Quando desci já com as bagagens postas na carruagem meu pai, minha mãe, todos meus irmãos e irmãs, sobrinhos e sobrinhas, cunhados e cunhadas estavam posicionados frente a carruagem e carregavam um olhar entristecido. Eu nunca poderia entender o porquê da sociedade nos afastar de nossas famílias e nos mandar para longe dela. Ainda que tentasse, nunca teria uma resposta.
Me lancei nos braços de minha mãe que estava prestes a se debulhar em lágrimas, assim como eu.
— Sentirei sua falta. Oh mamãe, a devo tanto. - Sussurrei enquanto afundava o rosto em seu pescoço e inalava seu maravilhoso perfume. Minha mãe era de longe a melhor mulher que já pisara nessa terra, papai havia tido uma tremenda sorte.
— Te desejo toda felicidade do mundo, meu amor. Prometo que logo nos veremos e depois novamente e novamente, isso nunca mudará. - Ela beijou minha testa como forma de me abençoar. — Um reino te espera, minha querida Aurora. Que Deus a abençoe.
Eu beijei as costas de sua mão e me voltei ao meu pai. Ele acariciou meu cabelo melancólico e me puxou para um abraço terno.
— Vá em paz querida, faça uma boa viagem e tenha uma boa vida. Me perdoe se em algum momento a decepcionei, amo-a mais do que qualquer coisa.
Beijei o rosto de meu pai e limpei as lágrimas que desciam sem cessar.
— O senhor nunca foi motivo de decepção para mim meu pai. Eu o amo, sempre o amarei e serei eternamente grata pelo resto dos meus dias.
John me olhou de lado e melancólico sussurrou um baixo " Rorinha ", revirei os olhos antes de abraçá-lo. Sempre detestei que me chamassem assim, e todos paparam, menos o inventor do apelido.
Samuel me sussurrou palavras doces e acalentadoras enquanto me abraçava e se despedia de mim.
Luna murmurou algo do tipo " minha irmã, minha irmãzinha será uma Rainha. " o orgulho transbordava em seus olhos, e aquilo, de certa forma me deixou feliz.
Judith que sempre tentava se mostrar forte por ser a mais velha de nós mulheres se desfez em lágrimas e me prometeu cerca de vinte vezes em dez segundos que nunca me deixaria desamparada e fez uma curta ameaça a coroa de Roma, caso meu futuro marido não fosse um príncipe encantado. Ela me arrancou boas risadas em meio as lágrimas.
Ian estava carrancudo e desde o início sempre se mostrara contra a decisão de meu pai. Ele havia se casado com uma moça simples, Antonietta era uma mulher incrível e exuberante, mas simples demais para um nobre aos olhos da sociedade, quem dirá para um príncipe. Eles haviam passado por poucas e boas para conseguirem ficar juntos, mas agora, alguns anos depois ... Tinham três lindo, fortes e saudáveis filhos.
— Não se preocupe meu irmão. Ficarei bem e os escreverei sempre que possível. Espero fielmente que não ande muito atarefada lá.
— Não hesite nem mesmo por um segundo. Isso aqui. - Ele fez um sinal de pequeno com os dedos. — E irei buscá-la, sabe que não me impregno a regras. - Ian abriu um sorriso travesso.
Eu beijei as costas de sua mão antes de me dirigir a Alana que chorava feito uma criança.
— Tem noção de que eu a vi crescer e dar cada passinho que hoje da com maestria minha irmã? Tive tantos anos para me preparar para esse momento, mas agora que de fato está havendo, pareço fraca demais para suportar.
Acariciei o rosto de Alana que estava mais rosado do que o normal. Beijei sua bochecha e fixei meus olhos aos dela. Ainda que não fôssemos irmãs por parte de mãe Alana e eu sempre fomos mais próximas que os demais. Todos meus irmãos tinham uma gritante diferença de idade comigo e isso os tornava mais protetores do que amigos, mas não Alana ... Alana era minha melhor amiga, minha confidente na maior parte das vezes e também minha maior companheira.
— Não há sequer um segundo que eu não seja grata a ti. - Pousei a mão sobre seu peito. — Acalme, eu serei tremendamente feliz. - Menti em voz alta na expectativa de que o universo me ouvisse e de algum modo, aquilo se tornasse verdade.
A viagem fora cansativa e dado a distância tivemos muitas paradas. Eu e os onze servos que papai mandara comigo já não aguentávamos mais o cansativo deslocamento e todos nós respiramos aliviados quando nos vimos enfim em Roma.
A entrada triunfal do palácio Petronius estava logo a nossa frente. Meu coração saltou mais forte no peito quando percebi o quão próximo estávamos de meu novo lar.
Desci da carruagem com a ajuda de um lacaio. E de longe podia avistar toda a família real.
Sophie, Stefan e ... Ethan. Ele estava ao lado do soberano.
Prendi a respiração ainda que sem querer. Da última vez que nos vimos ele era cerca de vinte centímetros mais baixo, seus ombros não eram tão largos e nem os braços tão fortes, por Deus, como havia crescido. E como se fosse possível, agora estava ainda mais bonito. Uma sobrancelha arqueada e olhos semicerrados me acompanharam até que eu me posicionei frente a família real.
— Soberanos.- Sussurrei como cumprimento ao Rei e a Rainha que me cumprimentaram com muita receptividade.
— Aurora, como é bom vê-la.- Sophie bradou alegremente enquanto me abraçava. Havíamos nos visto uma única vez, mas sua simpatia não podia ser discutida. Ela era dois anos mais nova do que e não havíamos tido tanto oportunidade de conversar outrora.
Stefan o irmão do meio fez uma curta reverência a mim enquanto mantinha um sorriso doce nos lábios.
— É um prazer revê-lá, alteza. - Ethan disse em um sussurro atraindo minha atenção a ele. Seus olhos esmeralda estavam presos a mim dificultando grandemente minha respiração.
— Por favor, Aurora. - Respondi com um sorriso nos lábios.
Ele pegou minha com com cautela e beijou ali enquanto seus olhos permaneciam presos aos meus.
— De acordo, Aurora. Seja muito bem vinda.
Assenti cortesmente.
Segui a família real para dentro do castelo e com a ajuda de alguns lacaios e Ethan me acomodei em meus novos aposentos. Não era nada parecido com o que eu tinha na França, mas seria provisório e logo, teria um quarto de futura rainha e ... De uma dama casada, céus, arfei.
— Não é o suficiente, sei, mas deverá servir. - Ethan disse enquanto manuseava a cabeça em direção ao quarto.
Eu assenti aturdida.
— É excelente, não se preocupe.
— Será por ... pouco tempo. - Ele pigarreou. Evidentemente era tão estranho e constrangedor para ele quanto para mim.
— Oh ... Sim, bom, é... - Eu disse desconexa sem conseguir formular uma frase direito.
Ele deu dois passos para trás enquanto apontava para o corredor ao nosso lado.
— A deixarei a sós. A viagem foi longa e deve estar exausta, descanse.
Eu balancei a cabeça em negação. Estava cansada, mas de toda forma, não conseguiria dormir.
— Por favor, leve-me para um passeio. - Disse sem me importar com o fato de que estava sendo totalmente impropria.
Nunca havia sido o tipo de garota que gostava de ficar trancafiada bordando ou pintando, a natureza sempre fora bem mais atraente para mim, e nada melhor do que um bom ar fresco para me fazer relaxar pelo menos um pouco.
Ele abriu um sorriso de lado, um daqueles que faria toda a Roma/França e qualquer outra população cair aos seus pés.
— Como preferir. - Disse me concedendo o braço.