"Está um pouco antiquado, minha filha", disse a avó, com um olhar carinhoso. "Mas com um lenço e um bom penteado, você vai ficar linda."
Na sexta-feira, Alice se arrumou com cuidado. O vestido da avó, um azul-escuro discreto, com algumas adaptações, a deixava elegante. Ela soltou os cabelos, deixando-os caírem em cachos suaves sobre os ombros, e colocou um batom discreto. Olhou-se no espelho do pequeno quarto, uma mistura de nervosismo e excitação.
Quando Daniel a pegou em frente à sua casa, em um bairro simples e modesto, ele não fez qualquer comentário sobre o local ou suas roupas. Apenas a cumprimentou com um sorriso caloroso, abrindo a porta do carro para ela.
A exposição era deslumbrante. O salão de arte, com suas paredes brancas e iluminação perfeita, exibia obras de artistas renomados. Alice se sentia deslocada no meio de pessoas elegantemente vestidas, suas conversas sobre arte e investimentos soando como um idioma estrangeiro. Mas Daniel estava ao seu lado, explicando pacientemente cada obra, compartilhando suas próprias interpretações e fazendo-a se sentir à vontade.
Eles riram de algumas pinturas abstratas, se emocionaram com outras. Alice se viu mergulhando em um mundo novo, um mundo que ela jamais imaginou que pudesse fazer parte.
Ao final da noite, enquanto Daniel a deixava em casa, um silêncio confortável pairava no ar.
"Obrigada, Daniel", Alice disse, seus olhos brilhando. "Eu nunca imaginei que uma exposição de arte pudesse ser tão... incrível."
Daniel sorriu, um sorriso que aquecia o coração de Alice. "Eu que agradeço a sua companhia, Alice. Foi a melhor exposição que já fui."
Ele se inclinou, e por um momento, Alice pensou que ele a beijaria. Mas ele apenas deu um beijo suave em sua testa. "Boa noite, Alice."
Ela entrou em casa, o coração batendo descompassado. Naquele dia, ela havia descoberto que o mundo de Daniel não era tão inatingível quanto parecia. E que, talvez, o que estava nascendo entre eles era algo muito mais profundo do que uma simples amizade.
Capítulo 3: A Chama Que Desafia As Barreiras
Os encontros de Alice e Daniel se tornaram mais frequentes e menos discretos. Eles passeavam por parques, jantavam em restaurantes charmosos – não os mais caros, mas aqueles com um toque especial – e Daniel a levava para conhecer lugares que Alice nunca imaginou existir. Ela aprendeu sobre vinhos, sobre música clássica, sobre o mundo dos negócios. Ele, por sua vez, aprendeu sobre a resiliência da periferia, sobre a importância da família e sobre a alegria das coisas simples.
A cada dia, a atração entre eles ficava mais evidente. Os toques se tornaram mais demorados, os olhares mais intensos. Alice se sentia como se estivesse vivendo um sonho, um conto de fadas onde a princesa não precisava de um príncipe, mas o encontrava em meio à sua própria jornada.
Em uma noite estrelada, enquanto caminhavam pela orla da praia, Daniel parou de repente. Ele se virou para Alice, seus olhos azuis brilhando sob a luz da lua.
"Alice", ele disse, sua voz um pouco rouca. "Eu preciso te dizer algo."
O coração de Alice acelerou. Ela sabia o que viria.
"Desde o primeiro dia que te vi na feira, algo mudou em mim. Você tem uma luz que me atraiu, uma força que me encanta. Eu... eu estou apaixonado por você, Alice."
Alice sentiu as lágrimas brotarem em seus olhos. Ela também estava apaixonada por ele. Uma paixão que a assustava e a preenchia ao mesmo tempo.
"Eu também estou apaixonada por você, Daniel", ela confessou, sua voz embargada.
Ele a puxou para um abraço apertado, e então, seus lábios se encontraram em um beijo que selou a promessa de um amor que desafiaria todas as barreiras. O beijo era gentil, apaixonado, e carregado de uma emoção que fez o mundo de Alice girar.
Mas nem tudo era um conto de fadas. O relacionamento deles não demorou a se tornar o centro das atenções. Os jornais de fofoca e as revistas sociais não demoraram a descobrir sobre o "CEO e a menina da feira". Artigos sensacionalistas surgiram, cheios de especulações e julgamentos.
"A Nova Paixão do Magnata: Quem é Alice, a Misteriosa Garota da Periferia?"
"De Barraca de Doces a Alta Sociedade: O Romance Improvável de Daniel Albuquerque."
Os comentários online eram cruéis. "Ela só está interessada no dinheiro dele", "É óbvio que ela está dando o golpe", "Pobre coitado, sendo enganado por uma aproveitadora".
Alice sentia o peso desses julgamentos. Ela se esforçava para ignorar, mas as palavras machucavam. Sua avó, preocupada, tentou conversar com ela.
"Minha filha, eu sei que você ama esse rapaz, mas esse mundo não é o nosso. Eles vão te machucar."
Daniel, por outro lado, estava acostumado com a atenção da mídia. Ele tentava blindar Alice, mostrando-lhe que a opinião pública não importava, que o importante era o amor deles.
"Não dê ouvidos a essas pessoas, Alice", ele dizia, segurando a mão dela. "Eles não nos conhecem, não sabem o que sentimos um pelo outro."
Mas a pressão não vinha apenas de fora. A família de Daniel, especialmente sua mãe, Ana Lúcia, uma socialite elegante e implacável, não via o relacionamento com bons olhos. Para Ana Lúcia, Alice era uma intrusa, uma ameaça ao status social e ao futuro de seu filho.
"Daniel, você não pode estar falando sério", Ana Lúcia disse em um jantar de família, seus olhos perfurando Alice com desprezo. "Essa moça... ela não tem nada a ver com a nossa família, com o seu mundo."
Daniel tentou defender Alice, mas sua mãe era irredutível. "Pense no seu nome, Daniel. Pense na sua empresa. O que as pessoas vão dizer?"
Alice se sentia pequena e humilhada. A cada encontro com a família de Daniel, ela sentia o peso do preconceito, a indiferença velada e os olhares de desaprovação. Ela tentava se manter forte, mas a cada dia, as feridas abertas pelas palavras e olhares se aprofundavam.
Apesar de tudo, Daniel se mantinha firme ao lado de Alice. Ele a defendia, a amava, e fazia questão de mostrar a todos que ela era a mulher que ele escolheu.
"Eu não me importo com o que eles pensam, Alice", ele disse em uma noite, enquanto a abraçava. "Eu amo você, e isso é tudo o que importa."
Mas Alice sabia que não era tão simples. O amor deles estava sendo testado. A distância entre seus mundos, as expectativas sociais, o preconceito – tudo parecia conspirar contra eles. Ela se perguntava se o amor deles seria forte o suficiente para superar tudo isso. O preço do amor parecia ser muito alto, e ela não sabia se estava pronta para pagá-lo.