NARRAÇÃO: DANIEL BITTENCOURT — Jamais. — A palavra saiu da boca dela como um disparo de fuzil, curta, seca e definitiva, ecoando pelas paredes acústicas do meu escritório como uma declaração de guerra. — Eu jamais vou me deitar com um homem como você, Daniel. Nem por contrato, nem por ameaça, nem se você fosse o último ser humano respirando nesta terra imunda e em decomposição. Soltei uma risada gutural, um som que não tinha nada de humor e tudo de escárnio puro. Aproximei meu rosto do dela, reduzindo o espaço a zero, invadindo o ar que ela respirava até sentir o calor da indignação dela emanar contra a minha pele como uma fornalha. Minhas mãos, que antes estavam apoiadas na parede de jacarandá, subiram com uma rapidez predatória, quase animal. Segurei o rosto dela com força, meus dedos

