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1179 Palavras
Mikhail. Meu p*u está duro como pedra. Porra. A pressão dentro da calça é quase dolorosa, pulsando com cada batida do meu coração, como se meu próprio corpo estivesse me desafiando. Eu cerro os dentes, respirando fundo pelo nariz enquanto encaro o asfalto escuro do estacionamento do restaurante. Controle. Eu preciso de controle. Porque não posso passar a noite com Isabella. Não posso sequer pensar nisso. Ela é filha de Romero. Meu melhor amigo. O homem que já colocou uma arma na mão para me proteger. O homem que confiaria a própria vida a mim sem hesitar. E eu estou aqui… lutando contra o impulso de arrastar a filha dele de volta para dentro daquele banheiro e afundar meu p*u nela até esquecer meu próprio nome. Passo a mão pelo rosto, irritado comigo mesmo. — Que p***a você está fazendo, Mikhail… — murmuro. Eu tenho um filho quase da idade dela. Ela é só uma menina. O pensamento bate como um soco no estômago. Eu poderia ser o pai dela. E aqui estou eu, agindo como um adolescente i****a que não consegue controlar o próprio p*u. Como se os hormônios fossem desculpa para perder a cabeça. Patético. Levanto o olhar. Isabella está parada alguns metros à frente, perto da saída do estacionamento. A luz amarela do poste ilumina o rosto dela, revelando a expressão furiosa que ela tenta — e falha — em esconder. Ela está linda. Porra. Linda pra c*****o. Os cabelos loiros caem bagunçados pelos ombros, bagunçado pelo vento da noite. Pelo meu toque feroz. Os olhos dela — aqueles malditos olhos intensos — brilham de raiva enquanto me encaram. — Não quero que você me leve para casa — ela diz. A voz dela é baixa, mas carregada de indignação. Cruzo os braços, tentando parecer frio, indiferente. — Você não tem que decidir nada, você vai comigo. Ela solta uma risada seca. — Claro. Porque o grande Mikhail sempre faz o que é certo, não é? — Isabella… — Não! — ela me corta. — Não vem com esse tom condescendente comigo. Eu inspiro lentamente. Deus me dê paciência. — Eu estou tentando evitar um problema. — Ah, está? — ela rebate, os olhos faiscando. — Engraçado, porque parece mais que você está fugindo. A provocação atinge o alvo. Meu maxilar trava. Ela dá um passo mais perto. — Você acha que eu não percebo? O efeito que provoco em você — ela continua. — A maneira como você me olha. Merda. — Você está imaginando coisas. — Não estou. A voz dela é firme. Perigosa. Meu corpo inteiro fica tenso. Porque ela está certa. E nós dois sabemos disso. Por um segundo, o silêncio pesa entre nós. O ar parece denso. Carregado. Então Isabella balança a cabeça, frustrada. — Esquece — diz ela. Ela passa por mim, o perfume suave atingindo meu nariz e embaralhando meus pensamentos. — Isabella. — Não. Ela não para de andar. — Eu vou embora sozinha. Paro no meio do estacionamento. — Você não vai andar sozinha a essa hora. Ela vira o rosto por cima do ombro. Os olhos dela brilham de desafio. — Ah vamos vê se não — ela diz em desafio. E continua andando. Porra. Eu solto um suspiro irritado e passo a mão pelo cabelo. Essa garota vai me deixar louco. — Vai na frente — digo finalmente. — Eu vou pegar o carro. Ela não responde. Só levanta a mão no ar, num gesto irritado, enquanto segue em direção à rua. Fico parado alguns segundos, observando ela se afastar. Algo dentro de mim se contorce. Um instinto antigo. O mesmo que me manteve vivo por décadas. Algo não parece certo. Mas talvez seja só paranoia. Viro e caminho até o carro. O som das minhas chaves ecoa no estacionamento quase vazio. Destranco a porta e entro, ligando o motor. O ronco baixo do motor corta o silêncio. Saio da vaga e sigo lentamente em direção à saída. E então vejo. Dois homens. Parados perto da calçada. Eles estão posicionados exatamente no caminho que Isabella acabou de pegar. Meu estômago se contrai. Eles não parecem clientes. Nem moradores. Roupas escuras. Postura rígida. Olhos atentos demais. Um deles olha diretamente para mim. E desvia o olhar rápido demais. Meu sangue esfria. — Merda. Acelero o carro. Quando viro na esquina, vejo Isabella caminhando na calçada, a alguns metros deles. Ela ainda está irritada, andando rápido, braços cruzados. Ela não percebe. Mas eu percebo. Porque os dois homens começam a se mover. Um deles se posiciona atrás dela. O outro atravessa a calçada. Bloqueando o caminho. Meu coração dispara. — Isabella! Ela me olha apavorada. O primeiro homem agarra o braço dela. Tudo acontece em segundos. Isabella solta um grito. Um grito furioso, não assustado. — Me solta! Ela tenta puxar o braço. O segundo homem pega o outro. Meu sangue entra em ebulição. Acelero. O motor ruge quando piso fundo. Os pneus cantam no asfalto enquanto o carro dispara na direção deles. — FILHOS DA p**a! — eu rosno. Um dos homens olha para mim. E eu vejo. Eles não estão surpresos. Eles estavam esperando. Mas isso não importa. Porque eu estou a dois segundos de atropelar os dois. Isabella me vê. — MIKHAIL! Um dos homens tenta puxá-la para trás, provavelmente para dentro do carro escuro estacionado ali perto. Não vai acontecer. Não enquanto eu estiver respirando. Giro o volante violentamente. O carro sobe metade da calçada. Freio com força. A porta abre antes mesmo do carro parar completamente. Eu saio como um animal. Raiva pura correndo nas veias. — Tira a p***a das mãos dela! O primeiro homem solta Isabella e vem para cima de mim. Erro dele. Meu punho encontra o rosto dele com força suficiente para quebrar um nariz. O estalo ecoa na rua. Ele cai. O segundo homem tenta reagir. Isabella chuta a perna dele com força. — Seu desgraçado! Eu avanço. Agarro a gola da jaqueta dele e o jogo contra o carro. O impacto faz o metal vibrar. — Quem mandou vocês?! Ele não responde. Só cospe sangue. Atrás de mim, o primeiro homem tenta se levantar. Isabella pega algo do chão — uma pedra — e acerta o ombro dele. — Fica no chão! Por um segundo, fico impressionado. Então o segundo homem me empurra e se solta. — Vamos! — ele grita para o parceiro. Os dois correm para o carro escuro. Eu avanço, mas eles já entram no veículo. O motor liga. Os pneus cantam. E eles desaparecem na rua. Silêncio. Pesado. Minha respiração está descontrolada. Eu me viro lentamente. Isabella está parada alguns passos atrás. O peito subindo e descendo rápido. Os olhos enormes. Cheios de adrenalina. E algo mais. Ela me encara. — Isso… — ela respira fundo — …não foi coincidência. Eu já sei disso. Porque aqueles homens não estavam ali por acaso. Eles estavam esperando. Esperando por ela. E uma pergunta gelada atravessa minha mente. Quem diabos quer sequestrar a filha de Romero? Ou pior. Quem sabia exatamente onde encontrá-la esta noite?
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