• Capitulo 04

2208 Palavras
"Não tenha medo de não ter ninguém. Tenha medo de ter alguém e, ainda assim, se sentir sozinha." ———————————————————— Horas antes ... Já passava das 18:00 quando alguém bate insistentemente na porta da casa do Kamael. Berriere estava dormindo, quando escutou os murros na porta da frente. Se levantando assustada, corre para ver quem é. — Meu Deus, quem será uma hora dessa!? — Reclamou, abrindo a porta. Na sua frente, havia um policial alto com uma aparência de cansado. O encarando sem entender, observa o jeito cauteloso que a abordava, pedindo para que respire devagar e que tenha calma. Naquele momento sua vida viraria do avesso. — Sinto muito pelo incômodo Sra. Mondova, não trago boas notícias. Infelizmente seu marido Kamael Mondova sofreu um terrível acidente e veio a óbito. — Cautelosamente, passou a informação para Berriere que se apoiou na porta sem dizer uma palavra. — Poderia vir comigo até a delegacia para o reconhecimento do corpo? — Não pode ser! Ele não pode ter morrido! — Sussurrou para o policial que não entendeu nada do que disse. — Saiu de casa hoje brigado comigo senhor, não tive tempo de pedir desculpas por deixá-lo irritado. — Se sentindo culpada pelo estresse dessa manhã, fecha os olhos e respira fundo. — Meu amor se foi. — Venha comigo! Tem mais alguém que possa te ajudar com o processo de liberação do corpo? — Não. Era filho único com pais já falecidos. — Sinto muito. — Lamenta com uma voz triste. Pegando sua bolsa e as chaves tranca a casa e entra na viatura com o policial. Em sua cabeça pensava: não pode fazer isso comigo. Como vou viver sozinha? Kamael era tudo para mim, eu só tinha a ele. — Meu Deus! — Exclamou alto. — Sei que é difícil Sra. Mondova, mas ficará tudo bem. O luto é c***l, nos deixa vulnerável e pior ainda, sempre vem com a culpa. Nos culpamos por coisas que deveriam ter sido feitas ou ditas, que não tivemos coragem de falar ou expressar. Se mantenha firme e acredite em mim, vai doer, mas vai passar. — Sair da casa do meus pais direto para casa dele. Não tivemos um filho nem nada. Como será viver sozinha naquela casa imensa?! — Desabafa. Presa em seus pensamentos, nem percebe que está no hospital. — Venha comigo! — A levando a uma sala no final do corredor, o policial tenta explicar que a visão que teria dentro da sala era chocante. Ela cobre a boca na tentativa de engolir o choro. — Sinto um frio na barriga. — Sussurra. Uma mulher a pergunta se estava pronta para ver o corpo. Em sua mente só queria ter certeza que não era seu marido, que era tudo um engando. — Ok. — Ao entrar, de imediato cobre o nariz. Um cheiro muito forte de carne queimada exalava por toda sala. Em sua frente, estava um corpo de uma pessoa bem menor que seu marido, olhando atentamente não acreditava ser o Kamael. — Não encontro nada que possa afirmar que é o meu marido. — Analisando melhor, se depara com sua aliança que tem seu nome. Nesse exato momento tinha certeza, era o meu Kamael. Em desespero o choro a toma por completo. — Como um homem tão grande, ficou desse tamanho! Deveria estar vivo quando tudo aconteceu. - Era muita informação para sua cabeça. Sentindo sua consciência entrando em curto, deixa toda aquela emoção a consumir, a crise de pânico e desespero fez com que os médicos a sedasse, deixando-a inconsciente por horas. Acorda sem entender o que está acontecendo. Percebendo que está em um quarto de hospital, escuta uma voz masculina grave que chama sua atenção. Procurando o dono dessa voz, observa um homem já de meia idade conversando com o médico. Em sua cabeça, tem certeza que estão falando dela. — Pode deixar eu cuidarei dela. - Responde a outra pessoa que não está em seu campo de visão. Se vira e a encara com olhos marejados. Analisa seus traços, não parece estranho, acredita que já tenha o visto em algum lugar. — Bom dia! — Diz olhando para ela esperando uma resposta. — Quem é você?! — Pergunta analisando bem sua fisionomia. Pensa: