O segundo selo

4733 Palavras
"Viver é um rasgar-se e remendar-se" ~ Guimarães Rosa Draco Pov Eu sinceramente estou pensando em colocar uma coleira naquela batatinha andante para ver se ele para se ser sempre o epicentro da merda. Não é possível que em apenas um final de semana longe de mim Potter já tenha se metido bem no meio do segundo selo... que é nada menos que um m******e de jovens de férias no campo nível aqueles filmes clichês e chatos de terror. Azarado da p***a vocês não acham? E o pior é que, se o pai dele for realmente um grifinório e mesmo assim deixou o filho ir para essa viajem... eu juro que dilacero cada m****o daquele filho da p**a, uso de torturas que já foram proibidas à séculos (e que são minhas especialidades) antes de finalmente mata-lo da forma mais lenta e agoniante possível. Queimando cada órgão interno dele, víscera por víscera, esquentando o sangue para que as veias explodam e ele tenha hemorragias internas que reduzem aquela escória a meras cinzas a serem pisoteadas e uma alma condenada a toda eternidade aos piores castigos do inferno. Mas enfim, com a chegada de Rowena e Regina, conseguimos finalmente avançar com a profecia do segundo selo, e quando Harry saiu pra viajar faltava apenas uma palavra a ser decifrada, que estava sendo difícil por ser pouco usada hoje em dia. E você não imagina a minha surpresa e baque quando a desvendamos e ligamos os pontos com algumas informações de movimentações grifinórias suspeitas que estávamos estudando, e chegamos a conclusão que eles usariam essa viagem dos jovens da faculdade para fazer um atentado aproveitando a vulnerabilidade deles e o aglomerado de pessoas que se encaixam perfeitamente no sacrifício... Odeio rituais de sacrifícios de sangue, ele são tão 8 mil anos atrás... Os exatos dizeres do selo são: "Mammon sempre quer mais para ele três sacrifícios não satisfaz. Para o apocalipse acontecer muitos devem perecer. Nem tão velho, nem tão novos Nem tão bons, nem tão maus A morte em equilíbrio para o renovos" E lá se foi a minha esperança de conseguir dormir um pouco. A vida é injusta de mais pra quem é belo como eu. Por termos descoberto tudo em cima da hora, não deu muito tempo para nos organizarmos. Na verdade Pansy e Blaise até queriam chamar reforços dos círculos inferiores da máfia, e formular um plano para essa nossa investida. Mas eu não podia deixar isso acontecer. Seria tempo perdido, tempo precioso que poderia ser a diferença entre a vida e a morte para o Harry e muitos outros jovens... então f**a-se a organização, vamos salva-lo. Quer dizer, salva-los. Plural Draco, foca no plural e em todos os inocentes que merecem viver e que dependem de você para isso, e não apenas nele. A cidade é umas 5h de distância de NY de carro, o que é muita coisa, mas não tínhamos opção já que um temporal nos impedia de ir de helicóptero ou jatinho. Je déteste qu'il pleuve toujours à ces moments-là. Portanto, nem hesitei de pegar o meu carro mais veloz e mais caro, a Sophie, e praticamente voar pela estrada enquanto ligava para o Harry sem parar, mesmo aquele merdinha não atendendo hora nenhuma, me fazendo ficar ainda mais ansioso e preocupado. E se fosse tarde de mais? Descobrimos o selo muito em cima da hora, e deve ser quase impossível parar sua quebra agora... mas se pelo menos pudermos salvar o máximo de jovens possíveis, se pudermos salvar o Harry... Minha garanta ficava ainda mais seca em contraste ao aguaceiro que caia do céu em NY, e eu apertava cada vez mais forte e volante, ao ponto do material começar a se deformar. Mesmo assim não parei de pisar no acelerador, agradecendo por ser madrugada e ter poucos carros na pista, que estava escorregadia, mas não liguei. Sou um excelente motorista. Aprendi a dirigir