Capítulo 4

1825 Palavras
Lorena Narrando Palavras são insuficientes para expressar a imensa alegria que senti e estou sentindo, desde o momento em que vi mais um sonho meu se realizando. Poder protagonizar quebra-nozes, é tudo na minha vida. A aula estava prestes a acabar. — Ai droga! — digo frustrada, quando desço do colo do Andrew, após tentarmos um movimento, muito difícil. — Te machuquei, Lô? — Andy pergunta, preocupado. — Não, só que não tem jeito, não consigo fazer essa bosta. — bufo chateada. — Vocês não estão colocando minhas dicas em prática — Amélia comenta — Andrew precisa flexionar o joelho e você, Lorena, só pode dar o impulso para saltar depois disso. — É, sei que estou fazendo errado. — é notória minha insatisfação. — O que está acontecendo, Lorena? Parece estar distraída. — Amélia me olha. — Perdoe-me, senhorita Jones... — suspiro pesadamente — Deve ser o cansaço, tenho estado muito atarefada com a faculdade e tudo mais. — Sugiro que descanse, ou não estará pronta para essa apresentação. — o semblante dela não é nada bom. — Ela estará, senhorita Jones. — Andrew responde, pois, me sinto frustrada. — Assim espero, detestaria ter que substituí-la. Até a próxima aula. — se afasta de nós. — O que está acontecendo, Lô? — ele espera a professora sair, para falar comigo. — Não sei, Andy. Mas só poder ser o cansaço, não estou dando conta de tanta responsabilidade. — sento no chão para descansar um pouco. Andrew senta ao meu lado. — Lorena, é sério... Você precisa descansar, sei que é boa em tudo que faz, não há razão para se esgotar desse jeito. — É, eu sei, só não consigo. Parece que minha mente vive em alerta. — Tive uma ideia — olho para ele com expectativa — Que tal sairmos hoje? Conheço um lugar que você iria amar conhecer. Penso por um instante, não estou no pique para sair, porém, sei que necessito espairecer a mente. — Vamos, Lô. É só um passeio, não vou te sequestrar. — rimos e dou um soco de leve em seu ombro. — Tudo bem, aceito. — Assim é que se fala! — se levanta — Vem, vamos passar em algum lugar para almoçar. — estende a mão em minha direção, para me ajudar a levantar. Seguro em sua mão, levantando e passo a mão em minha roupa, sacudindo a poeira. Então seguimos para o nosso destino. Fomos no carro dele, um lindíssimo Ferrari vermelho. Andrew abre a porta para mim, como um cavalheiro, dá a volta e entra no lado do motorista, colocando o cinto de segurança e dando partida. — Posso ligar o som? — pergunto, olhando para o rádio do carro. — A vontade, senhorita. — responde sem tirar os olhos da direção. Inclino o corpo para a frente e aperto o botão do rádio, que está tocando a música que me lembra demais o Caleb, Heaven – Julia Michaels. Que ódio! — Essa música é perfeita. — Andy comenta, começando a cantar. Mudo a estação, o deixando surpreso. — Porque mudou? Não gosta dessa música? — Gosto, mas ela me lembra uma parte do meu passado que quero esquecer. — continuo apertando o botão, procurando uma música. — O que tem seu passado? — tira os olhos da direção por alguns segundos, me olhando curioso. — Prefiro não falar, Andy. Quem sabe em outro momento. — Tudo bem. — seu tom de voz transmite insatisfação e eu continuo procurando uma música. — Aí sim! É disso que estou falando. — comento empolgada, me movendo no ritmo da música Run the world (girls) – Beyoncé. Fecho a mão direita como se fosse um microfone, cantando e o Andrew balança a cabeça em negação, rindo de mim, mas no fim acaba se juntando a minha cantoria e empolgação, dessa forma, não demoramos a chegar em nosso destino. Ao chegar no lugar, não estava acreditando onde meu amigo havia me levado, fico boquiaberta em ver que estamos na frente de um aquário. Descemos do carro e meu semblante é indecifrável, surpresa e êxtase ao mesmo tempo. — Andy, isso é o que estou pensando? — pergunto sem conseguir parar de olhar o lugar a minha frente. — Sim. Bem-vinda ao aquário marinho de Trieste. — o encaro e ele está vindo em minha direção, com um sorriso de lado, o deixando ainda mais lindo. Preciso ser sincera em dizer o quanto meu amigo é lindo e sexy, com seus cabelos negros penteados para trás, uma mecha caída sobre o olho, olhos verdes, alto e musculoso, além de ser bem charmoso. — Sempre quis vir aqui. — Bem, eu iria te levar para comer alguma coisa antes, porém, acredito que não esteja tão interessada nisso agora. — fala com um sorriso sapeca. — O que estamos esperando? Vamos entrar! — não espero resposta, seguro sua mão, o puxando para me seguir. Tudo tão lindo e perfeito, mas também pudera! Estudo biologia marinha e sou louca por esses lindos bichinhos. Paramos em frente a uma parede de vidro, onde passava um golfinho, fiquei admirada, meus olhos brilhavam com isso e posso jurar que estou sendo observada pelo Andy. As horas passaram rápido, no entanto, eu estava tão entretida com esses lindos animais, que não percebi. — Acho melhor irmos embora, Lô. Já está tarde e a senhorita precisa comer alguma coisa, saco vazio não para em pé. — Você tem