NARRADO POR BENJAMIM. As semanas que se arrastaram depois do enterro da dona Marta foram um verdadeiro purgatório na terra, um breu absoluto que engoliu qualquer resquício de paz que ainda pudesse existir naquele barraco. O luto de verdade é uma parada covarde que não avisa, não pede licença, não bate na porta e não tem um pingo de pena de ninguém. A Serena virou um verdadeiro fantasma ambulante dentro daquelas paredes de madeira rangente. O brilho daquela anja tinha simplesmente apagado por completo. Eu via a mina mofando no canto, calada o dia inteiro, abraçada nas roupas velhas e desbotadas da coroa, com umas olheiras fundas que pareciam rasgar a alma de quem tivesse a ousadia de olhar. A dor dela batia no meu peito igual a um tiro de fuzil à quemima-roupa. Eu não podia arrancar a saud

