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Entre espinhos e veneno

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Sinopse

✅ Nome verdadeiro: Mateus Correia✅ Apelido: Veneno / Caos✅ Idade: 28 anos✅Líder da g****e:Serpentes negras ✅ Nome verdadeiro: Isabela Mendes ✅ Apelido:rosa n***a ✅ Idade:25 anos ✅Lider da g****e:Espinhos de aços Cresceram na mesma rua, lado a lado, a disputar tudo desde pequenos — espaço, atenção, respeito. Sempre se odiaram com uma força estranha e intensa, brigando e desafiando‑se a cada passo. Hoje, são os maiores líderes do crime da cidade, chefes de gangues rivais mortais: ele comanda as Serpentes Negras, ela governa os Espinhos de Aço. Lutam por território e poder, mas a verdadeira guerra é entre eles: querem destruir‑se, superar‑se… mas no fundo, apenas querem possuir‑se um ao outro. Só eles sabem quem realmente são, só eles conhecem os nomes que o resto do mundo nunca vai ouvir. E esse ódio está lentamente a transformar‑se numa paixão sombria, intensa e sem volta.

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Cidade de vidro quebrado
📖 Entre Espinhos e Veneno Capítulo 1 — Cidade de Vidro Quebrado A cidade nunca dormia de verdade. Ela apenas fingia. À noite, as luzes continuavam acesas, piscando fracas entre a névoa suja que pairava por cima dos telhados; os carros continuavam a circular com um ruído abafado, como se tivessem medo de fazer barulho; as pessoas continuavam a respirar, a andar, a olhar sempre para a frente… mas tudo parecia mais lento, mais pesado, como se o próprio ar estivesse cansado de existir e carregasse um segredo antigo e perigoso. Havia zonas onde a vida era barulho, música alta, luzes coloridas e gente a rir para disfarçar o medo. E outras onde a vida era silêncio absoluto, cortado apenas por passos apressados ou sussurros que ninguém queria ouvir. E entre esses dois extremos… havia medo. Um medo antigo, enraizado, que todos sentiam mas ninguém falava — o medo de cruzar a linha errada, entrar no território p******o e chamar a atenção de quem manda ali. No lado norte da cidade, as ruas pertenciam às Serpentes Negras. Ali, as paredes falavam mais do que as pessoas: grafites antigos riscados com tinta preta e vermelha, símbolos de cobras enroladas, marcas de território que apareciam e desapareciam sempre que alguém queria provar que era mais forte, mais c***l, mais poderoso que o anterior. As luzes dos postes eram fracas, quase derrotadas pela escuridão, e muitas estavam partidas há anos. E mesmo assim, ninguém reclamava. Quem vivia ali aprendia cedo que reclamar era um luxo perigoso — quem falava demais, desaparecia sem deixar rasto. No topo de um edifício antigo, de pedra escura e janelas grandes, parcialmente renovado para parecer moderno mas ainda cheio de sombras e cantos escondidos, um homem observava tudo com uma calma que assustava mais do que qualquer grito ou ameaça. Mateus Correia. Conhecido por muitos nomes: senhor do norte, chefe dos chefes, o demónio das ruas. Mas para quem realmente sabia quem ele era… apenas Veneno. Ou por vezes, Caos. Ele estava encostado ao vidro grosso da janela, as mãos nos bolsos do casaco de couro escuro, como se o mundo lá fora fosse apenas um detalhe irrelevante, um jogo que ele já tinha ganho há muito tempo. Os dedos dele batiam devagar contra a superfície fria, num ritmo quase mecânico, constante, sem pressa nenhuma. Calmo. Controlado. Mas havia algo errado naquela calma. Algo que não descansava, que fervia por baixo da pele, que estava sempre à espera de uma faísca para explodir. Os seus olhos claros, frios e penetrantes, percorriam as ruas como lâminas invisíveis. Nada escapava à sua atenção. Um carro a abrandar demais perto de um armazém seu. Um g***o de homens a falar baixo demais, escondidos numa esquina escura. Um silêncio que durava mais do que devia numa rua onde normalmente passava gente. Tudo era informação. Tudo era possível ameaça. Tudo levava a ela. Atrás dele, um dos seus homens mais de confiança aproximou‑se com passos cautelosos, de cabeça baixa, sem ousar interromper‑lo de repente. Sabia que