Pré-visualização gratuita Dois são demais - I
Amélia
- Cadê o Zed? - Pergunto assim que Zayn abre a porta.
- Uau, alguém aqui não tem muita educação - Zayn zomba e eu entro em sua casa revirando os olhos. - Ele está lá na cozinha, se te interessa tanto.
- Qualquer coisa sobre meu namorado me interessa - rebato caminhando pela enorme sala para chegar até onde me importa.
- Grande bosta - Zayn zomba e eu me viro para o olhar.
- Você não consegue ter um mínimo de empatia? Seu irmão foi atropelado! - Exclamo começando a me irritar. Zayn e eu vivemos em pé de guerra. Ele é o típico irmão chato, presunçoso e egoísta que na maioria das famílias tem. Nunca nos demos bem, em nenhum dia desde os dois anos que namoro com Zed nós dois fomos cordial ou educados um com o outro. E isso tudo por culpa dele, que subitamente começou a pegar no meu pé e nunca mais parou.
- Ele só quebrou o braço, não precisa disso tudo - Zayn revira os olhos mais uma vez e se joga no enorme sofá.
- Ele poderia ter morrido!
- Mas não morreu - Zayn me olha - Para de ser tão paranóica, assim vai acabar maluca - ri. Desgraçado.
- O que está acontecendo? - Escuto Zed e sua mãe saindo da cozinha e vindo até nós.
Olho para ele que têm um pequeno corte em cima da sobrancelha, e está com o braço enfaixado. Me aproximo e o beijo, podendo ouvir Zayn fazendo barulho de nojo propositalmente.
- Está tudo bem? - Pergunto preocupada olhando seus hematomas.
- Agora sim - Zed responde e sorri. É incrível como ele e Zayn são diferentes. Apesar de serem gêmeos eles não se parecem em nada. Zed é um perfeito cavalheiro, educado e amoroso. Enquanto Zayn é arrogante e debochado na maior parte do tempo. Felizmente eu escolhi o certo.
- Vocês poderiam parar com essa melação? Estou querendo manter meu almoço no estômago - Zayn faz piada e eu me viro para o olhar.
- Zayn, melhor ficar calado - sua mãe repreende e ele ri mais antes de voltar a olhar para a televisão.
- Vamos para cima? - Zed sussurra em minha orelha ignorando seu irmão, e eu concordo antes de caminharmos para as escadas. A casa dos Malik é uma das mais enormes que já conheci, além de ser luxuosa em tudo. No início eu me sentia deslocada em estar em um local que não fazia nenhuma ligação com a minha realidade, mas com o passar do tempo, Zed me mostrou que isso não tinha importância.
- Eu fiquei muito preocupada quando sua mãe me ligou - começo a dizer assim que entramos no quarto.
- Eu avisei para ela que não precisava, não foi nada de grave de qualquer maneira - Zed se senta na cama e eu me sento ao seu lado.
- Mas poderia ser - digo e coloco minha mão em sua bochecha. Zed sorri fracamente.
- Eu te amo - ele fala e eu me arrepio. Sempre é tão bom ouvir isso vindo dele.
- Eu te amo - falo de volta antes de o beijar. Zed coloca sua mão sem ferimentos em minha nuca, e intensifica o beijo. Levo os meus dedos para os seus cabelos negros e os puxo levemente enquanto ele me impulsiona para deitar na cama.
- Amor - murmuro quando Zed começa a beijar meu pescoço. - Não podemos, você está machucado - o recuo e ele para os beijos para me olhar.
- Nem mesmo uma rapidinha? - Faz bico. Eu rio.
- Tenho medo de te machucar ainda mais.
- Quer dizer que enquanto eu não melhorar, não vamos mais f********o?
- Não seria o melhor? - Ergo uma sobrancelha.
- Céus! - Zed resmunga e eu sorrio.
- Prometo... - me aproximo de sua orelha e sussurro - que quando estiver melhor... - beijo o lóbulo dela, por saber que é um dos seus pontos fracos - eu irei te recompensar - deixo um último beijo em seu pescoço e me afasto.
Zed geme em desaprovação e vejo que em meio as suas pernas um volume se formou. Sorrio orgulhosa de mim mesma.
- Isso é injusto, eu só quebrei o braço, não tem nada demais - ele continua a reclamar.
Abro a boca para o responder, mas seu celular toca em cima do criado mudo fazendo Zed pular como se fosse a coisa mais importante do mundo e atender.
- Alô?...Oi Niall...Sim...Mas como? Temos uma reunião agora...- Zed olha para mim e sorri - Eu acho que já sei...Traga ela para casa...Sim...Até daqui a pouco - finaliza e desliga.
- O que foi? - Pergunto vendo Zed enfiar o celular no bolso da calça.
- Preciso voltar para a empresa agora, havia me esquecido da reunião com os principais representantes - ele vai até o seu closet e volta dele segurando um terno.