no mesmo ano que os automóveis foram inventados... aquelas coisas estranhas que nem pareciam carros direitos. Mas eram melhores que os cavalos pelo menos. Eu odeio equinos e essa vaibe de príncipe encantado que eles passam. Além deles cagarem muito... Logo atrás de mim Pansy conduzia um dos nossos carros, levando Tonks, Luna e Regulus. Dora estava em ligação com a polícia local fazendo todo esse intermédio entre as nossas informações e as deles e usando o seu poder elfico hipnotizando todos pela voz para nos ajudar. Luna usava algo que ela chama de "rádio dos anjos" que é uma ligação mental com os irmãos alados dela para saber quantas almas já foram ceifadas dentre os jovens. E Regulus digitava sem cessar no seu notebook para hackear os sinais de trânsito a fim de eu não ter que parar, além das câmeras de segurança do hotel fazenda para termos uma visão do que está acontecendo. Logo atrás da Pansy estava o Blaise fechando a comitiva dos 3 carros mais velozes e bonitos que você possa imaginar. Ele trazia Remus, Sirius, Fred e Jorge. O casal estava quase se matando de medo de algo acontecer com o afilhado justo quando eles ainda estão meio brigados, o que eu acharia uma tortura digna para eles pelo que fizeram, se eu não estivesse sofrendo-a também. Fred e Jorge montavam um plano de ataque e discutiam quais eram as armas apropriadas e essas coisas junto com Blaise, entrando em contato com o pessoal que ficou em Hogwarts para não deixarmos pontas soltas. E como eu sei de tudo isso? Eles não paravam de berrar nos rádios comunicadores dos carros me fazendo quase querer frear do nada só pra eles baterem nas costas da Sophie e calarem a boca. Mas Luna, Pansy e Dora não merecem isso, e faze-los sofrer um acidente levaria tempo, algo que não tínhamos. Então apenas ignorei a falação e quando vi, em exatas duas horas e quarente e um minutos, estávamos estacionado as pressas naquele hotel que era puro mato. Se o Harry pegar carrapato eu processo essa faculdade de merda. Isso se ele estiver vivo, é claro. Ao longe conseguíamos ouvir gritos e barulhos de disparos, além de eu conseguir sentir a presença de muito fogo o que é preocupante. Mas não posso me desesperar, por mais que essa palhaçada me cause muita raiva. Eles são apenas jovens, o que os grifinórios tem na cabeça pra resolver matar todos só porque uma antiga profecia diz que isso trará o fim do mundo? Pessoal doido e psicopata. Neurônios estão em falta hoje em dia. - O Harry atendeu? - Sirius perguntou desesperado saindo do carro. Eu real acho que ele pode desmaiar a qualquer minuto de tão nervoso. - Não. Regulus, conseguiu hackear o hotel e ver em qual quarto ele estava ficando? - Perguntei enquanto abria o porta malas e pegava as armas que estavam lá distribuindo-as. - Consegui, quarto 269. E a amiguinha dele Hermione no 300 - Regulus falava andando e digitando em um tablet. - Certo, Tonks e Luna vão atrás deles nos quartos. Regulus continue hackeando e nos de cobertura. Blaise, Pansy e Sirius vão para um lugar alto e protegido e atirem em todos os grifinórios que verem com a mira da visão noturna, mas cuidado para não ferir algum inocente ou causar mais pânico. Gêmeos, tentem salvar os jovens que ainda não estão mortos e leve-os para algum lugar seguro. Remus, me ajude a procurar o Harry - Falei tudo com tanta pressa e firmeza que nem os ruivos fizeram as piadinhas sem graça de sempre antes das missões, provavelmente com medo de mim. E com total razão. - E por que você acha que o Harry não vai estar no quarto? - Sirius perguntou. - Por que eu o conheço. Vão ficar ai fazendo perguntas ou podemos ir? - Quase que rosnei para Sirius e tive que cerrar os meus punhos para não invocar o meu poder por descontrole. Eu não estou com raiva