O Quase Envenenamento

1130 Palavras
Euge e eu passamos a noite inteira no banheiro, eu usava o do quarto e ela usava outro que ficava no corredor do segundo andar. Eu estava com muita diarreia e vômito. Nem consegui dormir nessa noite. No dia seguinte, ainda estava muito m*l, parecia que eu ia morrer. De manhã cedo, Gastón, Tato e Nano bateram à porta do nosso quarto. Euge abriu e os três entraram reclamando de muita dor abdominal, e eles também estavam com diarreia e vômito. - Acho que aquela comida não me fez bem. - Disse Tato. - Devia estar estragada. - Disse Nano. Foi aí que… Não, não podia ser, ele… Ele não faria isso, ou será que faria? Será que seria capaz de algo assim? - E se o Bernardo colocou algo na nossa comida? - Questionei. - Acha que ele nos envenenou? - Euge perguntou. E antes que eu pudesse dizer algo, o Capeta entrou em meu quarto. Nem sequer bateu à porta, e se Euge ou eu estivéssemos trocando de roupa? Mas claro que ele não se importava com isso. - Eu vim saber como estão os meus querubins. - O homem disse em tom de ironia. - Foi você, né? - Gastón perguntou quase sem força, fazendo o mais velho lançar um sorriso tenebroso. - Isso é pra vocês verem do que eu sou capaz. E na próxima, a dose será muito maior, mas… - Pensou um pouco. - Acho que amanhã vocês devem estar melhores. Se cuidem, meus querubins, e melhoras! - Deu um falso sorriso e saiu. - Ai, eu odeio ele! - Disse Nano. Passamos o dia inteiro m*l, eu não conseguia nem pensar direito, estava com tanta raiva dele. Como ele pôde fazer algo assim? Podia ter nos matado, acho que era isso que ele queria. Ai, eu estava com tanta dor. Emilia e Nico perceberam que não estávamos bem, e mentimos que havíamos comido um lanche na rua, que nos fez m*l, por sorte eles acreditaram, e os dois fizeram questão de cuidar da gente. Ah, como eu gostaria que Emilia fosse minha mãe e Nico fosse o meu pai. (...) No dia seguinte, já estávamos melhor, mas com muita raiva, ele era pior do que poderíamos imaginar, era um monstro! Na parte da manhã tivemos que ir para nossa falsa escola, Emilia até disse que não precisávamos, já que não estávamos bem no dia anterior, mas como ficamos com medo de Bernardo e Júlia ficarem bravos com a gente, resolvemos ir. À tarde, eu estava caminhando pela casa quando Bernardo me chamou em seu escritório e eu fui mesmo tremendo de medo. O homem ordenou que eu fosse levar drogas para um "amiguinho" dele. - Sério que você quer que eu faça isso depois de quase ter me matado? - Perguntei. - Como é? - Se aproximou de mim. - Bom, se você não for, eu mandarei o Matteo ou a Lupita no seu lugar. - Mas são crianças… - Não me diga! Então, você vai ou não? - Ok, eu vou! - Peguei a sacola de sua mão, na força do ódio. Fui até o local indicado e aguardei um pouco, até que um homem chegou. Entreguei a sacola para ele e peguei o dinheiro, 500,00. Ao voltar para o abrigo, eu entreguei o dinheiro para Bernardo e fui para meu quarto. Me reuni com meus amigos e todos estavam indignados, assim como eu. - Depois dessa do Bernardo, eu me n**o a continuar roubando pra ele. - Disse Gastón. - Eu também! - Falou Tato. Euge e Nano concordaram, e eu… Eu não sabia o que fazer, estava com muito medo, mas eu não deixaria meus amigos na mão logo agora, até porque, de uma certa forma isso era tudo culpa minha. Quando o mais velho nos chamou para "trabalhar", Tato já foi logo dizendo: - Não! Não vamos fazer mais nada para vocês! - Mas que disparate! - Disse Júlia. - Você ouviu isso, senhor? - É, isso mesmo! - Disse Gas. - Você quase nos matou. Bernardo começou a rir de forma exagerada e Júlia fez o mesmo. - Qual é a graça? - Matteo perguntou. - Como vocês estão engraçadinhos. - Disse o homem. - Vocês acham mesmo que podem contra mim? Sabe o que vai acontecer se vocês se negarem a me obedecer? Como vocês não me serão mais úteis, eu vou transferir todos para outras instituições, SE-PA-RA-DA-MEN-TE. - Lupita abraçou fortemente o Gastón, visivelmente assustada. - Inclusive você e o seu irmão, pequenina. - Eu não quero ficar longe do Gas. - Calma, ninguém vai nos separar. - Disse o garoto. - Então experimentem não fazer o que eu digo. - Falou o mais velho. - A Emilia e o Nico jamais permitiriam que isso acontecesse. - Disse Euge. - A Emilia não manda em nada, é apenas uma mera funcionária e o Nico… É só eu convencê-lo que é o melhor para todos. Ficamos em silêncio, sem sabermos o que dizer. Eu não queria ser transferida, apesar de tudo, eu gostava de morar aqui, foi o primeiro lugar onde fiz amigos e onde fui acolhida, eu não queria que me separasse deles. - Mas podemos fazer um acordo. Vocês seguem aqui, ninguém vai para lugar nenhum, e em troca vocês seguem trabalhando pra gente. Que tal? Nos olhamos em silêncio, sem sabermos o que dizer. Infelizmente, Bernardo era muito poderoso e ele tinha poder para isso e muito mais. - Ok! - Disse Gas. - Tudo bem! - Falou Euge. Sem saída, todos acabamos concordando, era o jeito. E lá fomos nós, de volta pras ruas para roubar. (...) Mais tarde, eu estava na cozinha tomando um copo d'água quando Tomás entrou, pegou uma maçã e se aproximou de mim. - Mar, será que você pode cortar para mim, por favor? Eu só quero metade! - Claro, eu corto, sim. E nisso, Gimena entrou e se aproximou de Tomás. - Oi Tommy, meu amorzinho, como você está fofucho? - Apertou as bochechas do menino. - Eu estou bem, mas você eu já não sei. - Massageou as bochechas. - Queridinho, você sabe que a titia Gime gosta muito do teu papai, né? - Você acha que eu tenho 5 aninhos, é? - Eu ri com a fala do garoto. - Enfim… Você bem que podia me dar uma força com teu papi, né? - E por que eu faria isso se eu quero que meu pai fique com a Emilia? Eu hein! É cada uma que me aparece… - Pegou metade da maçã que eu havia cortado e saiu. Eu ri e Gimena me olhou seriamente. Parei de rir, dei de ombros para a morena e sai da cozinha. Ah, como não amar as crianças?
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR