Capitulo 92

1009 Palavras

A porta de ferro maciço do galpão bateu com um estrondo violento, metálico e seco, quando os meus vapores jogaram a carcaça ensanguentada e moída do Jorge direto na lama e na vala da viela. O baque abafado ecoou na boca de fumo, misturando-se ao som contínuo e irritante da chuva pesada que castigava implacável o telhado de zinco da Nova Esperança. Eu fiquei ali, largado na minha poltrona de couro, girando distraidamente a pedra de gelo no fundo do meu copo de uísque, com os olhos vidrados e frios cravados na poça de sangue escuro que o cachorro velho tinha deixado marcando o meu piso de cimento. O meu peito subia e descia no ritmo acelerado de uma adrenalina que custava a baixar. Eu tinha acabado de dar uma demonstração pública de força, rasgando o rádio-peão da favela inteira para mostra

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