razão. — respondo sem tirar os olhos dos bichinhos. — Vamos? — assinto, dou dois toques no vidro com o dedo indicador, chamando a atenção de uma baleia, me despeço e saímos. Fomos até a praça de alimentação, ali mesmo. Sentamos, fizemos os pedidos e comemos entre conversas e risos. — Então... Gostou? — toma um gole de refrigerante. — Se gostei? Eu amei, esse lugar é ainda mais lindo de perto. — mordo o último pedaço do meu sanduíche. — Espera. Está sujo aqui — passa o dedo polegar no canto do meu lábio até minha bochecha, limpando — Prontinho, agora sim. Nos encaramos por algum momento. — Você é linda. — fico surpresa com seu elogio. Andrew sempre me elogiou, mas dessa vez tinha algo diferente em sua voz, não saberia dizer o que. Pigarreio, piscando repetidamente. — É... Acho melhor irmos, já está tarde. — Tudo bem. — ele parece decepcionado. Pedimos a conta, pagamos e fomos embora. O caminho de volta foi silencioso e bem esquisito, nunca vi o Andy tão calado. Chegamos em frente ao prédio onde moro. — Obrigada pela tarde maravilhosa, Andy. — pego minha bolsa e inclino o corpo em sua direção para lhe dar um beijo na bochecha, porém, meu amigo vira o rosto e o que era para ser um beijo de amigo, se tornou um selinho. Fico bastante sem graça. — Até mais, Andy. — abro a porta e iria saindo do carro, quando o Andrew me chama. — Lô. — olho para ele, que sem esperar avança em mim, me beijando. Não esperava por isso, sua língua pede passagem e eu cedo, apesar dele beijar bem, não consigo me entregar, não sinto nada além de amizade por ele. Afasto-me. — Fiz algo errado? — Não, Andy. É só que não te vejo dessa forma, além disso, tenho namorado — ele murcha os ombros — Quer dizer, não é exatamente um namoro, mas é complicado. — Tudo bem, me desculpe. Eu não deveria ter feito isso. — Tá tudo bem — aliso seu rosto — Tchau, Andy. — ele não responde, apenas assente com um menear de cabeça. Saio de seu carro e o vejo indo embora com pressa. Entro no prédio, ainda tentando assimilar o que acabou de acontecer. Ao adentrar meu apartamento, sento no sofá, colocando minha bolsa do lado, relaxo, repousando as costas no recosto, ainda pensando sobre o ocorrido. Meu celular toca, despertando-me, tiro de dentro da bolsa, vejo que é meu pai no identificador de chamadas e atendo eufórica. Com a correria, temos nos falado pouquíssimo. — Papai! — Filha! Quanta saudade, meu amor. — Não fala em saudade, que meu coração fica pequenininho. — Como você está, minha menina? — Bem, papai. Tenho uma excelente notícia para te dar. — Notícia? — Sim. Fui escolhida para o papel principal de quebra-nozes. — falo em êxtase. — Meus parabéns, filha. Valeu a pena cada minuto de esforço. — O senhor e a vovó estarão aqui, não é? — Claro! Não perderíamos isso por nada. — salto do sofá, pulando de alegria. — Eu te amo, papai. Enviarei os convites por e-mail, é só imprimir e trazer. — Eu também te amo, filha. — A vovó está bem? — sento novamente. — Está sim, vive falando de você. — Ela está aí? — Não, Lô. Saiu com uma amiga, mas não deve demorar, peço para ela te ligar quando chegar. — OK, papai. Obrigada. Preciso desligar agora, acabei de chegar da academia. — Tá bom, filha. Se cuida. Encerro a ligação, sentindo-me tão feliz em ter escutado a voz do meu pai, que até esqueci os fatos anteriores. Antes de ir tomar um banho, envio uma mensagem para a Laura, precisava conversar com alguém sobre a atitude estranha e extremamente repentina do Andrew. “Amiga, o Andrew me beijou.” Lorena. “O quê? Como assim, gente? Assim do nada?” Laura. “Hoje depois da aula, ele me convidou para sair, me levou a um aquário e tal, depois fomos comer alguma coisa e percebi ele todo estranho, quando me trouxe para casa, fui me despedir e ele me beijou. Ficou bem esquisito após isso.” Lorena. “Que loucura, amiga! Sua vida anda bem mais interessante que a minha.” Laura. Dou uma gargalhada com o drama da Laura. “E tem mais, fui escolhida para protagonizar quebra-nozes. Diz aí se isso é ou não uma maravilha.” Lorena. “Parabéns, meu amor. Só digo uma coisa, quando ficar famosa, quero autógrafo e uma entrevista dizendo que eu sempre te apoiei e aquelas baboseiras, sabe né?” Impossível não rir com minha amiga. “Tudo bem, amiga. Anotadíssimo!” Lorena. “Amiga, mudando de assunto... Não pensa em voltar?” Laura. Leio e releio sua mensagem, admito que nunca pensei nessa possibilidade, pois, tenho vivido muito bem aqui. “Não sei, amiga... Desde que cheguei aqui, jamais pensei nisso.” Lorena. “Sinto muito sua falta, Lô.” Laura. “Que tal se você viesse me visitar? Faz anos que não vem aqui.” Lorena. A resposta demora a chegar. Até que o celular apita novamente. “Desculpa, Lô... Mas não dá, é que ando muito atarefada ultimamente.” Laura Estranho sua resposta, porque até onde sei Laura não trabalha. “Amiga, conversamos depois, tenho que ir agora, beijos.” Laura. Isso está muito esquisito, tem algo que ela não está me contando e vou descobrir, não sei como, mas vou.
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