Capitulo 50 Arlete

1164 Palavras

NARRAÇÃO: ARLETE LACERDA O som do motor daquela fera de metal preta rugiu do lado de fora, um som que não pertencia ao nosso asfalto esburacado, um som que cheirava a poder e a fim de linha. Eu vi, pela fresta da cortina encardida, a minha Mariana ser conduzida como uma rainha indo para o cadafalso. Ela não olhou para trás. E eu agradeci a Deus por isso, porque se ela visse o estado da minha alma agora, ela morreria um pouco mais. O silêncio que se instalou na sala quando a porta bateu foi ensurdecedor. Era o silêncio de um lugar onde o ar acabou. Eu estava ali, com o pano de prato na mão, sentindo o gosto de bile e sangue, o corpo moído por décadas de "sim, senhor" e "me perdoa". Francisco estava parado no meio da sala, o peito estufado com uma arrogância nova, uma pose de quem acabou

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