Assim que ele saiu pela porta, o silêncio que tomou conta da casa foi pesado, sufocante, como se todo o ar tivesse sido arrancado junto com ele. Serpente não era só o dono daquele lugar, era a presença que sustentava tudo, e naquele momento eu senti que algo dentro dele tinha se quebrado de vez. Meu peito apertou forte, uma dor estranha, misturada com medo e culpa, mesmo sabendo que eu só estava tentando dizer a verdade. Todos ali estavam preocupados. Os vapores se entreolhavam, nervosos, jogando olhares para a porta como se esperassem que ele voltasse a qualquer instante. Eu permaneci parada no meio da sala, sem saber se sentava, se chorava, se corria atrás dele. Mas no fundo eu sabia: se ele quisesse sumir, ninguém ali seria capaz de impedir. Lucas se aproximou de mim, com aquele olhar

