NARRAÇÃO: DANIEL BITTENCOURT — Escuta bem, Bittencourt — ela sibilou, a voz saindo como uma lâmina gélida que cortava o ar condicionado da cobertura. — Eu assinei. O seu contrato de merda está aí, com o meu nome e a minha alma empenhados. Mas agora você vai cumprir a sua parte, centímetro por centímetro. O cartório pode ser quando você quiser, mas até o dia dessa assinatura oficial e daquela certidão maldita, você vai me deixar em paz. Ela deu um passo à frente, ignorando a minha estatura, o meu terno de cinco mil dólares e a aura de poder absoluto que costumava fazer homens feitos gaguejarem em reuniões de conselho. Ela invadiu o meu espaço pessoal com uma audácia que beirava o suicídio social. — Não me procura. Não me liga com essa sua voz de dono do mundo. Não manda os seus carros de

