• Capitulo 06

2297 Palavras
"O silêncio... nem sempre é sinal de falta de palavras e sim o excesso delas." — Lara Kastro ____________________________________ 10:00 - Londres ... — Meu Deus! O que esse homem faz abraçado comigo? — Balbuciou. Deitada de conchinha com seu sogro não morto, Berriere puxa pela memória, há quanto tempo não acordava abraçada com Kamael. — Não me recordo de um dia específico. — Em sua cabeça, os questionamentos não paravam. Meu casamento acabou, estou sozinha. — Será que devo me arriscar em ir para Seattle com meu sogro e iniciar um novo ciclo em outro país? — Tudo isso estava a consumindo, como quem quer mudar o rumo do conflito em sua mente pensa: — Irei a empresa amanhã. Tentarei organizar algumas coisas. Bronck desperta com Berriere falando alto e percebe que está agarrado a ela. Ainda sonolento, acredita ter acordado no susto e, não com a própria quase gritando. Sentindo que a soltou, escuta murmurar algo baixinho. — Que merda estou fazendo agarrado com minha nora. Me perdoa Deus! — Sussurra. Berriere não quer deixá-lo sem graça, decidi ficar calada e fingi estar dormindo. Se levantando, Bronck, vai para o banheiro. — Tenho que tomar um rumo na vida. Agora sou sozinha. Não tenho mais ninguém, a não ser meu sogro. — Chorando, se senta na cama encarando suas mãos. — Bom dia! — Sua voz rouca a faz virar para encará-lo. — Bom dia! — Desviando o olhar, responde em um sussurro. — Está se sentindo melhor? — Pergunta se aproximando preocupado. — Não. — As lágrimas a consome. — Que horas sua empregada chega? — Pergunta se levantando, indo até sua mala. — Não tenho, já te disse isso umas duas vezes. — Revira os olhos com a cara dele de espanto. — Como assim o Kamael não botou alguém para te ajudar? Essa casa é imensa. — Caminhando até ela, Bronck senta ao seu lado. — Digamos que meu falecido marido era muito protetor, não queria que eu trabalhasse fora e para não ficar entediada, limpava a casa. — Respirando fundo as lágrimas caem insistentemente. — Nossa! — Se levantando volta a atenção para sua mala. — Vamos esquecer esse assunto. — Deitando de costas para ele, o choro a fazia soluçar. — Vamos, você precisa tomar um banho. — Me deixa. — Pede se cobrindo por completo. — Não, temos que nos despedir do Kamael. — São que horas? — Com um tom chocado, se descobre olhando para Bronck nervosa. — Dez e meia, precisamos ir menina. — Já!? Nossa! Eu dormi muito. — Se levantando, esquece da camisola que está usando. Bronck a encara com os olhos arregalados. — Fico pronta em 40 minutos. — Responde, indo em direção ao banheiro. — Ok, vou tomar um banho no quarto ao lado. A deixando sozinha em seu quarto, Berriere escolheu um vestido e tomou um banho, se arrumou para seu último encontro com seu marido. O choro a acompanhava aonde ia. Desejava a todo custo que seu marido entrasse pela porta e, beijasse seu rosto como de costume. — Estou pronta para dar adeus ao meu marido. Saindo do seu quarto, descendo as escadas procura por seu sogro. Como se arrumou primeiro senta à sua espera. Os minutos se passaram, quando desce em um terno preto. Ela pensa: como me lembra o Kamael, ambos têm bom gosto. — Vamos? — Balançando a cabeça positivamente estende a mão. Berriere a pega e ambos vão de encontro ao carro. É muito cavalheiro. Pensou Berriere. Mesmo com o motorista, faz questão de abrir a porta para ela. No caminho para o funeral observou seus olhos vermelhos. Tinha certeza, andou chorando e com o pouco tempo que passaram próximos, percebeu que não é de fazer isso acompanhado. O motorista os leva para o velório. Em sua mente, fazia uma análise sobre seu sogro. Ele é sério e isso me dá nervoso! Dando uma pausa a autoanálise que fazia em sua mente, olha para as ruas se perdendo na imagem à sua frente. Pessoas indo para seus trabalhos ou a um compromisso e percebeu que a anos não vivia isso! No caminho pelas ruas movimentadas, sabia que vivia em uma prisão, por mais que não fosse o que gostaria, era o que o seu maridão a fazia acreditar ser o melhor para si. As lágrimas voltam a cair. Sem perceber, sente a mão do seu sogro sobre a sua e a puxa com força colocando sobre o peito. — Me desculpa. — Essas palavras a fazem olhar para