~~CAPÍTULO 6~~
KATHERINE
“Vamos nos encontrar hoje à noite no clube. 19:00h. Vou esperar por você na sala VIP”.
Assinado: Dante Romano.
mostrei a mensagem a Mona, nós estamos no jardim, tomando sol enquanto ela me faz companhia com seus deliciosos sucos e lanches. Ela bebericou do seu suco, brincando com seu chapéu de sol, com certeza ela dirá para que eu não vá que é um grande problema.
Mas.
Eu fingirei que não ouço seus avisos e irei do mesmo jeito porque eu sou teimosa, saudades de Itália, casa, quando sol abri para beijar nossos corpos imundando com seu calor gracioso. Nova Iorque é intenso, até o sol que beija nossos corpos, o frio ao anoitecer também é intenso, como a escuridão dos becos sombrios e sangrentos.
Saudades de casa.
— O que irá vestir?
Levantei minha sobrancelha escura, surpresa por não receber um sermão por desejar ir a uma boate sem meu marido.
— Você não me ouviria.
Levantei o tronco do meu pescoço exibindo meu orgulho descarado, desviei o olhar, olhando-a de fininho concordando com ela silenciosamente, balançando os ombros f**a-se.
— O que dirá ao seu marido?
— Nada.
Meu tom ecoou rígida muita mais que o pretendido, Francesco é um i****a, faz questão de deixar claro isso todas as manhãs quando partilhamos o pequeno almoço.
Madjedje era a boate mais popular e mais noturna da cidade. Também passou a pertencer à Outfit.
Eu nunca fui à uma boate.
Quando criança, eu já sabia que não desejava coisas que não podia ter. Mais de uma década, eu estava lá, de pé na frente do espelho em minha penteadeira. Eu estudei meu reflexo por um longo minuto. Com minhas mechas tingidas de castanho caindo livremente em meu rosto em ondas suaves, eu terminei de colocar minhas lentes claras.
Eu tinha um rosto bonito, nada sobre o que alguém escreveria sonetos, mas agradável de se olhar. Ligeiramente arredondada, com lábios de tamanho médio, eu pintava de um vermelho escuro, um nariz reto, embora curto e claros olhos castanhos com manchas verdes.
Meu corpo era pequeno, tamanho pequeno, com s***s decentes, uma b***a boa e uma barriguinha teimosa da qual ela não conseguia se livrar. Alisando o vinco de meu vestido verde esmeralda que se amontoava sob os p****s e caía nos joelhos, eu inclinei a cabeça para o lado, perguntando-me se eu me parecia com a mãe. Além da cor original do cabelo, eu realmente não podia vê-la nela.
O vestido em si era um que eu nunca usei antes. Foi um presente de aniversário que eu comprei para me mesma, sem saber quando ou se alguma vez, eu o usaria. Esta noite parecia perfeita para a ocasião.
O tecido macio do vestido sem alças se agarrava ao torso, modelando perfeitamente os s***s, o material apertando-se bem embaixo deles, antes de brilhar em tons de verde sombreado, as ondas da saia parando logo acima do joelho em uma bainha irregular. O decote nas costas era profundo, mas simples, e os saltos pretos adornavam meus pés. Eu nunca me vesti assim. Mas então, eu nunca tinha realmente ido a uma boate também.
Eu li a mensagem no telefone novamente, verificando a hora.
Eu fiquei surpresa ao ser convidada, para dizer o mínimo. Eu meio que esperava outro canteiro de obras abandonado com um bando de águias voando acima. Mas aparentemente esse era o local para reuniões assassinas. Eu supus que deveria ficar aliviada. Enquanto a garotinha dentro de me borbulhava de empolgação, a mulher em que eu me tornara estava cautelosa.
Era um lugar público, onde eu duvidava que alguém tentasse alguma coisa, mas ainda era o local deles.
Afastando-me do reflexo, eu peguei a bolsa preta que continha uma pequena Beretta e o telefone, e sai do quarto, fechando a porta atrás de mim. Descendo as escadas, senti as palmas das mãos suarem um pouco quando o nervosismo me assaltou, a ala da casa vazia, exceto por alguns guardas aqui e ali. Guardas inúteis, dada a facilidade com que foram invadidos duas noites atrás.
