Saí de casa ainda sentindo o cheiro dela no ar. Talita tinha deixado aquele ambiente diferente, mais leve, mais silencioso… mais perigoso pra mim. Eu precisava me afastar um pouco, colocar a cabeça no lugar. O plano que eu tinha em mente precisava de frieza, e a presença dela mexia com coisas que eu não podia — e nem queria — lidar. Desci o beco, o sol já batendo forte no morro, e caminhei até minha moto. Liguei o motor e deixei o ronco preencher meus ouvidos, afastando qualquer pensamento que insistisse em voltar à madrugada anterior. O caminho até a boca sempre foi automático, quase mecânico. Eu conhecia cada buraco, cada curva, cada sombra daquele território que comandava. Quando entrei, tudo já estava limpo, organizado, as coisas no lugar — sinal de que os caras tinham chegado cedo.

