Início do Plano

1829 Palavras
Passaram-se alguns dias, a casa estava com um aspecto melhor, as crianças tinham refeições decentes preparadas por Marcela, ela cuidava de tudo, cozinha, banheiros e até das roupas de Lucius e Carlos. Na primeira vez, Carlos estranhou ao entrar no quarto e vê-la organizando suas camisas, ela ficou insegura por estar no quarto dele, então ele silenciosamente se retirou e só voltou depois que ela saiu. Já Lucius sorriu, pensava que seria assim quando ela finalmente fosse sua, teria uma mulher cuidando dele e ainda dormindo ao seu lado. Ítalo era muito inteligente e em certos momentos pensava como adulto, tinha um plano para voltar para o seu país com a mãe e a irmã e iria colocá-lo em prática, não falava mais que duas ou três palavras com o pai, agora o julgava uma má pessoa, ele resolveu apressar seu plano para se ver livre do pai. — Bom dia Lucius! — Disse Marcela ao entrar na cozinha. — Bom dia princesa! Fiz seu café, frutas com granola e trouxe aquele iogurte que você gosta. — Depois da frase dita por completo ele se virou e viu que Ítalo e Megan estavam ao seu lado. — Bom dia crianças, sabem o que vão comer? Marcela e Lucius ficaram vermelhos de vergonha, nos últimos dias ele passou a tentar agrada-la, reparava no que ela gostava e trazia para ela, ele sempre arrumava uma desculpa para estar na cozinha, ela o local que ela mais ficava, mesmo que fosse apenas sentada com Megan ao seu lado. — Eu quero ovos e pão, a Meg só come pão e bebe leite com chocolate. — Ítalo disse. — Pode deixar que eu faço isso, sente-se para comer Lucius. — Disse Marcela. — Sabe que não tenho essa permissão, e já tomei café, só vim preparar o seu. — Obrigada, é muito gentil. — Marcela sorriu e Lucius sorriu de volta. Ela gostava de vê-lo sorrir e aceitava bem suas gentilezas apesar de achar que tinha segundas intenções nelas. — Bom dia meus filhos. — Carlos entrou também sorrindo, depois de Marcela e as crianças chegarem passou a dormir mais em casa e fazer o café sempre com eles, ele estava tentando se aproximar de Ítalo e percebeu que Megan gostava de sua companhia, ela era meiga e calma, gostava de brincar no jardim com ele ou com a mãe. — Bom dia senhor, estou indo fazer a ronda. — Lucius disse e se retirou, antes deu um beijo no rosto de Marcela, estava conseguindo quebrar o gelo gentilmente com ela. Depois disso, Ítalo analisou o momento, viu a mãe servir a todos, até o pai. Não gostou da cena, parecia que ela era uma empregada, notou que ela não sorria na presença do pai, provavelmente ainda estava magoada, vasculhou em sua memória e não se recorda de o pai pedir desculpas a ela, no mesmo momento o fez a ele, mas não a Marcela. Ele se levantou sem dizer nada e foi atrás do soldado. O encontrou na garagem, checando algo em um dos carros. — Você dirige? — Que susto moleque! — Ítalo primeiro riu da reação do soldado e se aproximou. — No que estava pensando que nem me viu chegar? — Nada garoto, mas sim eu dirijo, é uma exigência para o meu trabalho. — Minha mãe precisa de roupas adequadas, mas ela não vai pedir por ser algo pra ela, se fosse pra casa ou para mim ela não pensaria, mas é para ela... — Ok, falarei com seu pai. — Não é isso que estou propondo. — O que tem em mente então? — Chame-a para sair, leve ela para fazer compras, até almoçar fora. Ela gosta de comida italiana. — Está querendo me ajudar garoto? Pensei que tinha um trato com seu pai sobre ela. — Então ele te contou o que fez? Bom, com isso eu não contava. — Ítalo disse como se pensasse alto, não fazia parte da conversa. — Meu acordo diz respeito a pessoa dele e não a você. — Como assim o que ele fez? Ítalo se virou e disse de longe. — Chame-a pra sair hoje mesmo, tem minha permissão. Lucius sorriu, gostou da ajuda do garoto, voltou para cozinha, lá Ítalo estava comendo e Marcela estava lavando a louça. — Marcela podemos conversar? — Ítalo se levantou, pretendia deixar os dois sozinhos. — Pode ficar garoto não é nada demais. — Diga Lucius. — Disse Marcela. — Que tal sairmos hoje a tarde? Podemos fazer algumas compras, você não fala, mas não pode ficar usando minhas camisas pra sempre. Depois podemos comer algo. Marcela olhou para Ítalo que acenou em concordância com a cabeça. — Está bem, será um prazer. — Falarei com o senhor Carlos e depois do almoço saímos. Carlos ouviu essa última parte da escada e foi até a cozinha. — Falavam de mim? — Carlos perguntou. Marcela saiu, fingindo procurar pela filha próximo a piscina. — Carlos, quero levá-la para comprar algumas coisas, ela quase não tem roupas e eu não saberei escolher. — Não se preocupe com isso, peço para minha secretária comprar e entregar. — No! I don't want to do this. I go out with her, your children stay at home. We already have an agreement about her, so It doesn't bother me! (Não, eu não quero fazer assim. Eu vou sair com ela, seus filhos ficam em casa. Nós já temos um acordo sobre ela, então não me atrapalha.) — Disse Lucius. — Ok, take care.