NARRAÇÃO: DANIEL BITTENCOURT Eu estava no meu escritório, a cobertura monumental do Bittencourt Tower, revisando os últimos detalhes da fusão agressiva com a Lufthansa. Meus olhos percorriam os gráficos de projeção de mercado e as cláusulas de governança corporativa, mas meu foco real, aquele instinto predatório que me fez bilionário antes dos trinta, estava em outro lugar. Mais precisamente, no relógio de parede de platina. Eram nove e quinze da manhã. O verme do Francisco Lacerda estava exatamente quinze minutos atrasado. E eu não lido com atrasos. No meu mundo, o tempo não é apenas dinheiro; o tempo é o recurso mais escasso e valioso do universo, e aquele alcoólatra de quinta categoria estava desperdiçando o meu de forma ultrajante, como se a vida dele não dependesse da minha paciênci