dele... estou comigo mesmo. Deveria ter desvendado o selo antes, deveria ter protegido essas pessoas, deveria estar ao lado do Harry... Cada um correu para fazer o que eu ordenei enquanto eu adentrava a confusão que estava rolando no campo externo. Enquanto corria de um lado para o outro procurando pelo moreno, fui tentando controlar o fogo que se espalhava pela grama e queimava a floresta, além de ir atirando em grifinórios que se metiam no meu caminho. Mas nada. Eu não achava de jeito nenhum o Potter, e isso fez meu coração apertar e começar a bater falhado. As meninas informaram pelos comunicadores que acharam o Ronald e Hermione escondidos apavorados em um quartinho de limpeza do hotel, mas que Neville e alguns outros colegas mais próximos do Harry estavam mortos. E se o Harry também estiver... Mesmo assim havia uma parte de mim, um fio de esperança que dizia que ele ainda estava bem. Era como se fosse uma sensação, e por isso, mesmo com os minutos se passando e balas zumbindo no meu ouvido, continuei a procurar até o acha-lo deitado no chão de grama alta meio escondido por ser pequeno. Eu real não sabia se ria de alivio, chorava de desespero ou gritava com ele pela negligência pela própria vida e essa situação toda. Só Harry Potter pra ficar bêbado e falando sozinho enquanto ignora um m******e bem ao seu lado. Adolescentes me assustam pra caralho... O peguei no colo e comecei a tentar chegar nos nossos carros para poder deixa-lo seguro e voltar pra acabar com essa merda toda. Mas quando contei do segundo selo foi como se ele finalmente tivesse despertado para a realidade, e adrenalina fosse injetada em suas veias. Desci ele do meu colo e atiramos em um grifinório. É impressionante como o moreno fala que odeia armas de fogo, mas tem uma mira incrível com elas, mesmo bêbado. Olha que só faz uns 20 dias que ele está treinando com Pansy e Blaise principalmente. Talvez valha a pena eu começar a treinar com ele não apenas controle de poderes, mas também luta... acho que até que está no meu nível. E isso seria interessante. Saí dos meus devaneios quando Harry me perguntou o que vamos fazer. - Vamos fazer o seguinte... controle os seus poderes e irradie paz que nem aquele dia na boate. Não precisa de muito, mas se concentre e faça com que essa confusão se acalme um pouco, só o suficiente para eu nos tirar daqui e a polícia chegar, enquanto eu acabo com esse fogo todo. Aliás, ótima ideia de acender uma fogueira que vocês tiveram em - falei a última frase com sarcasmo fazendo ele revirar os olhos. Harry me olhava em um misto de medo e determinação enquanto continuávamos agachados em um arbusto grande o suficiente para tampar nós dois no escuro. De tão peto eu conseguia ver cada nuance dele mesmo a meia luz. O cabelo preto desarrumado e com algumas folhinhas grudadas. As maças do rosto coradas pelo frio e adrenalina. Sua mão tremendo ligeiramente mas ainda segurando a pistola calibre 45 que eu dei pra ele como porte pessoal. - Draco, eu não sei se consigo controlar... eu nem sei como funciona exatamente. Ele ia dizendo mas eu estava concentrado em mirar nas costas de um dos assassinos através dos galhos da moita. Depois do tiro certeiro me voltei ao Harry. - Hazz, nós treinamos isso lembra? Não sabemos exatamente qual é o seu poder mas parece que você pode espelhar, compartilhar ou ampliar as emoções suas ou alheias. Pense na paz, e olhe o caos. Eles são opostos, mas agora está mais caos do que tudo... e depende de você voltar ao equilíbrio. Eu sei que você consegue, pois já enfrentou mais coisas do que eu achava possível alguém suportar. Eu acredito em você, e você acredita em si mesmo? Vamos fazer juntos. Ele ficou um tempo quieto, apenas me encarando com aqueles olhos verdes tão