Pré-visualização gratuita Capítulo 1: O Encontro Inesperado
O cheiro de pão fresco misturava-se ao burburinho da feira da manhã, um caos organizado que Alice conhecia como a palma de sua mão. Desde criança, ela ajudava sua avó na pequena barraca de doces caseiros, o único sustento das duas. Aos vinte e dois anos, Alice carregava nos olhos a doçura de seus brigadeiros e a resiliência de quem cresceu em uma comunidade onde cada dia era uma batalha. Seus cabelos castanhos, sempre presos em um r**o de cavalo prático, emolduravam um rosto delicado, mas marcado pela determinação.
Naquele sábado chuvoso, a clientela era escassa. Alice observava as gotas de chuva escorrendo pelo toldo puído, sonhando com um futuro onde não precisasse se preocupar com o próximo aluguel. Ela havia se esforçado na escola, conseguindo uma bolsa para um curso técnico noturno, mas o tempo era inimigo. Entre as aulas, o trabalho na feira e os b***s de faxina, m*l sobrava fôlego.
Foi então que ele apareceu. Um carro preto e lustroso, destoando completamente da paisagem vibrante e simples da feira, parou bruscamente na esquina. De dentro, emergiu um homem alto, com um guarda-chuva escuro e uma aura de poder que fez as poucas pessoas presentes desviarem o olhar. Daniel Albuquerque. O nome era sussurrado com reverência e um toque de admiração na cidade. Jovem, brilhante e implacavelmente bem-sucedido, ele era o CEO da Albuquerque Tech, uma gigante no mercado de tecnologia. Seus olhos azuis, penetrantes e focados, escaneavam o ambiente com uma curiosidade incomum.
Alice, alheia à comoção, estava ocupada ajustando alguns doces que a umidade ameaçava derreter. Levantou o olhar quando sentiu uma sombra sobre sua barraca. Daniel estava parado ali, seu terno impecável e seu perfume caro contrastando com o aroma adocicado dos doces e o cheiro de terra molhada.
"Bom dia", ele disse, sua voz grave e confiante, mas com um toque de polidez que surpreendeu Alice.
"Bom dia", ela respondeu, um pouco intimidada pela presença dele. Ele era ainda mais bonito de perto do que nas capas de revistas de negócios que ocasionalmente via nas bancas. Cabelos escuros e bem cortados, barba por fazer que lhe dava um ar charmoso e descontraído, apesar da formalidade de suas roupas.
"O que você tem de bom hoje?", ele perguntou, seus olhos azuis pousando nos doces.
Alice, recuperando a compostura, apontou para a variedade de guloseimas. "Brigadeiros, beijinhos, cajuzinhos, bolos de pote... tudo feito pela minha avó, receita de família."
Daniel sorriu, um sorriso raro que iluminou seu rosto. "Brigadeiro. Um clássico. Posso experimentar um?"
Alice pegou um brigadeiro com uma pequena pinça e o colocou em um guardanapo. Ele pagou com uma nota alta, sem se preocupar com o troco. Enquanto ele saboreava o doce, seus olhos encontraram os dela. Havia algo diferente no olhar de Daniel. Não era a usual indiferença dos ricos que visitavam a feira por curiosidade, mas uma genuína apreciação.
"Isso é delicioso", ele disse, surpreendendo Alice com a sinceridade em sua voz. "Parabéns à sua avó."
Ele comprou mais alguns doces, guardando-os cuidadosamente em uma sacola de papel. Antes de ir, seus olhos se demoraram novamente em Alice. "Qual o seu nome?"
"Alice."
"Daniel. Prazer em conhecê-la, Alice."
E com um último sorriso, ele se virou e caminhou de volta para seu carro, desaparecendo na neblina da manhã. Alice ficou ali, o coração batendo um pouco mais rápido, sem entender o porquê. Aquele encontro, tão breve e aparentemente insignificante, deixaria uma marca indelével em sua vida. Ela não sabia, mas Daniel também sentiu algo diferente. Algo nos olhos determinados de Alice, na sua simplicidade e na sua doçura, havia despertado nele uma curiosidade que há muito tempo estava adormecida.