Balançando a cabeça antes que eu pudesse deixar-me ir por aquela estrada, eu saí de casa e segui para o carro parado na entrada, os gramados atrás dele envoltos em escuridão,
Chegando ao volante, eu liguei a ignição e saiu da estrada, seu bebê querido ronronando sob seu controle enquanto dirigia o carro para fora dos portões gigantescos. Deixando a casa, meus olhos se voltaram para o espelho retrovisor. Assim como eu suspeitava, eu vi um veículo preto saindo atrás de mim.
Algo semelhante à exasperação encheu minhas veias. Fazia isso há anos, recusando proteção e despistando os guardas. Ela era uma especialista agora e, no entanto, meu marido nunca parava de tentar colocá-la sob sua guarda.
Mudando de faixa habilmente assim que atingiu o tráfego, eu pressionei o acelerador no chão e senti a velocidade rastejar sobre me enquanto passava por outros veículos. Motocicletas e carros buzinavam ao meu redor, o ar fresco e condicionado do carro impedia que o suor escorresse em minha pele, mesmo quando uma dose de adrenalina me encheu. Eu sabia que os homens de meu marido tentariam me alcançar. Eu também sabia que eles fracassariam, porque me pegar quando eu não queria ser pega era algo que poucos poderiam fazer.
E essa também era uma razão pela qual eu o odiava.
Rangi os dentes quando minha mente, sem querer, foi para Pablo Romano.
Novamente.
Eu tirei o episódio inteiro de duas noites atrás da cabeça, prometendo não pensar nisso novamente. Porque a bagunça que estava no meu quarto com o sangue da mão dele, a massa confusa de membros que não ousavam respirar porque tudo tinha sido tão desconcertante não era meu. Não me comportava como uma garotinha patética sendo atingida por um osso. Katherine Ricci não mostrava vulnerabilidades para ninguém além de si mesma. Não expunha a jugular a um homem que foi direto para ela.
Fui criada em torno de tubarões. E eu aprendi a não sangrar.
Mas eu odiava porque ele sangrara.
Porque ele me jogou desprevenida. Porque ele fez algo que eu nunca acreditei que ele faria. Porque ele me fez reagir não como Katherine Ricci, mas como outra pessoa. E eu detestava admitir que o alívio que pensara sentir por minha condição simples tinha sido destruído por gotas de sangue, e eu não tinha ideia do porquê. Eu nem queria examinar o porquê. Esse foi um episódio de minha vida que eu alegremente deixei para trás.
Virando à esquerda em direção à boate, sacudi a cabeça e afastei todos os pensamentos, concentrando-se apenas na reunião e em aproveitar minha primeira experiência em uma boate o máximo possível. Não que eu quisesse dançar bêbada ou quente com um i****a aleatório. Não, eu só queria sentir aquelas luzes deslizarem sobre minha pele, sentir a música pulsar em minha garganta, sentir os aromas lavarem meu corpo.
A alguns quilômetros de estrada isolada à frente, eu vi um armazém alto e cinza subir em direção ao céu. Uma enorme placa azul gelo brilhava no topo do prédio, dizendo que eu estava no lugar certo. Estacionando o carro do lado de fora em um lugar quando um manobrista veio até a me, sai do carro, recusando a oferta dele, mas agradecendo. O frio do vento provocou arrepios nas minhas costas nuas enquanto eu corria em direção ao prédio, o barulho abafado ficando mais alto a cada passo que dava para as altas portas de metal.
Um segurança musculoso quase três vezes maior do que o meu tamanho me olhou de cima a baixo quando eu me aproximei, a mão na maçaneta, a cicatriz cobrindo a metade direita do rosto escondida por trás de óculos escuros. Eu nunca entendi por que as pessoas usavam óculos escuros à noite.
— Somente convidados.
Ele falou com uma voz rouca, sem se mexer uma única polegada.
Levantei as sobrancelhas.
— Katherine Ricci. Convidada de Dante Romano.
O rosto escuro do homem não mostrou expressão, mas ele abriu a porta, o barulho repentino explodindo em meus ouvidos, e me deixou passar. Respirando fundo, entrei na boate, ciente da porta se fechando atrás de mim.