ele com culpa. — Sinto muito, eu não estou acostumada com esse tipo de coisa. — Desabafa desviando o olhar voltando sua atenção para as ruas. — Que coisa seria essa? — Intrigado pergunta com os olhos arregalados. — Esquece. — Percebem que chegaram quando o carro para. Saindo do carro, Bronck dá a volta para abrir a porta para Berriere. Em sua cabeça pensava: Nem o Kamael era tão educado assim. Aceitando sua mão, ajuda a sair do carro. Ela olha em seus olhos o deixando sem graça. Desviando o olhar percebe três homens parados na entrada da capela. Berriere fica sem entender o porquê de estarem ali e olha para o Bronck, que mantém os olhos para frente. — Quem são? — Sem saber o que dizer agarra seu braço olhando para seu rosto. Sabia o que passava em sua mente, mas tinha uma impressão que não era nada bom. Reparou que seu rosto foi de triste a sério. Desviando o olhar, percebe que um dos homens vem andando em sua direção. Apertando ainda mais o braço do Bronck, que não olha para ela, mas permanece com os olhos fixos no rapaz. — Bom dia! Sra. Mondova. — Bronck o olha seriamente, enquanto Berriere puxa pela memória a fisionomia do jovem rapaz a sua frente, infelizmente não se lembrou dele. — Quem são vocês? — Perguntou. — Alec Baldwin, sou o braço direito do seu marido. — Responde sorrindo. Bronck olha toda a situação e percebe que tem alguma coisa por trás dessa simpatia toda. Seu olhar vai do rosto do rapaz para suas costas, os outros dois vinham de encontro a eles. — Boa tarde! Me chamo Bruno e esse é meu irmão Marco. Sou o presidente da sua empresa. — E eu, o presidente da contabilidade. — O outro rapaz comenta olhando para Berriere com um olhar malicioso. Bronck segura com firmeza em seu braço e os encara. Não estava gostando de toda aquela bajulação e em sua cabeça, só passava um único pensamento. Vão propor a compra da empresa. Totalmente sem paciência mostra que está presente. — Hum! — E como esperando foi notado. — Seu pai não era falecido Berriere? — Pergunta o Marco observando Bronck com um sorriso cínico no rosto. Totalmente sem paciência, Bronck se vira para Berriere que a todo momento está o observando. — Vocês se conhecem? — Pergunta já sabendo a resposta. Berriere observa seu jeito intimidador fascinada. Balançando a cabeça negativamente responde à pergunta do Bronck. Voltando seu olhar para os rapazes, muda de sério para raiva. — Nunca os vi. — Berriere afirma. — Achei que conhecia, estão te chamando pelo primeiro nome. — Desculpa, é que o Kamael falava tanto da sua filha que me senti como da família. — Diz Marco com tom sarcástico. Atitude que o Bronck mais odeia. Examinando o Marco, Bronck já sabe que é o líder. E resolve responder diretamente o encarando. — Primeiro sou o pai do Kamael. Segundo se vocês afirmam ser tão "próximos" do meu filho, não entendo o sorriso na cara. — Berriere segura seu braço na tentativa de chamar sua atenção, puxa de leve o fazendo olhar em seus olhos. Bronck observa que está com lágrimas escorrendo em seu rosto, alisa sua mão. — Você é Bronck Mondova? Da ExporMondova? — Resolvendo não prolongar a conversa, Bronck solta seu braço e posiciona sua mão direto nas costas de Berriere, forçando-a dar o primeiro passo sentido a capela. — Vamos menina, temos que nos despedir do meu filho. — Perdoe a falta de educação do meu irmão Sr. Mondova. — Bruno pede todo sem graça. Já era tarde Bronck já haviam passado por eles arrastando Berriere junto. Dentro da capela para virando-a de frente para ele. — Esses caras vão te propor a compra da empresa. — Berriere o olha incrédula com sua afirmação. Em sua mente não acreditava que estava certo. — Como você sabe? — Pergunta o encarando. — Sou desse mundo e sei quando alguém quer algo que é meu. — O encarando confusa fala:— Não entendi. — Você não reparou como te olham? — Mirando os três rapazes que não tiravam os olhos dela. — Como assim sabe quando alguém quer o que é dele?! — Balbuciou. — Ok, se você diz. A encarando percebe o que disse e balança a cabeça negativamente. — Vem. — Caminham até o caixão. Ela olha para o caixão fechado e percebe que seu último encontro será às cegas. Apertando o braço de Bronck cola a mão sobre o caixão. — Eu não sei