Cap. 5

1176 Palavras
— Precisamos conversar. - Eu disse enquanto minha voz ia diminuindo. Ele ergueu os olhos para mim. — Tão cedo querida? — É importante... - Sussurrei enquanto mexia em minhas mãos. Ele largou a papelada que tinha em mãos e me dedicou sua atenção. Ainda que fosse um homem muito ocupado, eu não me lembrava de sequer um dia que não tenha tido sua atenção. — Não posso me casar com o príncipe Petronius. Não posso, nem hoje e nem nunca papai, por Deus eu imploro. - Seu sobrenome pela primeira vez em anos me causou arrepio, pensar que aquele poderia em breve ser o meu também ... Papai se levantou com a maestria de um Rei. — Querida, já falamos tanto sobre isso. Veja, partirá hoje, voltaremos mesmo a esse assunto?  Senti meus olhos se encherem de lágrimas. Era um fato, a batalha estava perdida. Jonny ficaria para trás. Eu me casaria com o príncipe, e Jonny se casaria com outra pessoa. Seria feliz e teria filhos com outra mulher. — Nenhum de meus irmãos se casaram dessa forma, nem mesmo Jhon que será o futuro Rei da França. - Balbuciei. — Já pensou que ele pode muito bem ser parente de Pilatos? Imagine, ter meu sangue misturado com o culpado pela morte de Cristo. - Disse mais para mim mesma enquanto tentava defender o fim da aliança. Ele não conseguiu segurar uma risada. Desde que me entendia por gente esse era meu maior dilema e papai já havia se encarregado de pesquisar a árvore genealógica do príncipe para me tranquilizar. — Os judeus foram mais culpados meu amor e você sabe bem, Ethan não tem ligamento algum com o governador. Deixei meus ombros caírem em desânimo. Desde que havia pisado meus pés na sala de meu pai já sabia a conclusão da história, mas ainda sim, insisti em tentar uma última vez ... Por amor ... Por Jonny. — Você será feliz querida. Ethan é um homem honrado, um bom homem. Será um bom rei e um excelente marido. Eu nunca a daria a um m*l homem, sabe disso, não é?! Fiz que sim com a cabeça e me lancei em seus braços. Apertei meu pai com força. Sentiria saudade dele, da mamãe, de Alana, de John, sua esposa e seus filhos. Samuel, Luna, Ian e Judith, sentiria saudade de minhas cunhadas e cunhados, meus sobrinhos e sobrinhas... Deus, sentiria saudade da minha família, de minhas servas, dos lacaios. De Jonny. Do meu lar. As bodas seriam em breve, o que significava que os veria em breve. Mas e depois, quando mais? Já havia ouvido falar em história de Rainhas que nunca voltavam a ver suas famílias. Mamãe tinha pouco, quase nulo contato com meus avós quando ainda eram vivos, e se o mesmo acontecesse comigo? Senti meu coração se apertar mais um pouquinho. A dor de não poder ter Jonny não seria a única na qual eu teria que lidar. — Eu amo vocês, e ainda que, não seja a minha vontade, esteja ciente de que eu não farei nada para contrária-los. Você e mamãe me criaram com todo o amor do mundo e chegou a minha vez de retribuir. — Oh minha pequena ... Você será a melhor governante de todos os tempos. Me perdoe por fazer isso, um Rei as vezes deve agir de maneira difícil. Tenha sempre isso em mente. Eu assenti enquanto sentia seus lábios em minha testa. Fomos interrompidos pela a******a brusca da porta. Nossos olhares se voltaram a ela. — Céus, aí está você. - Mamãe disse enquanto se aproximava para me abraçar. — Não pensou que eu fugiria, não é?! Ela abriu um sorriso nervoso. — O que faz aqui? — Estava novamente tentando me convencer de que os Petronius são parentes de Pilatos.- Ele disse. Nós três caímos na gargalhada enquanto meu pai e minha mãe me abraçavam forte e beijava cada pedacinho do meu rosto. Me senti em um pequeno casulo, e ali, me senti protegida. Após o longo momento de nostalgia com meus pais subi aos meus aposentos para aprontar o restante das coisas que ainda restavam e para minha surpresa dei de cara com Jonny. Fechei a porta atrás de mim rapidamente. A tranquei no intuito de evitar ainda mais problemas. — Enlouqueceu de vez, não é? Imagina se te pegam aqui, nem mesmo seu cargo te salvaria. Ele se aproximou em passos lentos e me abraçou enquanto roçava o nariz ao meu. Sua respiração quente em conta com a minha pele me fez arrepiar. — Não quero que vá. Eu sempre soube que essa hora chegaria, mas nunca estive pronto para ela. E não estou pronto para ela agora que chegou. Fiz o máximo que pude para conter as lágrimas. Emoldurei seu rosto com as mãos e acariciei sua pele alva. — Eu ... Eu o amo Jonny. Eu sempre o amarei. Nunca o esquecerei, essa é uma promessa que o faço. - Balbuciei. Ele se desvencilhou de meu toque. Passou as mãos pelo cabelo o bagunçando e quando se voltou para mim, haviam lágrimas em seus olhos, logo, elas escorreram por sua bochecha fazendo meu coração se estilhaçar em mil pedaços. — Amará seu marido Aurora. Terá uma família com o futuro Rei e será rainha. Como poderá se lembrar de mim? Me lancei em seus braços sem mensurar o risco que estávamos correndo e sem pedir permissão o beijei. Um beijo diferente do que havíamos tido horas mais cedo, se é que aquilo poderia ter sido chamado beijo. Eu o puxei com urgência e pousei minha mão em sua nuca. As mãos fortes dele, antes abaixadas foram parar em minha cintura e me pressionaram com força contra seu corpo rígido. — Eu a amo. - Sussurrou. — Sempre a amarei. Jonny se afastou mais uma vez e começou a tirar algo de seu bolso. Ele estendeu o braço com os punhos fechados na altura de minha mão, eu a estendi. — Espero vê-la novamente, mas caso não a veja, isso a fará sempre se lembrar de mim.- Um colar trabalhado em ouro e rubi pousou na minha mão. — Era da minha mãe, a primeira mulher mais importante da minha vida e agora será da segunda. As lágrimas que eu tanto havia evitado desceram feito uma avalanche. Jonny beijou minha mão, a qual eu segurava firme o colar. — Seja feliz, meu grande amor. Ele deu de ombros antes que eu pudesse dizer algo, saiu pela janela da mesma forma que entrara. E mesmo que ele não pudesse me ouvir sussurrei um baixo " Eu te amo ". Sentei na cama, desmotivada demais para concluir o que tinha ido fazer e deixei que todas as lágrimas presas a tanto tempo saíssem. Eu não iria contra meus pais, não me rebelaria e tampouco brigaria com eles por isso. Era normal que garotas nobres fossem prometidas a garotos nobres e tendo em vista que meus pais eram Reis, eu nunca devia ter sequer imaginado que seria diferente. Por Deus, porquê seria?
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