ANANDA Eu já tinha cruzado o portão quando ouvi a voz dele me chamar. — Ananda. Espera. Posso… posso falar com você? Só nós dois? Virei devagar. Nataniel estava parado no alto da escada, os braços largados ao lado do corpo, o rosto cansado, mas diferente. — Eu acho que não tem mais nada que eu precise saber. — respondi, sem muita firmeza. — Mas tem. É sobre o nosso pai. Minha respiração vacilou. — Vem caminhar comigo. Na praia. Como a gente fazia. Só um pouco. — ele falou com a voz mais baixa, quase como um pedido. — Prometo que não vou te pedir nada. Hesitei. Mas a curiosidade me puxou pela mão. E a lembrança de nós dois, correndo pela areia com os pés sujos de sal, rindo sem saber do mundo... essa lembrança me empurrou adiante. Aceitei com um aceno silencioso, e seguimos pela

