Uma Aula Um Pouco Diferente

921 Palavras
Eu não conseguia acreditar no que Juan havia dito. Me ensinar a ler? Ele só podia estar de brincadeira comigo, aposto que ele tinha vergonha de mim por eu ser burra, e por isso queria me ensinar a ler e a escrever, pra eu ser como ele. - Você está falando sério? - Claro. O que você acha? - Sorriu. - Eu acho que você é um e******o, um i****a, que quer fazer isso só pra se sentir superior, pra mostrar que é melhor do que eu. Sai batendo o pé, e ele ficou chamando por mim, tentando dizer que não era nada disso, mas eu não acreditei. Fui até o meu quarto, onde Euge estava, e assim que eu entrei a vi deitada em sua cama lendo um livro, logo a loira perguntou o que havia ocorrido, e eu lhe expliquei o que tinha acontecido. - Eu conheço o Juan e não acho que ele fez por m*l. - Disse a loira ao se levantar de sua cama, ficando de frente para mim. - Como não? Ele quer me humilhar. - Falei. - Eu não vejo por esse lado. - Se aproximou de mim. - Amiga, o Juan é um bom garoto, tenho certeza que ele quer fazer isso com a melhor das intenções. Você não gostaria de saber ler e escrever? - Perguntou docemente. Pensei por alguns instantes nas palavras da garota, e então, eu a respondi de forma mansa: - É, eu gostaria. - Então… Deixa ele te ensinar. Sorri pela forma carinhosa que Euge havia falado comigo e a loura me deu um beijo no rosto e me abraçou. Eu nunca tinha tido uma amiga de verdade, e ainda parecia mentira que ela era minha amiga, com certeza Euge foi uma das poucas coisas boas que aconteceu na minha vida. (...) Já estávamos roubando há algum tempo em um calor de 35 °C, estávamos derretendo, e Bernardo e Júlia não tinham pena nem dos menores, como eles podiam não ter coração? Assim que terminamos, enquanto os dois conferiram o que havíamos conseguido, Gastón e eu ficamos conversando com sorrisos bobos, e eu fazia cafuné nele, o garoto beijava minha bochecha…, e tudo para Bernardo e Júlia continuarem acreditando no nosso namoro para o caminho ficar livre pra eu namorar com o Juan. Assim que saímos do sótão, e adentramos o abrigo, eu subi as escadas e fui direto procurar por Juan, e encontrei o garoto em seu quarto, tocando violão. - Juan? - Mar? - Colocou o violão em cima da cama e se levantou, vindo em minha direção. - Hã… Desculpa por… - Está tudo bem… - Sorriu. - Se a oferta ainda estiver de pé, eu adoraria ter o professor mais lindo do mundo. - Claro que sim! O garoto se aproximou para me beijar e nisso, escutamos Bernardo chamando por ele, o que me deixou em pânico. - Se esconde, se esconde. - Falou. - Onde? - Olhei para o lugar que estava mais perto de mim. - Já sei! O clássico! Me escondi embaixo da cama e Juan sentou na cama e voltou a tocar violão. - Ah, você está aí… - Disse o homem. - Aconteceu algo? - Perguntou. Notei os pés de Bernardo caminhar de um lado para o outro, o que me deixou extremamente nervosa, e com medo que ele me descobrisse, pois se isso acontecesse eu estaria muito lascada. - Você viu a chave do meu carro? - O mais velho perguntou. - Ah, desculpa, é que eu usei ele ontem. - O garoto pegou a chave e entregou para o homem. - Valeu, filhão. De onde eu estava, pude ver Bernardo sair do quarto, fazendo eu suspirar aliviada. Sai de debaixo da cama, e falei: - Essa foi por pouco! Acho que vou nessa! Dei um selinho no garoto e sai do quarto dele, indo para o meu. (...) Juan e eu estávamos na salinha, onde era o nosso esconderijo secreto. Assim que eu entrei no local, eu vi duas mesas e duas cadeiras, um caderno, lápis e borracha. Nos sentamos nas cadeiras e ele me mostrou todo o alfabeto, esse eu já conhecia, e com muita paciência e amor, ele foi me mostrando as sílabas, começando pela família do B e do L. - E se eu quiser escrever "bola"? - Perguntou. - Hã… B… O… Hã… L… A. - Isso! Muito bem! - Me abraçou. - Você está indo muito bem, se continuar assim, em poucos dias você estará lendo e escrevendo. - Bobo! - Dei um selinho nele. - E como seria "lobo"? - "Lo"? L… O… - Pensei um pouco. - B… O. - Isso! Ai, como eu tenho a namorada mais inteligente do mundo. - Me deu um selinho. - E eu o namorado mais mentiroso do mundo. - Mentiroso nada! Ficamos quase 2h em aula, e eu havia gostado bastante, ainda estava um pouco longe de ler, mas com certeza, estava bem mais perto do que antes, e eu estava bem feliz por isso e super empolgada. (...) Alguns dias haviam se passado. Finalmente havia chegado o dia da festa, onde iríamos cantar. Nico, que era amigo do pai da aniversariante, inventou uma história para Bernardo, e assim saimos com ele, e Emilia foi conosco. O local não era muito longe, e eu estava bem ansiosa, com um frio no estômago, seria nosso primeiro show fora do concurso, e eu estava torcendo para gostarem da nossa banda e do nosso show.
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