Capítulo 25 — O Primeiro Remédio

601 Palavras
O sol já começava a desaparecer atrás das montanhas quando o cheiro da carne assando se espalhou pela área da caverna. A fogueira queimava forte dentro do fogão de pedra que Dargan havia construído. A cobertura improvisada protegia o fogo do vento, fazendo a chama arder de forma constante. Góvia estava completamente concentrada. Sobre a mesa de pedra improvisada estavam espalhadas várias ervas que ela havia coletado ao longo dos últimos dias. Entre elas… As folhas prateadas do rio. Ela pegou uma delas e observou contra a luz do fogo. — Se minha teoria estiver certa… — murmurou. Com a faca pequena, começou a cortar as folhas em pedaços bem finos. Depois colocou tudo dentro de uma pequena panela de água quente. Dargan estava sentado perto da entrada da caverna, terminando de limpar os últimos pedaços do cervo que havia caçado. Seus olhos, porém, continuavam voltando para ela. — Isso vai ser comida… ou veneno? — perguntou ele. Góvia nem levantou o olhar. — Se fosse veneno, você já estaria morto. Kael, que havia voltado silenciosamente e agora estava sentado em cima de uma rocha próxima, começou a rir. — Eu gosto dela. Dargan ignorou completamente o comentário. Góvia mexia lentamente a panela. O cheiro que começou a subir era diferente de qualquer coisa que já havia sido preparada naquela caverna. Amargo. Mas fresco. Ela colocou algumas outras ervas junto. Algumas ajudariam a reduzir a toxicidade da planta prateada. Outras ajudariam na absorção. Seu conhecimento de química estava funcionando perfeitamente ali. Depois de alguns minutos, ela retirou a panela do fogo. O líquido dentro havia ficado levemente prateado. Góvia respirou fundo. — Vamos ver… Ela pegou uma pequena tigela de pedra e bebeu um gole. O gosto era horrível. Amargo. Quase metálico. Kael fez uma careta só de sentir o cheiro. — Isso parece morte líquida. Góvia ignorou. Por alguns segundos… Nada aconteceu. Então… Um calor suave começou a se espalhar pelo corpo dela. Primeiro no estômago. Depois no peito. Depois na pele. Era uma sensação estranha. Como se algo estivesse lentamente limpando seu sangue. Ela apoiou a mão na mesa por um momento. Dargan imediatamente percebeu. — O que aconteceu? — Nada. Ela respirou fundo. A sensação passou devagar. E quando levantou a cabeça… Algo estava diferente. Não era uma mudança enorme. Mas sua pele áspera parecia um pouco menos inflamada. As manchas escuras em seu braço haviam clareado levemente. Kael foi o primeiro a notar. Ele se aproximou alguns passos. — Hm… Seus olhos azuis analisaram o braço dela. — Isso é novo. Dargan também se aproximou. Ele pegou o braço de Góvia e virou levemente para observar melhor. Ela puxou o braço de volta. — Não toque sem pedir. Mas ele já tinha visto. A pele parecia… melhor. Dargan franziu a testa. — Você mudou. Góvia respondeu calmamente: — Eu disse que ia melhorar. Kael cruzou os braços. — Agora isso ficou interessante. Dargan pegou um pedaço da carne que estava assando. Provou. Ficou em silêncio por alguns segundos. Depois falou: — Ainda falta sal. Góvia suspirou. — Eu sei. Kael sorriu. — O tigre tem sal. Dargan lançou um olhar irritado. — Cale a boca. Mas Góvia já estava olhando para ele. — Você tem? Dargan ficou em silêncio. Depois respondeu: — Tenho. — Na minha caverna. Góvia levantou uma sobrancelha. — Então amanhã você traz. Dargan respondeu seco: — Talvez. Kael começou a rir novamente. — Ela já está te dando ordens. Mas o que nenhum dos dois percebeu… Era que dentro do corpo de Góvia… A primeira batalha contra o veneno… Tinha acabado de começar.
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