NARRAÇÃO: DANIEL BITTENCOURT Eu nunca tinha sido agredido em toda a minha vida ninguém, absolutamente ninguém fosse no submundo dos negócios ou nas altas rodas da aristocracia financeira jamais teve a coragem ou a estupidez suicida de levantar a mão para um Bittencourt. No meu mundo, as pessoas baixam o tom de voz e o olhar quando eu entro em uma sala; elas pedem permissão para respirar o mesmo ar que eu. Mas Mariana estava ali, a poucos centímetros de mim, com o peito subindo e descendo num ritmo frenético de um animal acuado, os olhos injetados de uma fúria tão crua, tão primitiva, que parecia querer me incinerar onde eu estava. — Você é um desgraçado! — O grito dela saiu rasgado, vindo do fundo de uma garganta seca de cansaço e poeira, carregado de um veneno que eu nunca tinha prova

