Desavenças

976 Palavras
- Filho, ficou sabendo que a Mar e o Gastón estão namorando? - Bernardo perguntou. O garoto nos olhou desapontado e com os olhos lacrimejados. Abaixei a cabeça sem conseguir olhá-lo. Gastón fez o mesmo. - Pois é! Eu percebi! - Respondeu sem parar de nos encarar. - Campeão, vou resolver umas coisas no escritório, se precisar de mim, estarei lá. - Valeu, pai! O homem deu dois tapas de leve no rosto do filho e saiu em direção ao seu escritório. - Juan, eu posso… E antes que eu pudesse terminar a frase, Juan deu um soco no nariz do Gastón, fazendo o garoto cair. Me assustei e dei um passo para trás. - Gastón, você está bem? - Perguntei. - Meu nariz está sangrando, é claro que não estou bem! - Juan, por que fez isso? O beijo… - Eu vi o que esse desgraçado fez, Mar! Não o defenda! - Sim, eu a beijei para o teu paizinho acreditar que ela é minha namorada e deixar vocês em paz. - Se levantou sem tirar a mão do nariz, que sangrava sem parar. - Pelo jeito, ele acreditou, você devia me agradecer. Se retirou, indo em direção ao andar de cima. E eu olhei para Juan totalmente decepcionada com ele, o garoto havia partido para cima do Gastón como um selvagem, ele nem quis saber de conversar. - Mar, eu… - Juan, o Gastón errou, ele não devia ter me beijado, mas precisava disso? Ele estava tentando nos ajudar! - Desculpa, é que eu fiquei louco quando vi ele te beijando. - Não é para mim que você deve pedir desculpa. Me retirei da sala, deixando o garoto sozinho e subi as escadas, indo procurar por Gastón, e avistei o garoto no meu quarto, ele estava sentado na cama da Euge, e a garota estava cuidando do nariz machucado dele. - Como você está? - Perguntei. - Com dor. Teu namorado é um animal. - Ele só ficou com ciúmes. - Falei. - Mas precisava disso? Poderia ter conversado como uma pessoa normal. - É, eu sei… - Pois é, o Juan mandou m*l. - Disse Gas Nisso, Juan entrou no quarto e nós três ficamos em silêncio. E então, o garoto se aproximou da gente, e disse para Gastón: - Foi m*l, cara! Eu não sei o que me deu. É que eu sei que você gosta da Mar… - Você tem razão, eu gosto mesmo, mas eu sei que vocês estão juntos e eu respeito isso, não quero atrapalhar o namoro de vocês. - Bom, me desculpa? - Ok, desculpado. - Mas sem beijos, por favor. - Pediu Juan. - Claro, tenho amor à minha vida. - Disse o loiro, nos arrancando risos. (...) À noite, Euge e eu estávamos conversando em nosso quarto quando bateram à porta. Eram os meninos, que logo entraram. - Meninas, olhem essa… - Disse Tato, ao se sentar do lado da namorada. - O Nico disse que a filha de um amigo dele vai fazer uma festa de aniversário, e dai ele comentou da nossa banda, e adivinhem! - Ficamos aguardando que ele concluísse. - Querem que a gente toque na festa. Euge e eu gritamos de tanta emoção. - Ai, não acredito! - Falei. - E quando é? - Dentro de alguns dias. Ah, confesso que estava tão empolgada com a ideia de fazermos um show, aposto que seria emocionante. O r**m é que teríamos que dar um jeito de sair sem Bernardo e Júlia ficarem sabendo. Em seguida, Euge saiu do quarto com Tato para ficarem a sós, e Gastón também saiu, em direção ao quarto dos garotos, sendo assim, Juan e eu ficamos a sós. - Mar… Preciso te contar uma coisa. Eu não queria falar na frente dos outros, porque queria tua opinião antes. - Sério? E o que é? - Eu escrevi uma música e pensei em cantarmos na festa, e queria saber o que você acha. - Ah, que legal. Deixa eu ver! - Pedi. Achei que ele fosse cantar, mas para minha surpresa, ele tirou um papel dobrado do bolso da calça e me entregou. - O que é isso? - Peguei o papel e desdobrei-o. - Lê. Vê o que você acha! - Sorriu meio nervoso. Eu olhei aquelas letras e reconheci algumas letras do meu nome, mas estavam junto com outras letras, e eu não conseguia juntá-las e fiquei sem saber o que dizer pra ele, e se a letra fosse linda e eu dissesse que não é tão legal? Mas e se a letra fosse uma porcaria e eu falasse que é incrível? Eu olhei para ele, que aguardava ansioso pela minha resposta, mas sem saber o que falar, comecei a chorar e sai correndo. - Mar, espera… O que houve? - Escutei Juan falar. Fui até a sala vazia, onde me encontrei às escondidas com Juan algumas vezes, sentei no chão e fiquei lá, chorando sozinha. Algum tempo depois, a porta abriu, para minha surpresa. Era ele. - Até que enfim te achei, te procurei por toda parte, sabia? - Se aproximou de mim. - Mar… Hã… É verdade que você não sabe ler? - Quem te contou? - Me levantei e fiquei de frente para ele. - Isso não importa. Eu quero saber é por que você não me contou. Não confia em mim? - Confio! Mas… Fiquei com medo de você deixar de gostar de mim. Juan… Olhe pra gente! Somos de realidades diferentes, não temos como dar certo… - Não, nem continua! - Olhou no fundo dos meus olhos. - Mar, eu não ligo pra nada disso. Eu te amo e é só isso que importa. - Mesmo eu não sabendo ler, nem escrever? - Perguntei. - Mesmo assim! Mas… Se você quiser eu posso te ensinar a ler, o que acha?
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