como será minha vida sem você. — As lágrimas caem. Respirando fundo, olha para seu sogro e vê as lágrimas escorrendo por seu rosto e pela primeira vez o viu chorando. Está sofrendo tanto quanto eu. Pensou entrando entre seus braços. Ambos estão em seu caos interior, que não percebem a chegada de Alec. — Sra. Sentimos muito. — Bronck o olha furioso. Ele dá uns passos para trás. — Só quero me despedir do meu esposo. Com licença. — Se volta para o caixão. Segurando o braço do seu sogro ainda encarando o Alec que volta para o fundo da capela. O soltando, Berriere se afasta pensativa. Olhando fixamente para o caixão, se lembra do velório do seu pai e de como o Kamael a consolava. Levantando o rosto, observa o Bronck e fica admirando a semelhança com que seu falecido marido tem com seu pai. — Kamael disse que era morto, será que tem mulher? — Sussurrou. Em pensamento dizia: Hoje não, mas irei saber melhor sobre esse assunto. Alisando o caixão e chorando disse: — Eu te amo. — Mesmo com essa mentira sobre o seu pai, eu te amo. Confessava somente para si em pensamento. Ela sai de seus pensamentos, quando ver o Bronck caminhando para o sofá e o segue sentando ao seu lado. — Não quero ficar sozinha. — Suspira baixinho sabendo que ouviu. — Vai se despedir do seu marido menina. — Quero ficar perto de você, não me deixa por favor. — Pegando em sua mão a olha com os olhos marejados. — Não teria essa coragem. Observando Bronck que está com o olhar longe, vira para a entrada e nota que os 3 estão olhando para eles. Os minutos passam e chegou a hora da despedida. Levantam e seguem o cortejo. — Vamos dar nosso último adeus. — Segura em seu braço e caminha junto com ele. Seguindo o cortejo até o túmulo do Kamael, olha para seu sogro que segura em sua mão. Em silêncio pensava: só fica calado e não chora. Já eu, não consigo conter as lágrimas. — Como você pode me deixar? — Berriere choraminga. O desespero a consome. Era realmente o seu último adeus, o caixão estava sendo coberto quando se aproxima do túmulo e Bronck a segura. — Vem cá. — Chama e puxa para seus braços. — Eu vou te ajudar a passar por isso. Sentindo uma lágrima caindo em seus cabelos, o abraça forte. — Nunca pensei que passaria por isso. — Nem eu. Adeus meu filho! — Adeus meu amor! — Permanecem até o final abraçados. Quando estão saindo do cemitério, os três rapazes vão de encontro a eles. — Meus sentimentos para vocês dois. — Marco se aproxima, oferecendo a mão para Bronck que se quer olha para ele. — Sentimos muito por sua perda Sra. Berriere. Alec tenta abraçar Berriere, quando Bronck a puxa com cuidado para trás dele segurando sua mão. Olhando furioso para os três, Bronck foca no rosto do Bruno. — Sei que não é o momento, mas queríamos conversar sobre a empresa. Na tentativa de não dar um soco na cara dele, Bronck caminha com Berriere deixando os três para trás. Berriere não fala nada, só observa a cara do seu sogro, que a conhecia muito bem. — Pensou: são idênticos, até na cara de bravo. No fundo se sentiu grata por não estar sozinha. — Obrigada. — Acena com a cabeça e abre a porta do carro para ela a fechando. Esperando que se junte a ela, coisa que não faz. Dá as costas para o carro e vai de encontro aos três rapazes. — Rapazes. — O tom em sua voz era totalmente diferente do que manteve na frente da Berriere. — Oi! — Diz Marcos se virando para ele. — Sabia que um homem de negócios não deixaria passar uma oportunidade de ganhar dinheiro. - Bruno zomba da cara do Bronck, que o olha seriamente. — Vou investigar até a última página dessa empresa e, se eu descobrir que vocês foram os ladrões, eu acabarei com cada um de vocês. Estão me ouvindo?! — Mas... - Alec tenta argumentar, mas já era tarde, Bronck já estava voltando para seu carro. — Vamos! — Informa para o motorista, enquanto Berriere se aproxima dele apoiando a cabeça em seu ombro. Bronck estava pensativo, tinha certeza que alguém havia afundado a empresa de seu filho e moveria céus e terra para descobrir. A viagem de volta foi longa. — Você está bem? — Pergunta Berriere. — Em casa conversamos ok? — Responde encerrando o assunto. ____________________________________
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