bem de perto se parece muito com meu Kamael. Aí a sua fixa cai e o desespero volta. Começando a chorar de soluçar, seu peito queima. — Calma, eu estou aqui! — Segura em sua mão e, com medo a puxa o deixando sem graça. — Não sei quem é você, também não quero saber. Só quero meu marido, meu Kamael. — Se afasta triste. Repara em seus olhos vermelhos de quem ficou chorando por horas. Se pergunta internamente quem seria aquele homem. — Também estou sofrendo menina! — Meu nome é Berriere. — Rebate grosseiramente. — O meu é Bronck. — Reconhecia o nome, no fundo não queria acreditar que isso estava acontecendo. — Quem é você? — Pergunta chocada. — Sou o pai do Kamael. — Confirma. Em sua cabeça só havia um pensamento: ele mentiu para mim? Não é possível que o Kamael fez isso! — Não é possível! — Protesta mentindo para si mesma. — Hã? O que te leva a crer que não sou o pai dele menina? Posso até estar mais velho, mas meu filho era minha cara. — Ele disse que você já era falecido. — Sem se preocupar em saber a verdade, o responde. Olha incrédula e pensa: Esse cara é um ator ou Kamael mentiu para mim esses anos todos? Aí, pensa no que disse, que se houvesse mentindo esses anos todos, poderia ter dito p************s ao homem à sua frente e pelo olhar dele o tinha magoado. Ele a olha chocado. Berriere percebeu a semelhança que chegava a ser surreal. O Kamael ficaria lindo mais maduro, pensou. — Olha menina, eu sou o pai dele, tenho como provar. Infelizmente estou vivo, mas sinceramente queria estar morto. — Vendo que seus olhos estão prestes a transbordar, respira fundo e como uma criança sobe ameaças engole o choro. Se sentindo m*l por isso abaixa os ombros. — Me desculpa. — Pede enquanto observa. — Estávamos em ligação quando tudo aconteceu, por isso sei de sua morte e vim correndo para cá. Somente hoje tive conhecimento sobre você. Berriere o corta antes mesmo dele dizer tudo o que tinha acontecido. — Também não sabia da sua existência. — A encara sério, como se estivesse preso em seus pensamentos. — Você virá comigo! — Incrédula o olha. — Não! — Rebate. — Sim! Você vem menina. Em sua cabeça criava uma discussão interna. Há, mas não vou mesmo! — Tenho uma empresa e cuidarei dela para o Kamael. — Despeja as palavras na cara dele, se assustando com seu próprio tom de voz. Pensou: O que estou dizendo?! Não sei como será minha vida. Recuando seus olhos dos dele, fica chocada com suas próprias palavras. Como faria isso sozinha? — Não seja patética, sua empresa está falida, tenho a sustentado por 8 meses. Seu marido nem me agradeceu. Eu o amava, era meu único filho, perdi minha mulher e a vida mais uma vez, me tira alguém precioso. Você é a única coisa que tenho agora. Então, você vem comigo e ponto! - Ficando sem graça com essas palavras tenta desconversar. — Preciso resolver algumas coisas da empresa. — Ok. Partiremos em 3 dias. Vou quitar a dívida e venderei tudo. O dinheiro será todo seu, afinal, o patrimônio é de vocês. — Anuncia fazendo pouco caso da empresa que para Berriere, o Kamael com tanto custo havia criado. Sabia dos problemas financeiros e achou grosseiro da parte do pai dele, a tratar como se não fosse nada. Como pode ser tão autoritário?! Pensou. — Não precisa. Eu tenho dinheiro. — A encara com um sorriso debochado. Nesse momento o odiou, acha que ela não tem noção do rombo financeiro que está sua empresa. — Não seja ridícula. Vocês estão falidos menina. — O ridículo aqui é você! — Essas palavras deixam Bronck surpreso, a olha pasmo, como se fosse um ET. — Creio que ninguém o repreendeu na vida Sr. Mondova. — Debocha de sua expressão. - Vou pagar a dívida e salvar minha empresa. — Teria 15 milhões na sua bolsinha da moda menina? — Debocha em sua cara. Grita internamente. Como pode ser ridículo desse jeito!? Não vê que está sendo grosseiro? Pensou. — Primeiro, me chamo Berriere Mondova, e segundo, tenho conhecimento das dívidas da minha empresa. — Ok. Mas você vem comigo, isso não é uma pergunta. — Não acreditava como pode ser tão grosso. — Saia do meu quarto agora! — Como resposta ao tom alterado da ordem que lhe foi dada, se senta e cruza as pernas. Isso a deixa furiosa. Tenta se levantar caindo no chão, sem entender o porquê das suas pernas não obedecerem ao seu corpo. — O que aconteceu? — Questiona. Bronck se levanta imediatamente, vai para junto dela e a olha preocupado. — Posso te retirar do chão? — Pergunta com receio. — Não! — Responde chorosa. — Por favor, deixe-me ajudá-la. — Suplica preocupado. — Afirma que sim. — Olhando para ele com seus olhos em lágrimas pensou: "Como me lembra o meu Kamael." — A pega com facilidade apesar de serem quase da mesma altura. Berriere fica nervosa e não sabe o porquê. — Me coloca na cama agora. — Sugere. — Não vou te machucar menina, só quero cuidar de você. — A aperta contra o peito. Sentindo uma lágrima caindo no em seu rosto, tem certeza que está chorando. — Me solta Sr. Mondova. Ele soluça. Sentindo sua tristeza pensa: perdeu o único filho, imagino como deve estar sofrendo com isso. — Eu sei que ... — É interrompida. — Por favor, cala a boca menina. — Se cala enquanto chora e a aperta em seu peito. Tentando olhar para ele, que a impede com o queixo. — Só preciso de um momento. Já vou te soltar. — Tudo bem. — Resolve não discutir, irá respeitar sua dor. Pensou: Até nisso o Kamael puxou dele, não gosta de chorar na frente dos outros. — Vou te colocar na cama. Tenho que fazer uma ligação. — Tudo bem. — Consente. A colocando na cama, se afasta pegando o celular e liga para sua secretária. Berriere acreditava ser a sua mulher. Já que não sabia nada de sua vida. — Carmem, o motivo da minha ausência repentina foi pelo falecimento meu filho Kamael. Comunique que voltarei em breve, no máximo em 3 dias. Mude toda minha agenda, diga aos Chineses que irei até seu país, caso não queiram me esperar. Se resolverem ficar, coloque todos no melhor hotel de Seattle. — O observa ouvindo tudo que a pessoa da ligação relata com atenção. Deve ser sua secretária. Não é possível que mande sua mulher fazer tudo isso. — Muito obrigado. — Agradece encerrando a ligação e me olha com tristeza. — Vou ver sua alta. Iremos para sua casa. — Tá bom. — Sai e volta pouco tempo depois. — Você quer uma cadeira de rodas ou vamos tentar andar? — Tentar andar, por favor. — Pede educadamente. Estendendo a mão para ela que a pega olhando em seus olhos, sente que está a encorajando a se levantar. Ficando de pé, sente suas pernas tremeram. — Olha para mim. — O encara nervosa enquanto fala: — O trauma pode deixar seu corpo assim. Tudo no seu tempo menina. — Ficando com raiva por chamá-la de menina, grita. — Meu nome é Berriere. — Vamos! — Sem paciência a pega no colo. — Ai! — Reclamou. Agora tinha certeza, ele e o Kamael eram farinha do mesmo saco. — Aí está o jeito autoritário do Kamael! Estou vendo de onde herdou a grosseria. — Nesse momento a realidade a consumia. — Meu Deus, como viverei sem meu marido? — Voltando a chorar novamente, a mantém rente ao seu corpo, enquanto o choro toma conta dela. Chorava de soluçar. A leva para fora do hospital, entrando em um carro com um motorista. Ela se mantém perto dele. — Endereço? — Pergunta com voz de choro. Passa o endereço, ele repete para o motorista. O carro pega velocidade e em poucos minutos estamos próximo à sua casa. — Vou cuidar de você menina. — Ela o ignora totalmente. Em casa tenta sair, mas não consegue, mais uma vez a pega no colo. — Onde é o seu quarto? — Procura saber. — Lá em cima. — Aponta para o primeiro andar. — Vamos, vou te deixar na cama. Tenta dormir um pouco. Ele leva escada a cima colocando-a em sua cama. — Não me deixa sozinha. — Implora segurando seu braço. — Vou buscar minha mala, já volto. Ele se vai, ela encara as próprias mãos. — Como será minha vida agora? — Sussurra. Me acomodando, logo o sono me pega. —————————————————————
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