ANANDA Se alguém me dissesse que eu terminaria a semana me arrumando pra um baile funk no Rio de Janeiro, eu chamaria essa pessoa de maluca. Mas cá estou eu, com uma saia que definitivamente não combina com minha dignidade, dividindo o espelho de um banheiro minúsculo com Darlene, que passou os últimos vinte minutos tentando colar cílios postiços. — Se cair de novo, eu juro que vou grudar com fita crepe — ela resmunga, a cara colada no espelho. — A gente veio resolver a guarda do meu sobrinho, não ser confundida com dançarina do clipe. — Mulher, você acha que vai conseguir a guarda do menino com essa tua cara de choro ? Se o juiz te visse agora, mandava logo uma cesta básica para tua casa e uma terapia. Reviro os olhos. Faz dois dias que chegamos ao Rio e já fui assaltada por um pombo

