CAPÍTULO 11 LUNA NARRANDO: Acordei antes do despertador. O quarto ainda estava escuro, mas o morro nunca ficava realmente em silêncio. Havia sempre algum som atravessando as paredes finas, um rádio distante, passos apressados, uma moto subindo a viela, risadas soltas demais para aquela hora. Era sexta-feira. O dia em que a boate respirava mais fundo. Levantei devagar, sentindo o corpo reclamar do dia anterior. Meus músculos ainda guardavam a memória da dança, da tensão constante, do olhar dele queimando em algum lugar da minha nuca, mesmo quando eu já estava longe. Entrei no banheiro pequeno e liguei o chuveiro. Água fria. De propósito. O choque fez meu corpo despertar de vez, puxando o ar com força. A água escorria pelo meu rosto, levando junto qualquer resquício de sonho, qualq