expressivos. Não sei se ele estava tentando segurar a ânsia de vômito, ou se concentrando nos poderes que nem eu disse pra fazer, mas realmente estava pensativo e me encarando com intensidade. Realmente espero que seja a segunda opção, pois não quer ter que jogar outra camisa fora por causa do vômito dele. Não ousei quebrar o contato visual, também focando nos meus poderes e em extinguir as chamas a nossa volta, o que pode parecer um trabalho fácil... mas sugar tanto fogo de uma vez pode ser avassalador e intenso. Eu estava tão focando nessa conexão dos nossos olhos, suas pupilas dilatando e meu poder em plenitude, que nem percebi quando os gritos diminuíram um pouco a nossa volta e um sentimento acolhedor começou a nos rodear. Ele também estava controlando os seus poderes. Mal percebi quando segurei firme a mão do Harry e juntos ampliamos nossos poderes até o extremo. Seus olhos verdes em sincronia com os meus azuis, e seus raios de poder azuis e roxos em contraste com o meu fogo laranja e amarelo, que por incrível que pareça, não o queimou. Só voltamos ao normal quando ouvimos ao longe o barulho de sirenes, e Harry pareceu acordar de um transe assustado. Sendo que todo o fogo havia desaparecido, e um pouco da caos também. Não que eu estivesse muito diferente de Harry, isso de combinar os poderes foi intenso e me fez mergulhar de novo naquela sensação de plenitude com uma melodia que me parece familiar, como se fosse uma cantiga pra dormir ou algo assim... Enquanto tudo era mais intenso e completo. Mas não era hora de entrar em pânico, pois o Harry parecia prestes a entrar e pelo menos um de nós precisa estar são. - Vem Peguei ele pela mão e andamos juntos em direção ao estacionamento. Agora parecia que a aurora poderia raiar a qualquer minuto, e ainda havia pessoas atirando, mas a maioria parecia ter se retirado. Dos dois modos, ou fugindo ou morrendo... Foi muito mais fácil atravessar essa bagunça toda agora, ao ponto que nem tivemos que atirar tanto assim, e na maioria das vezes os grifinórios do nosso caminho apenas caiam mortos com tiros que só posso supor que Pansy, Sirius e Blaise devem estar dando. Mas teve um momento que eu achei que o Harry iria desabar. Quando o tiro que ele deu em um grifinório pegou bem no peito do cara e ele caiu morto... Espero realmente que vocês nunca passem por essa sensação de matar alguém... O Harry ficou estático por um momento prendendo a respiração, sua temperatura caiu e algo no seu olhar se quebrou vagarosamente e culminou em apenas uma lágrima. Eu realmente queria ter impedido ele desse sentimento de culpa por tirar uma vida... Mas não pude. No entanto, em vez de desmoronar ele começou a correr ainda mais rápido em direção ao carro, focado como nunca. Chegamos e todos já estavam lá, sendo que os policiais estavam formando uma barricada para avançar aos poucos contra os grifinórios que sobraram e ver se tinha mais alguns sobreviventes. Harry correu para abraçar os amigos, os padrinhos e todo o pessoal que pareciam muito aliviados por ele estar bem. Mas eu percebia no olhar dele que ele não estava... acho que esse é o preço por se lutar a guerra do apocalipse afinal. Não importa se você está do lado do bem, nada é preto no branco e todos sairão quebrados de algum jeito. Seja de corpo, mente ou alma. Acho que tinha um clima estranho rolando no ar já que Fred, Jorge e Ronald finalmente se encontraram, sendo que os gêmeos estão segurando armas e o caçula só falta desmaiar. Família é sempre complicada... Atrás de nós havia várias ambulâncias já socorrendo as pessoas que os gêmeos devem ter conseguido tirar da confusão enquanto eu estava com o Potter. Mas eles não eram muitos. - Pansy, relatório. Quantos... - Tentei perguntar mas até a minha