( Tome cuidado) — Carlos olhou para Ítalo que prestava atenção na conversa. — Um dia te ensino inglês meu filho, morando aqui vai precisar. — Pai! — Ítalo o chamou. Carlos precisou parar e recuperar o fôlego, essa foi a primeira vez que Ítalo o chamou assim, pensou que teria um longo caminho até recuperar a confiança do garoto, mas por mais inteligente que fosse se tratava de uma criança e tinha um bom coração. — Fala filho. — Duas coisas, mas é particular. — Ítalo disse e olhou para Lucius, o soldado entendeu o recado e saiu. — Primeiro, você gosta da minha mãe da mesma forma que Lucius gosta dela? — O que o soldado lhe disse? — A voz de Carlos saiu pesada, Lucius não relatou nada a ele, pensou que o interesse era apenas superficial, não falou de ter algum sentimento por Marcela. — Ele não disse nada, mas ele a olha como você também a olha, pensei que o sentimento fosse o mesmo. — Um dia você vai entender, mas o que posso dizer, é que Marcela tem sido boa pra mim, ou melhor, pra nós. — Carlos estava ponderando as palavras, não queria dar motivos para Ítalo se afastar novamente. — Ok, por que ainda não pediu desculpas a ela? — Por que eu deveria me desculpar? Ítalo abaixou a cabeça na mesa, ficou visivelmente tenso e chateado com a pergunta. — O beijo, ela não gostou, nem conversa mais com você, para de sorrir quando se aproxima, você não se desculpou com ela, fez comigo, mas não pediu desculpas a ela. — Ítalo, só me desculparia se tivesse me arrependido e não me arrependo. Me desculpei com você porque tínhamos um acordo e eu não cumpri. — Se desculpe com ela, você a ofendeu naquele dia, a fez se sentir fraca, ela chorou por horas no banheiro. Ela ainda está magoada, e você despertou isso nela, se desculpe por isso. Ítalo tinha razão, o menino era inteligente e sabia ler as pessoas. Carlos ainda ficava surpreso com a sua perspicácia, mas ao mesmo tempo orgulhoso, ele era seu filho. Marcela estava sentada na grama vendo Megan brincar, gostava daquele lugar, principalmente do cheiro das árvores, Carlos se sentou ao seu lado, ela não precisava olhar para saber que era ele, ele sempre usava um perfume amadeirado e ela do gostava do cheiro, mas ela não se atrevia a dizer isso. — Podemos conversar? — Ela não olhou para ele, só continuou sentada na grama. — Marcela eu quero pedir perdão. — Ela o encarou séria, apenas ouviria as desculpas de Carlos. — Olha eu nunca me desculpo, mas errei com você, a tratei como aquele soldado no primeiro dia, você desperta algo em mim, mas eu ainda não sei me comportar perto de você, meu tratar com as mulheres nem sempre é tão carinhoso, mas estou tentando ser bom com você. — No dia que chegamos, eu estava desacordada, o soldado veio desde o Brasil até aqui junto a mim, temi que ele tivesse feito algo a mim no trajeto, eu reagi, porque fui ensinada assim. — Ela abaixou a cabeça.— Eu realmente estava começando a simpatizar com você, sua presença faz bem para o Ítalo e para Megan, gosto de cuidar de tudo, não vejo problema nisso, mas quando me beijou eu me senti como no primeiro dia, só que pensei nas crianças, não podia agredir o pai delas e eu não te conheço, aquele homem revidou, e você o que faria comigo se eu lhe desse um soco? — Nisso está enganada, se tivesse me dado um soco eu não revidaria, e não é porque cuida dos meus filhos, que posso lhe fazer m@l. Se quiser dar aquele soco agora vou entender. Marcela sorriu com a proposta. — Por que tenta diminuir meu papel na vida deles? Não temos o mesmo sangue, mas sou sim a mãe deles, Ítalo foi rejeitado por vários casais que apareceram durante 2 anos, fui a única que o aceitou e você quer a todo custo tirar isso dele. — É complicado... Prometo que um dia explico. — Vou fazer o almoço, depois vou sair com Lucius, você permite? — A contragosto, mas sim! — Carlos disse e sorriu. — Por que não come o que eu preparo? — Como assim? Tomo café todos os dias com você e meus... quero dizer nossos filhos. — Você bebe café, mas não come nada, e nunca almoça com eles. Não matei ninguém e nem sei como fazer isso. Lucius e os outros seguranças passaram a almoçar aqui e estão todos vivos. — Está bem, deixe o almoço pronto eu servirei as crianças e comerei com eles, de verdade eu nem havia percebido que não comia em casa. — Carlos, tenho que ter medo de você ou de Lucius tentando se aproveitar de mim? Serei obrigada a ir pra cama com vocês para ficar perto dos meus filhos? Carlos viu o medo novamente nos olhos dela, jamais a forçaria a uma i********e e nunca permitiria que Lucius fizesse algo assim. — Claro que não! Jamais faria algo assim. — Carlos disse e passou seus dedos em seu braço, arrumou o cabelo dela atrás da orelha e olhou para os lados estava garantindo que ninguém os ouviria. — Mas se um dia quiser, é só subir as escadas, minha porta estará aberta para você.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR