Narrado por Júlia O barulho daquela chave girando na fechadura foi o som exato da tampa do meu caixão sendo lacrada para a eternidade. O eco daquele estalo metálico bateu nas paredes daquele quarto imenso e voltou rasgando os meus ouvidos, confirmando que a minha vida, a minha paz, a minha inocência e o meu futuro haviam acabado de ser aniquilados para sempre. Eu estava ali, jogada de qualquer jeito naqueles lençóis de seda frios, encolhida como um animal ferido, esmagado e abandonado no meio da rua, sentindo o meu corpo inteiro convulsionar em um colapso tão violento que eu não conseguia controlar nem um único músculo. Tudo parecia um pesadelo alucinante, um delírio terrível de onde a minha mente implorava para acordar, mas a dor... a dor física lancinante e a desolação absoluta na alma

