NARRAÇÃO: DANIEL BITTENCOURT O motor da Maybach exalou um último suspiro de potência, um ronco abafado que morreu conforme a eletrônica de ponta selava o silêncio sepulcral da cabine blindada. Olhei pelo vidro fumê e a estrutura monumental da minha mansão parecia se fechar sobre nós como as mandíbulas de um tubarão de concreto e vidro espelhado. Era o meu domínio, o altar do meu ego, e agora, a gaiola de ouro da minha mais nova e problemática aquisição. O motorista saltou e abriu a porta com uma reverência mecânica, mas Mariana permaneceu imóvel. Ela estava fundida ao couro do assento, as mãos cravadas no estofado com tamanha força que os nós dos seus dedos pareciam pérolas brancas sob a luz interna. Ela não ia facilitar. Eu via o brilho de desafio nos olhos dela, uma recusa silenciosa e

