centímetros de distância, os olhos inabaláveis, azuis em castanhos.
Algo estava acontecendo naquele momento. Algo que meu cérebro não conseguia entender, mas meu corpo estava intuitivamente consciente. A corrente de sangue em meus ouvidos não diminuiu. As batidas do meu coração não diminuíram. O peso do meu peito não diminuiu. Meus joelhos enfraqueceram, meu estômago deu um nó, minha descrença percorrendo meu corpo, transformando-se em outra coisa, algo que nunca havia ocupado meu corpo antes.
Ele olhou para me como uma força da natureza, e eu olhei para trás, incapaz de desviar o olhar, capturada por seu olhar seu olhar duro e implacável.
E, de repente, ele soltou a faca.
— Feito.
Seu tom duro e gutural me alcançou, e ele me afastou sem lhe lançar outro olhar, pulando pela janela antes que eu pudesse respirar novamente.
Eu não olhei para ver se ele tinha conseguido, não me inclinei para vê-lo se fundir com as sombras, não me movi do lugar.
Eu não respirei.
Meu coração trovejou em meu peito como uma nuvem de tempestade desencadeada, minha respiração rápida como se tivesse corrido uma maratona. Eu estava tremendo. Por toda parte. Minhas mãos tremiam, a faca caindo mais uma vez no chão, coberta de sangue.
Olhei para a faca caída, sentindo como se uma espada tivesse perfurado meu peito, o aperto na garganta inexplicável, a lógica em nenhum lugar nas proximidades de meus pensamentos embaralhados enquanto eu ficava parada ali, congelada, incapaz de me mover, incapaz de respirar.
Os meus olhos passaram da faca para as mãos trêmulas, vendo uma trilha vermelha e solitária à direita, começando pelo pulso e terminando no antebraço, quase como se minha pele tivesse chorado e engolido uma lágrima sangrenta.
O sangue do seu inimigo. O sangue do único homem que ela odiava.
O sangue dele.
A visão disso deveria ter-me preenchido com satisfação. O fato de ele ter concordado com os meus termos deveria ter-me preenchido com satisfação. O fato de ele ter saído sem problemas e não ter transformado esta noite em um desastre deveria ter-me preenchido com satisfação.
Curvando-se, eu peguei a faca, movendo-me quase no piloto automático, meus pensamentos dispersos na sequência do tsunami dentro de meu corpo, minhas emoções se misturaram em uma confusão irreconhecível, meu corpo tremendo como uma folha perdida na tempestade. Andando para frente, eu larguei a faca ensanguentada na lata de lixo, olhando enquanto o vermelho rodopiava e se infiltrava no papel branco ao redor, infiltrando-o, cicatrizando-o, trocando.
Ao sentir o vento soprando sobre a pele exposta, sobre os nervos desgastados, sobre a carne vestida, eu senti-me preenchida.
Mas não foi com satisfação.
Foi tudo menos satisfação.