voz estava falhando e áspera ao olhar para aquelas pessoas machucadas e tão em choque depois de tudo o que aconteceu. Depois de tudo o que passaram... - Draco... são 24 sobreviventes contando o Harry, dentre os 158 alunos que se inscreveram para a excursão de calouros. E pelo que sabemos de sacrifícios de sangue em massa... - Pansy ia dizendo. - Eles tiveram mortes mais do que o suficiente para quebrar o segundo selo - Completei e minha amiga confirmou com a cabeça. ****- Draco, nós te conhecemos. Você vai começar a se culpar por não ter salvo todo mundo... mas se não fosse por nós não seriam 24 sobreviventes, e sim zero - Blaise entrou na conversa quando viu que todos os nossos estavam seguros, incluindo Harry e os amigos que estavam no banco de trás da Sophie chorando pelos que se foram. Acho que um deles até trabalhava na Hades, um tal de Neville... - O que a quebra do segundo selo nos indica. Quais são as nossas chances? - Perguntei firme ignorando a empatia que eles tentavam ter para comigo. - Draco... - Blaise tentou me parar. - Quais são as nossas chances? - Repeti mais firme ainda sem tirar os olhos dos feridos nas ambulâncias, e os policiais com o copo de bombeiros que nos ignoravam e faziam o seu trabalho. - O apocalipse pode ser evitado até minutos antes da quebra do sétimo selo. Ainda estamos no segundo, o que ainda nos da tempo e muitas chances de pararmos tudo isso. Só que a cada selo rompido estaremos mais próximos do fim e fica mais fácil para eles romperem o próximo. Luna acha que a partir de um certo momento alguns efeitos colaterais vão surgir devido a essa aproximação, mesmo que não saibamos quais ainda - Pansy disse. - Os grifinórios mortos? - Perguntei. - A maioria nem são grifinórios mesmo, são assassinos de aluguel que a Gryffindor contratou para fazerem o trabalho e serem descartáveis. Isso pelo que conseguimos tirar de alguns que torturamos antes de matar. Mesmo assim teremos acesso as autópsias e identificações depois para colocarmos no nosso banco de dados sobre possíveis aliados deles. - Ok. Não podemos deixar mais nenhum selo ser quebrado me entenderam?! E faremos esses grrfinórios pagarem com sangue o que estão fazendo... Mas agora é melhor irmos. Remus e Tonks ficam pra trás pra resolver as coisas com a polícia e nos contar os detalhes. Depois mandamos um avião ou carro buscar eles. O resto de nós, vamos voltar. Disse antes de ir até a Sophie e entrar no banco do motorista. Antes de eu dar a partida, Harry saiu do carro dando a volta para entrar na da frente ao meu lado, o que certamente me deixou curioso. Os amigos dele estavam no banco de trás arrasados com tudo o que aconteceu, mas ele parecia alheio quando se sentou ao meu lado. Comecei o longo caminho de volta, dessa vez bem mais devagar e com cautela. Durante umas meia hora ninguém ousou falar nada dentro do veículo. Várias vezes me virei para observar como o Harry estava, mas ele parecia em choque, olhando estático para frente m*l piscando. E isso está começando a me assustar. Sabe aquelas bonecas de pano antigas que tem os olhos estranhamente fixos ao ponto que te dar pavor só de olhar...? O Harry é bonito de mais para ficar que nem uma daquelas bonecas macabras, que com certeza não são do d***o pois meu pai tem bom gosto. Com o passar do tempo, esse silêncio começou a me corroer por dentro, me deixando apenas com os meus pensamentos e memórias. Isso não é algo bom para alguém que tem 2300 anos de lembranças... - Não é sua culpa - Falei ao mesmo tempo que Harry falou: - Não é sua culpa. Nos olhamos de esguio e juro que vi uma sombra de sorriso em seus lábios, o que fez eu soltar a respiração que eu nem sabia que tinha preso. Harry nunca usa cinto de seguranças quando está comigo no