era o único direito que tinha: viver. — Chefe… recebemos notícias. Os Espinhos de Aço reforçaram a zona leste com mais homens e armas. Parecem estar a preparar‑se para algo grande, para tomar mais espaço. Mateus não respondeu imediatamente. O silêncio prolongou‑se tanto que o homem deu um passo para trás, pensando que talvez não tivesse sido ouvido, ou que tinha dito algo de errado. Mas então, a voz veio — baixa, arrastada, suave como um sussurro mas pesada como uma sentença de morte: — Eles não preparam‑se para nada. Ele virou ligeiramente o rosto para trás, sem sair da janela. Um sorriso pequeno, torto e perigoso apareceu‑lhe nos lábios, um sorriso que não chegava aos olhos. — Eles apenas reagem. Como sempre fazem. O homem franziu o sobrolho, confuso e receoso. — Isso… isso não é a mesma coisa, chefe? Preparar ou reagir? Mateus finalmente virou‑se por completo, olhando para o seu subordinado de cima a baixo com aquele olhar vazio que fazia tremer até os mais corajosos. — Não. De maneira nenhuma. Fez uma pausa demorada, deixando o silêncio explicar o que as palavras não diziam. — Quem prepara… tem o controlo de tudo nas mãos. Sabe o que vai acontecer, quando e como. O sorriso aumentou um pouco, ganhando um brilho estranho, quase doente. — E ela… Isabela… ela nunca, mas nunca aceita não ter o controlo de tudo o que se passa à sua volta. Prefere lutar contra tudo e todos a deixar que alguém decida por ela. Ao dizer o nome dela, algo mudou no ar ao redor dele. Não era raiva aberta, nem amor declarado. Era algo muito mais perigoso: uma memória que nunca desapareceu, uma obsessão que crescia a cada dia, uma ligação feita de ódio e de d****o, nascida há muito tempo, quando ainda eram apenas duas crianças a disputar espaço na mesma rua suja. Ele virou‑se de novo para a janela, olhando na direção oposta da cidade, como se conseguisse vê‑la através de prédios e distâncias. — Ela pensa que me desafia. Mas na verdade… ela só faz o que eu quero que ela faça. Sempre fez. Do outro lado da cidade, no território controlado pelos Espinhos de Aço, o ambiente era completamente diferente. Não havia grafites caóticos nem luzes mortas. Tudo estava limpo, arrumado, organizado até ao mais pequeno detalhe. Havia ordem. Havia precisão. Havia uma disciplina quase c***l que ninguém ousava quebrar — quem desobedecia, desaparecia sem deixar rasto, tal como no outro lado, mas aqui fazia‑se tudo com calma e estratégia, nunca por pura força ou crueldade sem sentido. Num armazém grande, alto e silencioso, limpo demais para ser um lugar de negócios proibidos, uma mesa comprida de metal ocupava o centro da sala. Sobre ela estavam mapas detalhados de toda a cidade, relatórios escritos à mão, fotografias de homens e locais, linhas vermelhas grossas a cruzar ruas, armazéns e pontos estratégicos — tudo marcado com cuidado, tudo estudado até à exaustão. E em pé, no meio disso tudo, de costas para a porta, estava Isabela Mendes. Ela não precisava de elevar a voz para ser ouvida ou respeitada. Bastava a sua presença firme, calma e cheia de determinação para fazer todos se calarem e esperarem pela sua ordem. Cabelos escuros e brilhantes caíam‑lhe soltos sobre os ombros, olhos profundos e atentos percorriam cada linha do mapa com uma atenção fria e afiada como uma lâmina. Movia‑se devagar, com confiança absoluta, como se cada passo seu tivesse sido planeado mil vezes antes de acontecer. Atrás dela, os seus homens mais próximos esperavam em silêncio, de cabeça erguida mas sem ousar falar ou mexer‑se sem permissão. Sabiam quem era a sua chefe: a mulher que tinha construído aquele império sozinha, contra todos, contra o mundo, contra ele. Isabela passou o dedo longo e fino por uma rota marcada a vermelho forte, seguindo cada curva da rua até chegar ao limite do território inimigo. — Ele vai mandar homens testar a zona leste amanhã ao amanhecer — disse ela, com voz calma, baixa e clara, sem dúvida nenhuma nas palavras. — Vão fazer pequenos roubos, ameaçar lojistas, deixar as suas marcas. Tudo para ver como reagimos. Um dos homens hesitou um instante antes de perguntar