Feito em cromo e azul gelo, com luzes azuis diminuindo e queimando alternadamente com as batidas pesadas da música que saíam da cabine do DJ em minha extrema esquerda, todo o piso convertido do armazém era a área de dança. O bar se alinhava à direita e os garçons de bar atendiam à multidão pesada. Os seguranças cobriam os cantos do espaço discretamente, observando os corpos deslizando um contra o outro.
Observando a multidão, eu não me sentia m*l vestida. Na verdade, eu tinha certeza de que o tecido de meu vestido poderia cobrir pelo menos cinco mulheres lá.
Sobrancelhas na linha do cabelo, mesmo quando um sorriso perseguia meus lábios, a pura alegria de estar longe de minha casa, de sua vida, tão, tão preciosa, mesmo por um segundo. Eu respirei os aromas mistos de colônia e perfumes e suor e álcool. Eu inclinei a cabeça para o lado enquanto a música batia contra meus tímpanos. Eu senti meus pés de salto baterem com o ritmo.
Era tudo uma novidade.
Eu olhei para cima e vi Dante Romano caminhando em minha direção, vestido com uma camisa escura casual e calça que gritava 'rico e carregado', meus lábios em um sorriso educado, seu corpo enorme se movendo com graça, mesmo quando seus olhos escuros me olharam para mim. Olhei em volta para me certificar de que ele viria sozinho, como eu exigi. Ele estava. Mas isso não me relaxou, apesar do sorriso convidativo em seu belo rosto.
Apontando para uma área atrás do bar, que eu imaginei ser a seção VIP, ele fez um gesto para que eu o seguisse. Eu o fiz lentamente, notando o braço dele em minhas costas, mantendo a multidão dançando longe de meu corpo em movimento. Por mais que eu não quisesse, eu apreciava o gesto, especialmente quando a multidão dançava sobre me, e algumas mãos perdidas tentaram reprimir uma sensação, fazendo-me querer vomitar.
Quando chegamos ao bar, meu coração estava batendo mais rápido do que as batidas da música, a adrenalina atingindo meu sistema. Engolindo, eu segui Dante para uma seção isolada, separada pelo bar, onde a música não era tão alta por algum motivo. Sofás cor de vinho borgonha apareceram, revestindo as paredes, as luzes mais escuras criando áreas de estar íntimas.
Entrei na seção que ele indicou, ocupando o espaço, e de repente parou, meu corpo endurecendo.
Pablo Romano, sentado em um dos sofás à minha direita, estava vestido com um paletó e uma camisa branca que brilhava em azul sob as luzes, com um colarinho aberto e sem gravata. Não havia nada do homem de duas noites atrás nele. Os meus olhos se voltaram para a gaze branca envolvida em torno da mão dele, um lembrete rápido de que ele era praticamente o mesmo homem. O mesmo ser primitivo envolto em civilização.
Uma mulher estava sentada ao lado dele uma mulher alta, de cabelos negros e absolutamente deslumbrante em um vestido prateado que foi derramado sobre ela, sua linguagem corporal aberta era uma indicação clara de que ela era amiga do homem ao seu lado.
Desviei o olhar antes que eu pudesse olhar para qualquer um deles.
Dante me levou para a esquerda, do lado oposto, onde a área estava relativamente vazia, e fez um gesto para eu me sentar. Eu deliberadamente me sentei de frente para a parede, de costas para o outro homem, e vi Dante dobrar seu corpo enorme no banco à minha frente.
Eu esperei minha nuca formigar com a consciência de seus olhos em mim, os arrepios irromperem sobre minha carne, mas nada aconteceu. Ele não estava queimando um buraco nas minhas costas com os olhos.
Boa.
— É uma coincidência que ele esteja aqui.
Começou Dante, colocando um sorriso de garoto em seu rosto, levou uma mão para seus cabelos. As vezes ele parece um garoto da sua idade e outras vezes, um homem aterrorizador.
— Eu sei que você solicitou que ele não estivesse presente, então eu não disse a ele onde nos encontraríamos. Ele acabou de chegar alguns minutos com Elena.
