CAPÍTULO 7

990 Palavras
PEDRO CAVALLARI A espero sair da varanda para voltar meus olhos para o céu escuro, coberto de estrelas e com uma lua cheia. Não estou bem, meus pensamentos estão confusos desde que visitei Virgínia Gurgel há duas noites atrás e discuti com sua filha na cozinha, a minha ideia era só estudar o território, saber um pouco das duas mulheres és estudar o caráter de ambas, mas tudo saiu errado. O encontro com a mãe de Nataniel foi até agradável, ela foi extremamente solícita quando toquei no nome do filho e falou sem que eu precisasse fazer perguntas, me deu informações importantes e passeamos pela praia. As coisas só saíram dos trilhos por conta da morena franzina, o jeito como ela me enfrentou de igual para igual acabou despertando algum instinto competitivo no meu peito, porque a cada vez que uma palavra saía da sua boca eu tinha vontade de retrucar só para saber até onde ia sua bravura. Ananda Gurgel pode ser facilmente confundida com uma menina pela altura e corpo miúdo, mas deixa claro que é uma mulher decidida e cheia de personalidade na primeira frase. Eu não esperava que ela fosse tão arredia, no entanto, embora eu tenha gostado de ter alguém me colocando no meu maldito lugar para variar. Ela é uma coisinha feroz. Uma gata com garras. Ananda Gurgel. Será que eu posso confiar em você? Me desvencilho da murada e tombo pelo caminho do quarto de Mariah eTomas, lutando para afastar as lembranças da morena da minha mente. [•••] — Você está sorrindo. — A voz calma e arrastada me faz voltar a realidade. Balanço a cabeça para limpar os pensamentos e improviso uma tosse. — Como está se sentindo? Tem certeza que pode tomar sol? Tomou seus medicamentos? — Estou me sentindo igual que estava há um minuto atrás, quando você me fez as mesmas perguntas. Não vou ficar enclausurada no quarto, P. Eu amo a natureza e um banho de sol pela manhã não faz m*l pra ninguém,Tomas adora também. — Indica com a cabeça para o pequeno no carrinho, dormindo sossegado. — Desculpe, só estou preocupado. Você não estava bem durante a noite. — Me justico e ela sorrir, prendendo minha mão com a sua. — Vai me contar o que está acontecendo nessa sua cabeça ou terei de interrogar Diego? — Indaga, deixando claro que me conhece o suficiente para enxergar além do óbvio. Bufo. — Não tenho nada pra contar, não estou pensando em nada além de você e o pequeno, ali. — Aponto para o meu filho e é ela quem bufa dessa vez. — Terei de perguntar à Diego, então. Ele sim, não me esconde nada. — Dramatiza e reviro os olhos para sua tentativa de me persuadir, mesmo sabendo que ele tem razão sobre Diego, ela consegue qualquer informação do paspalho. — Ele é apaixonado por você, por isso, te conta tudo. — Deixo escapar sem querer, tornando o clima tenso em segundos. Sua expressão cansada se torna também culpada e quero me dar um soco na cara por conta disso. Cacete. — Sou um i****a. — Falo, sentando no espaço vago em sua espreguiçadeira. — Eu não deveria ter falado isso, me perdoe. — Beijo o dorso de sua mão repetidas vezes. — Eu o amo, Pedro. — Eu sei. — Eu o amo, assim como amo você. Nós crescemos juntos. Somos irmãos de alma. — Eu sei, joaninha. — Afasto a mecha de cabelo que lhe cobria o rosto e a espero continuar. — Sinto que estou aprisionando ele, aliás, sinto que estou fazendo isso com vocês dois. Trouxe ambos para o meu drama particular e praticamente os obriguei a assistir minha morte, sou egoísta. Me desculpem, P. — Shiii... Nunca mais fale algo assim, me ouviu? — A repreendo. — A idéia do casamento veio de mim e não me arrependo em nada, você é como a irmã que eu nunca tive. Diego entende seus sentimentos e também está aqui por livre e espontânea vontade, ele te ama muito e não te culpa por nada. — Eu deveria pedir para ele ir embora. — Fala, iniciando um choro. — Eu não iria. — Diego nos surpreende, chegando pelas costas de Mariah. — Di... — Não estou aqui fazendo um favor, joaninha. Estou aqui porque quero estar, essa ilha também é minha casa e não suportaria ficar longe de você em um momento desses. Tire a culpa das suas costas e se concentre em si. — Ele diz, se agachando para igualar o olhar no dela. — Obrigado, eu amo tanto vocês dois. — Nos puxa em conjunto para um abraço, envolvendo um braço no meu pescoço e o outro no do Diego. — Fui visitar Virgínia Gurgel há algumas noites atrás. — Confesso, sentindo que não devo mais guardar segredos. — Foi? — Afirmo com a cabeça. — Conheci a Ananda também. — Falo e Diego solta uma risadinha, lhe dou um olhar mortal e ele se cala, erguendo as duas mãos para o alto. — Como elas são? — Pergunta entusiasmada e a imagem da pequena morena de forte só de calcinha, empinada, no meio de sua cozinha surge. — Gostei da mãe. — Dona Virgínia? — Sim. — Você acha que ela vai gostar de mim? — Claro, joaninha. É impossível não gostar de você. — Diego toma a frente, respondendo a pergunta dela sem disfarçar sua paixão de adolescente. Reviro os olhos. — E, Ananda? — Mariah questiona e tusso. — O que tem ela? — Você gostou dela? — Eu? — Claro, P. Me conte como ela é. Gostosa. Irritante. Feroz. Geniosa para um c*****o. — Não acho que seja boa gente, vamos manter Tommy longe dela. — Respondo e Diego rir por alguma razão, Mariah bate no seu braço.  — Ela tem o direito de conviver com ele, Pedro. Ela é a tia dele.
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