CAPÍTULO 39 AUGUSTO NARRANDO Eu sabia que ela tinha saído antes mesmo de olhar para a porta. Tem coisas que a gente sente. E Cecília… eu sentia. Quando a vi atravessar o salão com aquela postura impecável, mas com os ombros levemente tensos, eu entendi. Ela precisava de ar. E eu precisava ir atrás. Não por impulso. Eu não sou homem de impulso. Mas porque aquela conversa ainda não tinha terminado. Empurrei a porta lateral e a noite me recebeu com silêncio e vento frio. A música ficou abafada atrás de mim. Ela estava de frente para o jardim. Sophia ao lado. As duas se viraram quase no mesmo instante. Sophia me lançou um olhar avaliador. Depois olhou para Cecília com aquele sorriso insinuante. — Vou buscar água — ela disse, claramente mentindo. E entrou de volta, nos deixando sozinhos