com cuidado: — Ele? Quer dizer… o Veneno? Isabela levantou ligeiramente o olhar do papel, virando‑se só um pouco para ele. E aquele pequeno movimento, aquele olhar firme e penetrante, fez o homem corrigir‑se imediatamente, quase a tremer: — Desculpe… quer dizer, o Mateus. Ela não respondeu diretamente à pergunta, nem aprovou nem repreendeu. Apenas confirmou com um movimento lento e curto de cabeça, os olhos a brilharem com uma mistura de raiva e saudade que ninguém ali conseguia entender. — Ele nunca ataca diretamente quando quer provocar. Primeiro observa, estuda cada movimento nosso, cada erro que possamos cometer. Depois faz algo pequeno para nos obrigar a agir à pressa, a errar por desespero. Ela afastou o mapa com um movimento seco e forte da mão, como se quisesse afastar também a imagem dele da sua mente. — Sempre faz assim. Sempre quis controlar tudo, inclusive a mim. Desde pequeno que pensa que pode mandar em tudo o que vê. Houve um silêncio pesado na sala. Depois, ela continuou, mais baixa, como se falasse para si mesma: — E depois força alguém a errar para poder dizer que tinha razão, que é o mais forte, que só ele sabe governar. Os olhos dela estreitaram‑se um pouco, enchendo‑se de determinação feroz. — Mas desta vez… não vamos cair na armadilha. Não vamos ser nós a dar‑lhe o que ele quer. Desta vez, sou eu que vou mandar no jogo. Lá fora, a cidade continuava a fingir normalidade. Os carros passavam, as luzes piscavam, as pessoas andavam com pressa. Mas algo estava a mudar no ar, algo que só eles dois sentiam. Era como a pressão forte e pesada que se sente antes de uma tempestade enorme — tudo calmo, mas prestes a desabar e destruir tudo à passagem. Mateus saiu do edifício sozinho, sem escolta visível, sem armas à mostra. Não precisava de ninguém para o proteger — ou talvez apenas não gostasse de parecer que precisava de ajuda de ninguém. As ruas abriram‑se à sua passagem como se o reconhecessem antes mesmo de o verem: algumas pessoas baixavam imediatamente o olhar para o chão, outras atravessavam a rua para o outro lado, ninguém ousava cruzar‑lhe o caminho. Ele não reparava nelas. Não eram importantes, não tinham valor no seu mundo. O que era importante estava sempre do outro lado, sempre longe, sempre p******o… e sempre a chamar por ele. Isabela entrou no seu carro preto, comprido e escuro, sem hesitar um segundo. A porta fechou‑se com um som seco e pesado, isolando‑a do mundo exterior. O motorista não perguntou para onde iam — sabia muito bem qual era o caminho que ela queria seguir, o caminho que a levava cada vez mais perto do inimigo que não conseguia deixar para trás. O motor arrancou suavemente e o veículo deslizou pelas ruas iluminadas por luzes frias e fracas. Ela encostou‑se ligeiramente no banco de couro, olhando pela janela para fora, vendo a cidade passar como um borrão confuso e organizado ao mesmo tempo. E no meio desse caos controlado, um pensamento insistente voltou a aparecer na sua cabeça, como aparecia quase todas as noites: ele. Mateus. Não apenas como inimigo, como chefe rival, como perigo para a sua gente. Mas como algo que fazia parte dela desde sempre, algo que nunca tinha deixado de existir, por mais que tentasse apagar ou esconder. O único que a conhecia verdadeiramente, o único que sabia onde doía, o único que conseguia fazê‑la sentir raiva… e algo muito mais perigoso. Em lados opostos da cidade, ao mesmo tempo, ambos viraram‑se e olharam para a mesma direção, como se uma corda invisível os ligasse e puxasse um para o outro. Sem se verem. Sem se encontrarem. Mas como se algo dentro deles tivesse reconhecido o outro antes do mundo inteiro. E foi aí que tudo começou de novo. Não a guerra — essa já existia há anos, desde que eram crianças a disputar o mesmo pedaço de chão. Mas aquilo que vinha depois. Aquilo que ninguém conseguia nomear, que ninguém ousava dizer em voz alta. Um ódio que queimava tão forte que se transformava em fogo. Uma ligação feita de sangue e memórias. Uma história que ainda estava muito longe de acabar. Continua…

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