Seu tom era um pouco de desculpas, mesmo quando seus olhos castanhos se moveram atrás de me, uma sombra piscando em seu rosto enquanto observava o que estava acontecendo em um silêncio sombrio. A sombra era por causa de seu irmão de sangue ou por causa da mulher?
Eu pigarrei, trazendo os olhos escuros de volta para mim. As sombras clarearam quando seus olhos se fecharam, sua expressão era de interesse educado, uma que eu tinha certeza de que ele usava há muito tempo.
— Podemos nos concentrar no trabalho?
— É claro.
Ele assentiu, recostando-se nas almofadas enquanto uma garçonete trazia alguns aperitivos.
— Gostaria algo para beber?
Balancei a cabeça, cruzando os tornozelos e cruzando as mãos no colo, um pouco desconfortável com toda a situação. Um frisson de consciência deslizou por minha espinha.
Os olhos dele estavam nos meus.
Respirando fundo, eu parei o corpo, sem trair nenhum movimento.
Os cabelos escuros na cabeça captando as luzes azuis, os olhos piscando novamente para a cena atrás de me momentaneamente antes de voltar. E nessa única piscada, eu sabia que era a mulher Elena que chamava sua atenção. Eu tinha a sensação de que havia muito mais em sua distração do que uma mulher gostosa em um ótimo vestido. Ignorando a pontada de compaixão que provocou, eu mordi o lábio.
— Dante, como eu disse ao Pablo Romano.
Eu resmunguei, ainda ciente de que o homem estava atrás de me, observando-a esporadicamente:
— Trabalho apenas consigo.
— Sim.
Disse o homem, sua voz subitamente extremamente séria, o ar de responsabilidade ao seu redor tão forte que me fez perceber que ele era o filho mais novo da Outfit.
— Meu irmão não confia no seu marido.
Parecia estranha essa aliança. Mas eu assenti independentemente, segurando a palma da mão para o pen drive que ele colocou lá.
— Esses são os números que conseguimos recuperar desde que seu marido assumiu o comando da contabilidade, todas as informações, estão ali.
Eu coloquei o drive cuidadosamente na bolsa e me levantei, como ele. Desde que ele estava sendo amigável até agora, eu disse calmamente:
— Eu vou te avisar quando terminar de calcular.
Dante Romano inclinou a cabeça levemente, os olhos afiados nos meus.
— Posso perguntar por que você se recusou a trabalhar com Pablo?
Levantei uma sobrancelha.
— Posso perguntar o que está acontecendo entre você e Elena?
O homem amigável diante dela repentinamente endureceu, a raiva brilhando em seu rosto antes de vestir a máscara educada, os lábios contraídos, fazendo-me perceber mais uma vez que ele não era um qualquer. Ele era o sangue real de Romano. Ele olhou para me um pouco, seus olhos piscando para a mulher em questão, antes de balançar os olhos para me novamente, um sorriso relutante em seus lábios.
— Coragem leva apenas um segundo para se tornar tolice.
Disse ele calmamente, seus olhos escuros alertas.
— Tenha isso em mente.
Sorri. Então, eu encontrei um nervo, não é?
— Siga o seu próprio conselho.
Eu respondi no mesmo tom, antes de girar nos calcanhares e ir em direção ao bar, olhando absolutamente para a frente, sem lançar um olhar de ambos os lados, mas ciente dos olhos de Pablo em mim. Minha garganta trabalhou, uma gota de suor escorrendo pelo meu decote, meus músculos rígidos em meu corpo.
Seca, eu alcancei o balcão, a música mais alta do lado de fora e se inclinou, tentando chamar a atenção de um dos garçons.
Um homem de trinta e poucos anos, de camiseta preta, olhou para ela, com os olhos frios quando a olhou de cima a baixo. Franzi o cenho diante da reação, sem entender.
— O que eu posso pegar para você?
Ele perguntou, sua voz alta sobre a música.
Eu observei os olhos dele, a suavidade neles, e sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Sim, eu não aceitaria álcool dele.
— Apenas um pouco de suco de laranja.
Ele se virou e franziu as sobrancelhas, tentando lembrar se eu já o conhecera antes. Eu não tinha.
