Amber Brown
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— Dylan ... — Meus olhos não acreditavam no que eu via, isso não era possível, por que diabos, de todos os malditos homens do mundo, tinha que ser justamente ele o homem que estava naquela posição a minha frente, quantos caras eu já namorei ? Dez ? Vinte ? Nem eu sou capaz de numerar, e justo o que teve o fim mais trágico é o que está aqui, seu sorriso m*****o não me engana, ele armou isso, armou para que eu estivesse aqui, ele é sobrinho do Bob, com certeza sabe tudo que passei, sabe minha situação atual, e fez isso para me humilhar.
— Receio que não seja oportuna essa vaga, irei retirar minha candidatura, obrigada pela oportunidade — Optei pela cordialidade, não dava para eu simplesmente arranhar aquela cara linda até vê-la toda machucada e sangrando, eu precisava sair pela tangente imediatamente, e era isso que eu faria, ou a minha situação ficaria cada vez pior.
— Pelo contrário Amber ! — Era assutadora a forma como ele apreciava o meu nome saindo de seus lábios — Acho que você é perfeita para a vaga, meu tio me contou das adversidades que você e sua mãe tem passado, então disse a ele que eu te contrataria, visto que você precisa trabalhar, agora que não existe mais dinheiro ou herança. — Ele sorriu novamente, de modo m*****o, ele estava adorando me ver naquela posição de subalterna, senti meu sangue ferver, e a vontade de xingá-lo quase espumando em minha boca.
— Receio que você esteja enganado Dylan, mesmo com todas as, como você disse mesmo ? Adversidades que eu tenho passado, ainda possuo reservas que podem me manter por algum tempo — Usei minha melhor face de indiferença e minhas palavras soaram firmes como eu gostaria, não aceitaria ser rebaixada por ele.
— Espero que tenha certeza do que está falando, a vaga é sua agora, se quiser, mas caso saia por aquela porta e não consiga nada, ela não será tão simples de conseguir de novo ! — O desgraçado estava se divertindo as minhas custas, era tão claro, isso estava me deixando louca.
— Não vou precisar ! Passar bem ! — Sem mais me manter naquele antro de perdição, sai pela porta e não olhei para trás.
Desci pelo elevador respirando fundo, tentando regular o batimento acelerado do meu coração, isso não podia estar acontecendo, Dylan sempre foi muito humilde, ele trabalhava como jardineiro na nossa casa, eu o achava bonito, mas ele era bem mais magrinho na época, e não forte como agora, com certeza malhou muito para ganhar o corpo que ganhou, eu não sabia dos laços familiares dele com Bob, talvez tenha sido dessa forma que ele conseguiu o emprego em minha mansão, eu gostava de ficar com alguns funcionários, homens pobres adoram meninas ricas, e eu dormia com todos empregados bonitos que tinhamos.
Nunca fui pudica, virgindade para mim não valia de muita coisa, eu gostava de sentir prazer, e gostava do prazer que o sexo me dava, então nunca tive problemas em f********o sem compromisso, porém, eles sempre se apaixonavam por mim, e queriam levar o relacionamento a sério, não foi diferente com Dylan, porém minha situação com ele foi bem mais trágica, ele realmente ficou muito apaixonado, e sofreu muito quando eu não quis mais ficar com ele, suspirei fundo, não queria mais pensar nisso.
Saí do prédio e fui dar uma volta no central park, era bem próximo, se não fosse ele o chefe, eu com certeza sairia de lá empregada, e viria correr todos os dias aqui depois do trabalho, mas infelizmente, as coisas não sairam como eu planejei, eu jamais trabalharia com ele, esse homem quer ver meu cadaver, num buraco muito, muito profundo, ele quer vingança, eu sei que sim, ele me prometeu isso, mas não posso deixar que ele consiga, basta eu ficar longe, e tudo vai dar certo para mim, confiante fui até a estação de metro, era cheio, eu detestava o cheiro, mas pelo menos a viagem era rápida, eu logo estaria em casa.
Como previ, não demorou muito para que eu chegasse em casa, subi as escadas que rangiam a cada pisada que eu dava e fui me banhar, não haviam muitas roupas, precisava lavar minhas roupas intimas no banho mesmo, para que eu tivesse sempre as peças limpas para uso, tão logo eu consiga um emprego comprarei algumas, depois do banho desci e fui preparar uma sopa para jantar, mamãe não se movia para fazer nada, estava cansada disso, eu precisava ter uma conversa séria com ela, era injusto ficar tudo nas minhas costas, mamãe não era velha, não era tão nova, mas ainda tinha saúde.