carro, o que é um péssimo habito, mas que facilitou ele a se sentar de lado encostando as costas na porta e jogando os pés folgadamente em cima das minhas cochas. - O que eu quero dizer, é que não é sua culpa a morte daquele cara... você pode ter apertado o gatilho, mas era ele ou nós levarmos um tiro... e ele provavelmente deve ter matado alguns daqueles jovens... - Tentei começar a falar, dividindo o meu olhar entre a estrada e o Harry. - Eu sei... só preferia não ter feito isso. Mas também não é sua culpa Dray... quer dizer, isso do selo ter sido quebrado, ninguém poderia ter previsto e vocês estão traduzindo a profecia que nem loucos. Tudo bem cometer erros, lembra que uma vez você me disse por mensagens que todo mundo comete erros, até mesmo os sobrenaturais? - E eu lembro de ter deixado bem claro que todos cometem erros, menos eu - O lembrei, para receber um tapa dele no ombro logo em seguida, o qual eu fingi que doeu só pra ele não ficar sentido. - É sério Draco. Você é a p***a do filho do capeta, não tenho dúvidas que consegue impedir o apocalipse. Mas tenho uma pergunta, por que você não me ligou antes de sair de Nova York? - Isso é sério? Eu te liguei milhões de vezes, e essa sua droga de celular tocava e tocava até cair na caixa postal. Harry ficou vermelho antes de cair na gargalhada. - Então deve ser por isso que estava tocando "Call It what you want" da Taylor Swift sem parar. Era o toque do meu celular... minha mente bêbada brisa de mais - Ele explicou voltando a rir. - Nem me fale. Foi cada coisa que você disse pra lua... - Sorri me deixando levar pelas lembranças do Harry brisado. Depois que nossas risadas morreram o silêncio voltou a se estabelecer até que Harry perguntou: - Por falar nisso, temos que falar do que aconteceu, e como foi possível. Isso dos poderes sabe. Isso indica qual tipo de sobrenatural eu sou? - Neguei com a cabeça. Ainda não faço o c*****o da ideia do que o Harry é. Nos minutos que se seguiram ele ia falando despreocupado o que estava sendo até que engraçado, pois ele realmente tinha esquecido que não estávamos sozinhos. Os dois indivíduos irritantes no banco de trás do carro se revezavam entre olhar para mim e para o Harry durante toda a conversa, se mantendo calados para conseguirem ouvir o máximo possível como mestre fofoqueiros. E o Harry é tão ingênuo e despreocupado que está aqui falando do sobrenatural, dos selos e ainda esta segurando uma arma, completamente alheio aos amigos que do meio da conversa pra cá começaram a fazer caras e bocas ao saber dessas coisas, me obrigando a engolir a risada. - Harry, sabia que você é adorável quando é relapso com as situações? - Disse passando a mão de leve na sua perna que estava sobre as minhas cochas, enquanto ele me olhava confuso não entendendo o que eu falei. Sendo assim apontei para trás e cai na gargalhada quando o pequeno corou que nem um pimentão ao ver os dois amigos olhando com os olhos esbugalhados para ele. - Você podia ter me lembrado antes deu falar Deus e o mundo - Harry cerrou os dentes e falou sussurrando para mim. - Seus amigos, sua responsabilidade. E você sabe que por mim eu já teria jogado eles pra fora do carro e passado por cima - Falei despreocupado levando um beliscão dele como resposta. Nas horas de viagem que se seguiram, o sol se encaminhou de subir lentamente no céu azul bebê, e ao meu lado o Harry ficava cada vez mais enrolado com a história que contava para o cabeça de cotonete e a metidinha. Eu recomendei que o moreno pedisse para que Pansy ou Bellatrix lançassem um feitiço de esquecimento ai daria menos dor de cabeça, mas Harry insistiu que não apagaria a memória dos amigos. Nem sei como ele considera esses dois como amigo... com eles, quem precisa de inimigo né. Mas