CAPÍTULO 6

1228 Palavras
ANANDA GURGEL Saio da cozinha na ponta do pé, me sentindo uma top model de tanto que banquei a indiferente e fiz carão. Agarro o corrimão da escada e subo correndo, pedindo aos céus que minha melhor amiga não esteja bêbada e possa debater esse momento estranho comigo, todavia paro ao perceber que o aparelho ficou tocando música em cima do microondas. d***a. Fico entre a cruz e a espada, estava decidida a não voltar. Quer saber? Essa é a minha casa e preciso mesmo saber quais as intenções desse indivíduo, deixar Dona Virgínia sozinha com ele pode ser perigoso, ela está frágil e pode acabar dizendo o que não deve. Então, vou até meu quarto e visto um short de dormir, frouxo e confortável, desço a escada tão rápido quando subi e volto ao cômodo. — Oi. — Falo, sem jeito por ter o olhar dos dois em mim. — Você foi rápida filha, pensei que ia ter dificuldade para achar já que mudei a caixinha de comprimidos de lugar. Droga. O remédio. — Pois é, acabou que eu não achei mesmo. — Disfarço. Ela suspira e passa por mim resmungando para ser uma boa anfitriã com Pedro. Nunca. — Não estou com dor de cabeça. — Revela. — Imagino. O que você quer com minha mãe? — Conhecê-la melhor. — Aperto meus olhos, senti deu sexto sentido aflorar com sua justificativa meia boca. Ele não está falando tudo. — Por quê? — Seu irmão... — Não fale do meu irmão. Ele suspira, se levanta da cadeira e vem pra minha frente. Tento não demonstrar que estou intimidada com sua altura superior a minha e o olho de igual para igual. — Tenho algo que é do seu irmão, mas que também é extremamente importa pra mim e não pretendo revelar até descobrir que tipo de pessoas sua mãe e você são. — Agora ele foi longe demais. — Escute aqui, seu riquinho de m***a. A cabeça da minha mãe está doente desde a morte de Nataniel e ela não consegue enxergar as pessoas como antes, mas estou aqui para protege-la e se meu irmão resolveu deixar algo com você ao invés de enviar direto pra cá, nós não queremos, fique com o que quer que seja e nos deixe em paz. — Você não sabe o que está dizendo. — Não envie seus cúmplices para a minha loja, não venha até a minha casa e esqueça qualquer tipo de ligação que sente conosco só porque foi amigo do meu irmão por um curto período. — Eu admirava seu irmão. — Vá embora, Pedro. — Ele me estuda com os olhos, procurando por algo que não entendo. — Vá. — Falo mais incisiva, mostrando que apesar de pequena, posso ser grande na personalidade. — Eu volto. — É tudo que diz antes de sair pela mesma porta que entrou. — Voltei. — Ótimo, agora a senhora pode me explicar onde estava com esse sujeitinho? PEDRO CAVALLARI  — Essa é a segunda vez que te pego perdido em pensamentos, filho. — Sorrio ao ouvir a voz conhecida, inclino a cabeça para encontrar os olhos azuis mais bonitos que já vi e a chamo com a mão para mais perto. — Um homem não pode refletir sobre a vida, mãe? — Bom, de acordo com a minha experiência com o s**o oposto, homens só param para refletir sobre algo quando tem dinheiro, futebol ou mulher no meio. — Coloco a mão no peito ofendido. — Me sinto esteriotipado ao extremo nesse minuto, será que papai sabe desses seus pensamentos? — De onde você acha que vem todo meu conhecimento? — Brinca e nós dois rimos. Beijo sua testa e a trago para um abraço, aproveito para sentir o cheiro bom de camomila que exala da sua pele. — Mudando de assunto, mas talvez continuando nele. Me conte como Mariah está, não tive tempo para visitá-la essa semana. — Seu tom se torna mais profundo, sério e lhe dou um sorriso fraco. A verdade é que o quadro da minha esposa não vai melhorar daqui pra frente, pelo contrário, sua situação vai se tornar mais complicadas com o passar dos dias, de acordo com o avanço da doença. — Nada de diferente de antes. — Resumo, dando a entender que não quero falar sobre o assunto. Ela sorrir compreensiva e me abraça de lado, descansando a cabeça no meu ombro enquanto aprecia a vista do céu comigo. — Entendo que é um assunto delicado, filho. — Uso um tom gentil e baixo. — No entanto, somos sua família e estamos aqui para te dar todo o apoio necessário, Mariah é como uma filha para mim e seu pai, nós a vimos crescer e por mais que tenhamos nos surpreendido com o casamento repentino de vocês, eu não poderia estar mais feliz com sua escolha. — Mariah está morrendo, mãe. Não sei por quanto tempo ela continuará tendo forças para lutar contra essa maldita doença, os médicos não nos deram esperança e infelizmente o câncer já se espalhou. — Ela exala, tampando a boca com as mãos, surpresa com a notícia infeliz. Seus olhos claros se tornam nublados pelas lágrimas e a puxo para meu peito, abraçando seu corpo pequeno. — Eu não sabia, filho...— Tenta falar em meio o choro. — Pensei que ainda existia alguma chance. Oh, minha menininha linda. — Minha mãe chora por dez minutos inteiros, soluçando e narrando momentos meu e de Mariah na infância. — Ela está bem, mãe. — Tento consolar a mulher que me deu a vida, repetindo a frase que tenho me dito todos os dias desde que descobri sobre o estado de saúde da minha mulher. Foi no mesmo período que descobri sobre sua gravidez. — Eu vou passar mais tempo com ela, filho, isso é uma promessa. Consultarei os melhores especialista e os tratarei para ilha para tratá-la. — Mãe... — Você vai ver, nós vamos conseguir. Não importa o quanto gaste para isso, te prometo salvar a vida da mãe do meu neto. — Mãe... — Vou ligar para minha amiga, a mãe dela precisa saber sobre o estado da filha e parar com essa briga sem sentido. — Dona Carmem Lúcia. — Falo seu nome com seriedade, tentando ganhar sua atenção e fazê-la parar de falar. Ela me olha confusa, o rosto todo vermelho devido ao choro. — Não se meta nessa história de mãe e filha, se a senhora quiser fazer algo pela sua nora, então fique do lado dela e lhe der amor. — Isso não é justo, Pedro. Uma mãe tem o direito de saber que seu filho está morrendo. — A única que pode falar com a mãe sobre a doença é a Mariah, vou respeitar a decisão que ela tomar, mas quero te pedir que faça o mesmo, ok? — Tudo bem, não vou me meter, mas acho errado. — Obrigado. — Digo e ela assente, limpando o resto das lágrimas do rosto. — Vou fazer uma visita para o meu neto antes de dormir e dar uma olhada na sua mulher, você vem? — Pode ir andando, ficarei aqui mais um pouco e passo lá depois. — Ela segura meu rosto com as duas mãos, acaricia minhas bochechas e beija meu rosto. — Boa noite, meu filho. — Boa noite, mãe.
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