CAPÍTULO 29 LUNA NARRANDO: Entrei no carro de Rael com o corpo inteiro duro. Não era só cansaço. Era nervo. Raiva. Confusão. Ele ligou o motor sem dizer nada, e o som grave preencheu aquele silêncio pesado entre nós dois. A rua passava rápida pela janela, as luzes virando riscos amarelos enquanto eu abraçava a bolsa contra o peito como se aquilo pudesse me proteger de alguma coisa. Meu coração ainda batia fora do ritmo. Rael dirigia com uma mão no volante, a outra apoiada na porta. A mandíbula travada, os olhos atentos, daquele jeito que só ele tinha, concentrado, perigoso, controlador. Nenhum de nós falou nada por alguns minutos. Eu tentava organizar a cabeça. A briga no camarim. O beijo no escritório. O jeito que ele tinha segurado meu pescoço. O olhar dele quando me diss