Capítulo 2: Mundos Diferentes
Nos dias seguintes, a imagem de Daniel não saía da cabeça de Alice. Ela tentava se convencer de que era apenas a novidade, a estranheza de ter um homem tão poderoso interagindo com ela de forma tão... humana. Mas no fundo, sabia que havia algo mais. Seus pensamentos voltavam para seus olhos azuis, seu sorriso, a forma como ele apreciou o brigadeiro. Era t**o, ela sabia. Ele era de outro mundo, um mundo de luxo e poder que ela só via na televisão.
Daniel, por sua vez, também se pegava pensando em Alice. A feira, o cheiro de pão, a simplicidade da barraca de doces. E Alice. A forma como ela o olhou, sem bajulação, sem medo, apenas com uma curiosidade genuína. Ele estava acostumado com mulheres que o viam como um troféu, que se deslumbraram com sua fortuna. Alice era diferente. Havia uma dignidade em sua pobreza, uma força silenciosa que o intrigava.
Uma semana depois, para surpresa de Alice, Daniel reapareceu na feira. Desta vez, ele estava menos formal, usando uma camiseta polo e calça jeans, mas ainda com a mesma aura de poder. Ele caminhou diretamente para a barraca dela, um sorriso discreto em seus lábios.
"Bom dia, Alice. Seus brigadeiros estão fazendo falta", ele disse, e Alice sentiu um calor se espalhar por seu peito.
Ela sorriu de volta. "Bom dia, Daniel. A freguesia é sempre bem-vinda."
Ele comprou mais doces, e desta vez, ficou para conversar. Perguntou sobre a vida dela, os estudos, os sonhos. Alice, inicialmente hesitante, aos poucos se sentiu à vontade para falar. Contou sobre sua avó, sobre a dificuldade de conciliar os estudos com o trabalho, sobre o desejo de um futuro melhor. Daniel ouvia com atenção, fazendo perguntas pertinentes, demonstrando um interesse que a surpreendia.
Ele, por sua vez, falou pouco sobre si. Mencionou o trabalho, os desafios de gerenciar uma empresa global, mas evitou entrar em detalhes sobre sua fortuna ou seu estilo de vida luxuoso. Era como se ele quisesse se conectar com ela em um nível mais pessoal, longe do brilho de seu sobrenome.
Os encontros na feira se tornaram um ritual. Todos os sábados, Daniel aparecia, e eles conversavam por horas, alheios ao movimento ao redor. As pessoas da feira começaram a notar, com sussurros e olhares curiosos. "Quem é aquele homem tão elegante conversando com a Alice?", "Será que ele é rico?", "O que uma menina da feira tem a ver com um homem assim?".
Alice ouvia os comentários, mas tentava ignorar. A amizade com Daniel era algo que ela valorizava. Ele a fazia rir, a incentivava a seguir seus sonhos, e a via de uma forma que ninguém mais via. Ele a via como Alice, não como "a menina da barraca de doces".
Em um desses sábados, Daniel a surpreendeu com um convite. "Alice, há uma exposição de arte no centro na próxima sexta-feira. Gostaria de ir comigo?"
O convite a pegou de surpresa. Um encontro fora da feira. Um "encontro", ela pensou, com um frio na barriga.
"Uma exposição de arte?", ela repetiu, um pouco insegura. "Eu não entendo muito de arte."
Daniel sorriu. "Não precisa entender. É só para ver e apreciar. E eu posso te explicar algumas coisas, se quiser."
Alice hesitou por um momento, mas a curiosidade e a atração por ele eram mais fortes. "Eu adoraria, Daniel. Mas... eu não tenho roupas para um lugar assim."
Daniel acenou com a mão, como se descartasse a preocupação. "Não se preocupe com isso, Alice. Vista-se como você se sentir confortável. O importante é a sua companhia."
Naquela semana, Alice m*l conseguiu dormir. A ideia de ir a um lugar tão sofisticado com Daniel a deixava nervosa e animada ao mesmo tempo. Ela revirou seu pequeno guarda-roupa, mas nada parecia adequado. Sua avó, percebendo a inquietação da neta, ofereceu um de seus vestidos antigos, um tecido simples, mas bem cuidado.