- Como? Zed você acabou de sofrer um acidente, precisa ficar de repouso, não indo trabalhar - reclamo.
- Eu não morri Amélia, para de me tratar como se tivesse - Zed revira os olhos. - Poderia me ajudar a vestir isso?
Me levanto e o ajudo a colocar o terno. Se há um problema em Zed, é a sua obsessão no trabalho. Ele trata a empresa de sua mãe como se fosse a prioridade em sua vida. Sempre ela está em primeiro lugar. E isso é o que mais me irrita.
- Niall não poderia te substituir? - Insisto enquanto descemos as escadas para a sala.
- O Niall? Não mesmo. Ele pode ser competente, mas não o suficiente para cuidar disso sozinho - Zed fala com prepotência em cada palavra. Eu odeio quando ele age assim.
- Você é surpreendente. Quando vai parar de achar que essa empresa é mais importante que sua vida? - Pergunto e Zed para de andar no meio do hall de entrada. Vejo Zayn ainda no sofá, e agora sua atenção está em nós dois.
Zed se vira para mim.
- De onde tirou isso?
- Desculpe? Mas não se lembra das inúmeras vezes que cancelou algo comigo, porque tinha que ficar na empresa? Ou quando precisei de você quando estava doente, e você não deu importância? Agora é isso! Não faz três horas que sofreu um acidente e está voltando para a empresa - desabafo.
Zed une as sobrancelhas.
- Oh me desculpe se eu tenho uma responsabilidade em manter algo que significa muito para minha família, e para você não é nada.
- Eu não disse isso...
- Olha, eu realmente preciso ir, você poderia me entender e continuar essa conversa mais tarde? - Pede me deixando levemente com um peso na consciência. Eu não queria deixar parecer que não valia de nada a empresa, era por causa dela que eles tinham a casa, e tiravam o sustento. E eu sei como Trisha batalhou para construir isso tudo. Mas não acho justo o Zed não ter uma vida praticamente por viver em razão do trabalho.
Fico em silêncio por alguns segundos antes de o responder:
- Tudo bem - respiro. Eu sei que não vai adiantar de nada conversar com Zed agora, ele muito provavelmente ignoraria ou sairia correndo para a empresa me deixando falando sozinha, como já fez outras vezes. Além disso não quero falar sobre nossas coisas na frente de Zayn, que está sorrindo e se deliciando com a cena, enquanto come um sanduíche.
A campainha toca e Zed caminha para atender a porta. Niall aparece com sua filha de seis anos, Joey, que é colocada para dentro da casa.
- Preciso que cuide dela até eu voltar - Zed fala para mim. O que?
- O que? - pergunto e sem dizer nada, Zed fecha a porta e sai com Niall.
Fico parada de frente para a porta olhando para a pequena menina com sua bolsinha azul nas costas, sem saber o que fazer. Zed não tinha o direito em deixar uma garotinha assim sem me perguntar se eu estava disponível ou não. Agora temos mais um assunto para falar mais tarde.
- Vai ficar ai parada o dia todo? - Zayn finalmente diz algo.
- Porque não cala a boca? - rebato para ele.
- Igual você ficou calada enquanto meu irmão era um cuzão?
- Olha essa boca, tem uma criança aqui - reclamo sobre o palavrão para disfarçar que me senti atingida pelo o que ele falou. - Joey, quer vim se sentar? - chamo ela, que sorri fracamente e caminha para o sofá. Eu me aproximo e pego sua mochila das costas. - Está com fome? Quer beber algo?
- Não - Joey responde com a voz doce, e passa a pequena mão em seu cabelo cor de mel, tirando as mechas do rosto. Ela é muito parecida com seu pai.
- Tudo bem então - deixo sua mochila em cima da poltrona ao lado do sofá, e me sento perto de Joey.
Zayn me olha com um careta de descontentamento, e eu mando o dedo do meio para ele discretamente. Ele sorri.
- Você não sabe cuidar de uma criança mesmo hein? - Zayn começa.
- Oh, e você sabe? - desafio.
- Sei melhor que você - ele provoca.
- Bom, não estou interessada.
Zayn fica em silêncio, e eu penso que se ele se manter assim o resto do dia, eu agradeceria. Mas não dura dez minutos a paz em não está o ouvindo.
- Joey, quer sorvete? - ele oferece para a pequena do meu lado, que se empolga.
- Sim - ela responde entusiasmada abrindo um sorriso.
- Vamos para a cozinha então - Zayn se levanta e Joey pula do sofá para o chão. Ele segura na mãozinha dela, e os dois saem caminhando em direção a cozinha. Antes de cruzarem a porta, Zayn olha para mim por cima do ombro e pisca o olho em provocação. Bufo cruzando os braços no peito, sabendo que o dia será longo.
continua...