Suspirando, eu peguei o copo de suco que eu empurrei em sua direção e me virei para a pista de dança, engolindo a bebida refrescante, saciando minha sede, meus olhos na massa de corpos se movendo ao ritmo à minha frente.
— Anton, um JD, com gelo.
A voz de uísque e pecado veio de minha esquerda. Engoli em seco, mas eu me recusei a me virar, recusei-me a reconhecê-lo, cerrando os dentes, a mão segurando a bolsa e o copo enquanto meus olhos ficavam grudados nos corpos girando.
Os olhos dele vieram para mim.
Eu estava ciente. Mas eu não me virei.
Bebendo devagar o suco restante, eu fiquei parada, ciente da presença dele ao meu lado, ciente de que ele estava a poucos centímetros de distância, todos os músculos e força enrolados, mas sem realmente reconhecê-lo.
E isso é absolutamente bom.
Eu deveria ter me mexido.
Deveria ter colocado o copo no balcão e saído pela entrada, sem uma palavra, sem um olhar, sem nada. Mas, por alguma razão insondável, naquele momento, se tornou tão arrasador quanto uma competição de quem piscaria primeiro. Tornou-se uma colisão de vontades, onde se afastar ou fugir naquele momento, seria equivalente a piscar, e eu seria condenada se cedesse primeiro.
A música me envolveu, quase me envolvendo em uma bolha onde nada além de meu coração batendo e meu pulso acelerado existiam. Eu fiquei parada ali, observando sem pensar nos dançarinos, meu corpo inteiro consciente da presença ao seu lado, uma presença que não saiu, não se mexeu e não fez nada. Ele estava presente e isso, por algum motivo, foi suficiente.
— Katherine Ricci?
O momento foi quebrado.
Fechando os olhos enquanto o peso aumentava, eu virei-me para o outro lado com a voz feminina, para ver a mulher que estava sentada ao lado de Pablo olhando para me com os olhos verdes mais estranhos que eu já vi, a sombra de algo próximo a uma floresta à meia-noite, meu corpo curvilíneo deslumbrante naquele vestidinho elegante, meus cachos escuros selvagens e livres em minha cabeça. Elena.
— Sim.
Eu disse, cautelosa e confusa sobre o porquê dessa mulher querer falar comigo.
Algo parecido com pena encheu os olhos verdes da mulher quando ela olhou para me. Antes que eu pudesse pronunciar uma palavra, seu olhar voou para onde eu sabia que Pablo estava e ela balançou a cabeça, girando nos calcanhares. Completamente confusa com a reunião estranha e abrupta, eu fiquei ali, piscando para onde a mulher estivera.
Que diabos foi isso?
Sem se virar para encará-lo, terminei a bebida.
E balancei em pé.
Que diabos?
Eu olhei para o copo vazio de suco de laranja, franzindo a testa, enquanto as luzes diante de seus olhos embaçavam um pouco, o mundo girando levemente.
Alguém batizou minha bebida?
O barman estranho?
Não.
Não.
Não.
Isso não poderia estar acontecendo comigo.
Não aqui, não agora.
Balançando a cabeça para limpar a névoa o suficiente para andar, eu virei-me para a entrada. E tentei dar um passo.
Eu balancei com força, quase tombando.
As mãos em meus braços me seguraram por trás, as mãos ásperas em minha pele macia.
Eu pisquei, minha língua inchada, lã na boca enquanto o mundo girava um pouco mais, meus joelhos se transformando em geleia. Tremores destruíram meu corpo, a música batendo dolorosamente em meu crânio. Minhas pálpebras ficaram mais pesadas. O medo se acumulou em Meu estômago, porque se eu caísse nesta boate, estaria morta se alguém me encontrasse, ou quando meu marido descobrisse. Isso meio que esfriou a onda de sonolência que me varreu, exatamente quando aquelas mãos me viraram.
Pisquei para os olhos azuis olhando para meu rosto, as mãos segurando os braços brutos e duros. De repente, uma mão se moveu para agarrar meu queixo enquanto ele me inclinava contra o balcão do bar, seus olhos focados nos meus, mantendo o foco de me por um segundo claro antes que meus cílios caíssem.