Depois de comer minha sopa fui até o quarto dela, chegando lá vi uma carta que estava em sua cama, abri e li aquilo que me desestabilizou completamente: "Não posso viver nessa miséria, não nasci para essa vida, eu tinha um namorado antes de casar com seu pai, ele sempre foi apaixonado por mim, então entrei em contato com ele e descobri que a esposa dele havia falecido, conversamos e ele decidiu me dar uma chance ontem, hoje depois que você saiu eu me mudei para a casa dele, pedi que eu pudesse levá-la, mas ele disse que apenas eu poderia ir, sinto muito, tentarei pegar algum dinheiro para você! Se cuide, arrume um homem para te bancar, você é bonita, logo conseguirá algo. Com amor, mamãe!"
Eu estava sozinha, era isso, não que minha mãe fosse uma boa companhia, ela era enquanto não haviam privações, mas depois delas, tudo entre nós meio que ficou estranho, e agora ela simplesmente vai embora e me deixa nessa casa velha, caindo aos pedaços, em um bairro que todo mundo me odeia, sem dinheiro, sem emprego, que tipo de mãe é ela que abandona sua filha a própria sorte, senti meu olhos se enxerem de água gradativamente, meu coração dilacerado pelo recém abandono, deitei em sua cama e chorei como ainda não havia chorado, desde que papai foi preso.
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No dia seguinte me levantei me sentindo moída, chorei por horas, pensando no que eu faria para conseguir me manter, vasculhei todo o quarto que mamãe usava, na vã esperança de encontrar o anel que ela tinha conseguido manter, talvez eu quisesse me iludir que ela pudesse ter dado algum mole e o esquecido, mas era claro que eu estava me enganando, mas a esperança é algo forte em nós, eu quis acreditar, talvez me forçar a procurar para não me sentir tão abandonada como eu estava me sentindo nesse momento.
Depois de exatamente duas horas procurando por nada em lugar nenhum, resolvi descer, eu não podia ficar naquela situação, precisava encontrar soluções, e procurar por esse maldito anel era basicamente fechar os olhos para a minha realidade atual, e ela não era nada favorável para mim, eu precisava de um emprego, e era isso que eu faria a partir de hoje, não pararia até encontrar um, não importasse em que.
Saí de casa nesse dia, e em todos os trinta dias seguintes, e absolutamente nenhum lugar que eu deixava meu currículo me chamava, eu comia pouco, mas agora eu oficialmente não tinha nada para comer, a situação estava bem delicada, eu sentia que alguém estava me prejudicando deliberadamente, pois nada, ninguém, nenhum lugar, como isso era possível, eu praticamente implorava por uma vaga, eu quase, por muito pouco me ofereci para trabalhar apenas para ter comida, e nem assim foi possível, estamos na América, emprego não é dificil assim aqui.
Eu estava me controlando para não cair em desespero, mas a situação era desesperadora, completamente desesperadora, eu já tinha rodado todos os shoppings, lanchonetes, empresas de maquiagem, eu não sabia mais o que fazer, ou aonde procurar emprego, estava sentada no chão da sala pensando no que eu faria para conseguir sair dessa, até que escuto alguém batendo na porta, me levanto lentamente e vou abri-la
— Bob! — Senti vontade de chorar pela humilhação, eu sabia exatamente o que ele estava fazendo ali!
— Você não precisa passar por isso sozinha Amber! Aceite o emprego! Dylan me disse que a vaga ainda está em aberto, me pediu para te avisar que se você ainda a quiser, basta aparecer lá amanhã com seus documentos, e pronta para trabalhar, ele vai te contratar! — Olhei para ele me sentindo um lixo por depender da sua benevolência.
— Eu vou conseguir um emprego — Falei, me agarrando ao meu orgulho, eu não queria me render.
— Você sabe que não, não insista no que não vai dar certo! Dylan está te dando uma última chance, se não quiser ir amanhã, não vá, mas ele não vai ter dar outra oportunidade, pense bem!
Eu não havia notado, mas em suas mãos havia uma sacola de supermercado, ele entrou na casa e deixou a sacola na bancada, acenou para mim e saiu, sem mais explicações, eu já havia entendido esse jogo, Dylan tirou todas as minhas oportundade, para que eu não tenha opção e tenha que aceitar trabalhar para ele, e ele tinha vencido essa batalha, por mais que eu não quisesse, eu já sabia qual seria o meu destino.
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