isso resultou em 4h de viagem com o Harry discutindo com eles tentando faze-los entender que ele não estar louco, e que o sobrenatural existe sim. Uma ou dias vezes eu quis jogar a Hermione pra fora do carro e dar um soco na cara do Ronald. Mas aguentei firme por respeito ao Harry, mas que depois eu vou ter uma conversa com a batatinha sobre os limites entre uma amizade normal e uma amizade toxica, com certeza vou ter sim. Quando finalmente chegamos em Nova York, Harry estava exausto por causa de não ter dormido noite passada, depois essa adrenalina toda e essa conversa chata do c*****o. Passei o tico e o teco que estava no banco de trás da Sophie para o carro do Blaise e dos gêmeos para que tudo ficasse em família (amo botar fogo no parquinho). Sirius passou para o carro da Pansy e Regulus para irem a Hogwarts resolverem as coisas, e Luna passou para o meu carro. Portanto, eu, a anjinha e Harry Potter fomos para a minha cobertura. Nem fudendo que eu deixaria o Hazz voltar para a casa do pai sem saber essa história direito. Mas quando estacionei a Sophie na garagem Potter já ressonava baixinho, me fazendo ter um dejà vú ao pega-lo no colo e rumar para o elevador, mas agora com uma loira saltitante ao meu lado. Mesmo que ela esteja mais felizinha esses dias, sei que não é sempre assim. Desde a morte do seu irmão, Vinnie, Luna está lutando para continuar a encontrar a sua luz, e não cair em tristeza, e eu acho que é por isso que ela tirou férias e ainda não quer voltar para o céu. Luna se sente solitária lá... e por isso tenho me esforçado para ser uma espécie de amigo dela aqui. - Bom descanso Hazz, bom descanso Dray - A anjo falou quando entramos no apartamento antes de dar um beijo na minha bochecha e outro na do Harry, mesmo que esse nem tenha notado por já estar babando na minha blusa. - Beijos Lua - A chamei pelo apelido carinhoso antes de subir para a parte superior da minha cobertura onde fica os quartos. Adentrei no mesmo recinto que o Harry dormiu na primeira vez que veio pra ca, e onde esta acostumado a ficar durante esse mês sempre que acaba dormindo aqui. O deitei confortável na cama, mas quando me virei para ir embora Harry segurou meu braço. - Se quiser pode dormir aqui, a cama é grande. Sei que você tem problema com insônia e já faz algumas semanas que você não dorme... prometo que não te taco outra flecha - Sua voz era extremamente embriagada de suspiros e abrições de boca por causa do sono. Mas eu o compreendi muito bem. Harry queria me ajudar, mas um lado dele também estava com medo de dormir sozinho depois de tudo o que aconteceu, todos que ele perdeu... Além disso ele é uma pessoa esperta, talvez a mais esperta que eu conheça. Já deve ter juntado as peças sobre James poder estar envolvido em um atentado contra ele... seu próprio filho. E não esqueçamos o fato que Harry matou pela primeira vez. Precisamos um do apoio do outro agora. - Chega pra lá - Disse tirando o sapato e me deitando ao lado dele, cada um em seu lado da cama sem se encostar, mas sentindo a presença um do outro, e isso já era suficiente - Nossa Harry, você está fedendo - Tive que brincar com o fato de que nenhum de nós tomou banho. - Cala a boca Malfoy - Ele resmungou. E foi assim que eu e ele pegamos no sono, de maneira calma e completamente serena. Como se fosse a coisa mais fácil do mundo dormir, quase como respirar... A única coisa que eu me lembro antes de realmente cair nos braços de Morfeu foi ter usado o meu poder de ler a alma das pessoas só pra confirmar uma hipótese que eu tinha. E sim. Como eu imaginei, a alma de Harry continua tão brilhante e pura que nem a primeira vez que eu o vi. E eu ainda não faço ideia do porquê disso.
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